quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Orson Welles – “O Processo” / “Le Procès”


Orson Welles – “O Processo” / “Le Procès”
(França/Alemanha Ocidental/Itália – 1962) – (119 min. – P/B)
Anthony Perkins, Jeanne Moreau, Orson Welles, Elsa Martinelli, Romy Schneider.

Orson Welles – “As Badaladas da Meia-Noite” / “Falstaff – Chimes at Midnight” / “Campanadas a medianoche"


Orson Welles – “As Badaladas da Meia-Noite” / “Falstaff – Chimes at Midnight” / “Campanadas a medianoche"
(Espanha/Suíça – 1965) – (113 min. – P/B)
Orson Welles, Keith Baxter, John Gielgud, Jeanne Moreau.

Orson Welles – “História Imortal” / “Histoire immortelle”


Orson Welles – “História Imortal” / “Histoire immortelle”
(França – 1968) – (58 min./Cor)
Orson Welles, Jeanne Moreau, Roger Coggio.

Orson Welles – “Otelo” / “Othello”


Orson Welles – “Otelo” / “Othello”
(Marrocos/Itália – 1951) – (90 min. – P/B)
Orson Welles, Micheal NacLiammoir, Suzanne Cloutier, Robert Coole.

Orson Welles – “Relatório Confidencial” / “Mr. Arkadin”


Orson Welles – “Relatório Confidencial” / “Mr. Arkadin”
(França/Espanha/Suiça – 1955) – (93 min – P/B)
Orson Welles, Paola Mori, Robert Arden.
(comentado por Joe Dante)

Orson Welles – “Macbeth”


Orson Welles – “Macbeth”
(EUA – 1948) – (92 min. – P/B)
Orson Welles, Jeannette Nolan, Dan O’Herlihy.

Orson Welles – “A Dama de Xangai” / “The Lady From Shanghai” - (clip)

Uma sequência sublime bem demonstrativa da genialidade de Orson Welles, que um dia afirmou: "depois de morto, todos se irão recordar de mim!"

Orson Welles – “A Dama de Xangai” / “The Lady From Shanghai”


Orson Welles – “A Dama de Xangai” / “The Lady From Shanghai”
(EUA – 1947) – (87 min. – P/B)
Rita Hayworth, Orson Welles, Everett Sloane.

Orson Welles – “O Estrangeiro” / “The Stranger”


Orson Welles – “O Estrangeiro” / “The Stranger”
(EUA – 1946) – (95 min. – P/B)
Orson Welles, Edward G. Robinson, Loretta Young.

Orson Welles , Norman Foster, Bill Krohn – “It’s All True”


Orson Welles , Norman Foster, Bill Krohn – “It’s All True”
(EUA/França – 1943 – 1993) – (87 min./Cor – P/B)

“It’s All True” de Orson Welles é o mais famoso filme inacabado de Orson Welles. Em 1993 o crítico de cinema Bill Khron (correspondente dos Cahiers du Cinéma na América), realizou este documentário utilizando todo o material deixado por Orson Welles e juntando outro sobre a rodagem do filme. Norman Foster era o responsável da segunda equipa de Welles. O produtor Myron Meisel e o realizador Richard Wilson também deram o seu contributo à concretização deste projecto, que foi exibido no pequeno écran no nosso país, nessa época em que os canais de televisão do Estado gostavam de cinema.

Nota: Poderá visitar aqui no blogue Fotogramas algumas imagens da rodagem deste filme.

Crónica de Cinema: Orson Welles, Robert Wise e “The Magnificent Ambersons” / ”O 4º Mandamento”!


Alguns espectadores de cinema ainda associamos o nome de Robert Wise a um dos filmes que mais tempo esteve em cartaz nos cinemas Portugueses, falamos de “Música no Coração”/”The Sound of Music”, que vi quatro vezes durante esse ano. Mas voltemos atrás no tempo.


Tudo começou no dia 10 de Setembro de 1914, numa povoação do estado de Indiana, cujo nome é o da célebre espingarda “Winchester”. Robert Wise foi cedo para Hollywood e rapidamente se introduziu nos Estúdios como mensageiro do departamento de montagem, por acaso conhecem o célebre livro de Budd Schulberg “O Que Faz Correr Sammy”? Recomendo a sua leitura!

Lentamente, o futuro cineasta subiu degrau a degrau na profissão e foi aprendendo os seus segredos, mesmo aquela terrível “moral” em que os patrões dos Estúdios têm sempre razão e os seus desejos são ordens para se cumprirem, mesmo que elas sejam conducentes a destruir obras-primas do cinema.

Quando a RKO deu carta branca a Orson Welles para realizar “Citizen Kane” e ofereceu todos os meios disponíveis para o “wonder-boy” realizar os seus sonhos no grande écran, nunca pensou que ele iria, de uma forma pouco discreta, retratar a vida do mais poderoso magnata da imprensa da época e os resultados não se fizeram esperar.

Robert Wise foi o responsável pela fabulosa montagem do filme, mas as indicações eram de Orson Welles. E quando o filme perdeu a corrida dos Óscars para o belíssimo “O Vale era Verde”/ ”How Green Was My Valey” de John Ford, ninguém conseguiu contestar o sucedido em virtude de estarmos perante duas obras-primas do cinema mas, como todos sabemos, a película de Orson Welles ofereceu um Novo Mundo ao Cinema, como outrora David Wark Griffith fez, esse criador da linguagem cinematográfica que terminou os seus dias a passear a sua solidão pelas ruas de Hollywood, esquecido e ignorado por todos.

Quando Orson Welles terminou a rodagem de “The Magnificent Ambersons”/”O 4º Mandamento”, a película que realizou após a feitura de “Citizen Kane” / “O Mundo a Seus Pés” e partiu para o Brasil para rodar o documentário “It’s All True”, enviava semanalmente memorandos para Robert Wise, acerca da forma como a película deveria ser montada.

Mas Orson Welles nunca imaginou que os executivos do Estúdio se iriam assustar com a metragem de 132 minutos de “O 4º Mandamento” / “The Magnificent Ambersons” e iriam encarregar Robert Wise de eliminar cerca de 40 minutos da película, refazer novas sequências e criar um novo final de acordo com as regras de Hollywood, ou seja o célebre “Happy-end”, tão querido dos Estúdios! E Robert Wise assim fez, sem pestanejar, seguindo as ordens ditadas pelos executivos da RKO.

Depois de Orson Welles se ver impossibilitado de concluir o documentário “It’s All True”, devido à morte do protagonista (um pescador), o cineasta regressou a Hollywood, para se ver confrontado com um filme que imediatamente reconheceu ter sido profundamente mutilado, destruindo a ideia que estava implícita na sua realização. As relações entre Orson Welles e Robert Wise terminaram e a carreira de Welles, esse magnifico “wonder-boy” terminara no interior do sistema dos Estúdios, passando de “wonder-boy”, ao mais famoso dos “mavericks” da História do Cinema (*).

Após o trabalho de corte e montagem efectuado por Robert Wise, o produtor e cineasta Val Lewton oferece a cadeira de realizador ao técnico de montagem, nascendo “”Curse of the Cat People”/”A Maldição da Pantera”. Mais tarde seguiram-se filmes como “Body-Snatcher” / “O Túmulo Vazio”; “The Set-Up”/”Nobreza de Campeão” até que o seu nome ficou ligado a um dos grandes clássicos da ficção cientifica “”The Day the Earth Stood Still” / ”O Dia em que a Terra Parou” (1952) e a carreira de realizador de Robert Wise prosseguiu com uma média de um filme por ano, abordando os mais diversos géneros até que, no início dos anos sessenta, mais concretamente com a ajuda imprescindível do coreógrafo Jerome Robbins e do maior compositor norte-americano do século XX, Leonard Bernstein, o realizador criou um dos mais belos musicais de sempre, o célebre “West Side Story”/”Amor Sem Barreiras”, uma obra imortal no interior do género e cuja direcção é forçosamente atribuída a estas três figuras, tal é a interligação entre elas, já que ninguém consegue imaginar o filme sem a música de Bernstein, a coreografia de Robbins ou a sólida direcção de actores de Wise.

Os Óscares não se fizeram esperar. Mas nessa mesma época eles voltariam de novo às mãos de Robert Wise através de um outro musical, desta feita “The Sound of Music” / "Música no Coração", com uma Julia Andrews e um Christopher Plummer inesquecíveis, que fizeram as delícias dos corações de quem viu o filme. Com o nome mais que firmado, “Yang-Tsé em Chamas”/ “The Sand Pebbles” e “A Ameaça da Andrómeda” / “The Andromeda Strain” foram quase uma espécie de despedida do cineasta.

Os anos setenta estavam aí, o mundo mudava e os Estúdios foram obrigados a adaptar-se aos ventos da História. Nascia então uma nova geração de cineastas formados nas cadeias de televisão, fazedores de filmes de baixo orçamento e com um novo público disposto a receber de braços abertos os seus filmes. Foi assim que, numa espécie de volte-face fruto de tempos passados ou paixão pela ficção-cientifica (cada um que tire as suas conclusões) que, após ter realizado ”Amor Sem Promessa” / “Two People”, Hindenburg” e As Duas Vidas de Audrey Rose” / “Audrey Rose”, Robert Wise em 1979, decide levar ao cinema “Star Trek”/”O Caminho das Estrelas”, com o sucesso que todos conhecemos, mas os “wonder-boys” já andavam por aí maravilhando as audiências e os "mavericks" do cinema também não se esqueceram dele.

Em 1989, num período em que os "remakes" tinham decididamente entrado na moda, Robert Wise decide fazer o "remake" de “West Side Story”, com o título “Roof Tops” / “Telhados de Nova Iorque”, mas a película não atingiu os objectivos pretendidos, revelando-se um insucesso comercial e muito poucos se recordam dela hoje em dia, apesar de ter passado no nosso País.

Robert Wise é o co-autor de “West Side Story” e o realizador de “A Música no Coração”, fez dezenas de filmes ao longo da sua carreira, subiu a pulso na profissão e deu o seu melhor, mas no momento em que deveria ter batido com a porta, disse "sim, podem contar comigo" aos executivos dos Estúdios, terminando com a carreira de Orson Welles em Hollywood, mas e se tivesse dito "não contem comigo", a história teria sido alterada? Possivelmente outro "funcionário" dos Estúdios teria sido encarregue dessa missão espinhosa pelos seus patrões, não nos esqueçamos que o homem que terminou "Macao" de Joseph von Sternberg, se chamava Nicholas Ray.

Ao longo da sua carreira. Robert Wise transportou consigo este fardo silenciosamente, até ao dia em que confessou numa entrevista, já no final da vida, que tivera uma conversa com Orson Welles, muitos anos depois, sobre o sucedido com "O 4º Mandamento" / “The Magnificent Ambersons” e que este lhe tinha perdoado.

(*) - Recomendamos vivamente a leitura do livro que Peter Bogdanovich escreveu sobre Orson Welles.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Orson Welles e a Guerra dos Mundos: 80 Anos Depois!



Faz hoje 80 anos a famosa emissão radiofónica de Orson Welles de "A Guerra dos Mundos", foi no dia 30 de Outubro de 1938, que o Planeta Terra foi invadido por seres extra-terrestres. A América estava cada vez mais preocupada com a Europa, perante o renascimento da Alemanha, que com a sua máquina de Guerra ameaçava tudo e todos. Como sabemos, a Guerra Civil de Espanha tinha servido para testar a eficácia do armamento alemão, mas os americanos também estavam cada vez mais preocupados com os discos voadores.

O Planeta Marte aterrorizava o cidadão comum, não eram só os filmes de série-B que cada vez mais se centravam na temática marciana com uma invasão da terra, mas também eram cada vez mais os cidadãos que diziam ter avistado disco voadores no céu, alguns até afirmavam ter sido raptados por extra-terrestres, mas depois de libertados a maioria não se recordava de nada do que se passara, embora alguns ainda tivessem as forças suficientes para descreverem pormenorizadamente esses seres malignos que pretendiam conquistar o nosso planeta.

Foi neste clima de medo que Orson Welles e a sua equipa habitual do “Mercury Theatre”, anunciou na rádio que iria transmitir uma peça intitulada “A Guerra dos Mundos”, adaptada ao tempo presente e baseada no famoso romance de H.G.Welles. No entanto todas as pessoas que ligaram os rádios depois das 20 horas já não tiveram oportunidade de escutar o aviso de Orson Welles, não nos esqueçamos que na época se viviam os famosos dias da rádio, tão bem retratados no filme de Woody Allen. Após o início da peça, o jovem Orson Welles, desconhecendo que acabara de entrar para a História, sentou-se na sua cadeira e acompanhou calmamente a emissão, como fazia habitualmente.

A emissão começou para cerca de 32 milhões de ouvintes e o locutor anunciou que um meteorito vindo do planeta Marte tinha caído em New Jersey, dele estavam a sair tropas marcianas que possuíam o raio da morte que iria aniquilar a humanidade. O relato do avanço das tropas marcianas na América continuou, até que um comunicado do Ministério do Interior foi emitido a aconselhar a calma à população norte.americana, recomendando determinadas medidas, para se salvaguardarem dessas terríveis criaturas, que tinham invadido o planeta. New Jersey estava praticamente devastada e a superioridade das armas marcianas era de tal ordem que não se encontrava forma de deter o seu avanço, ao mesmo tempo eram anunciadas quedas de outros meteoritos de onde desembarcavam cada vez mais tropas marcianas. A América estava Perdida!!!!

O pânico instalou-se nas cidades e milhares de pessoas começaram a invadir as estradas e os campos, em fuga dessa estranha morte vinda do espaço. Entretanto as ruas de New York começaram a ficar repletas de pessoas em perfeito estado de choque à espera do pior, entretanto a emissão radiofónica anunciava que os marcianos se aproximavam da Quinta Avenida enquanto o rio East já se encontrava repleto de cadáveres, ao mesmo tempo as igrejas começaram a albergar as muitas almas que ainda acreditavam que um milagre seria possível.

Orson Welles, Joseph Cotten e Ray Collins dão por terminada a emissão teatral dessa noite e só então se apercebem que tinham provocado o pânico generalizado “coast to coast” em toda a América.
Nos estúdios da CBS os telefones não paravam de tocar e a polícia na rua era forçada a recorrer à violência para impedir as pilhagens que já se tinham iniciado. Foi necessário que todas as estações de rádio começassem a emitir boletins noticiosos informando que nada se tinha passado, apenas se tratando da adaptação teatral de um famoso livro escrito por H. G. Wells e transposta com enorme realismo para esse memorável dia 30 de Outubro.

A celebridade de Orson Welles tinha acabado de nascer, o “wonder-boy” tinha colocado a América à beira de um ataque de nervos. Mas o autor do livro, o célebre H.G.Wells, enviou de Londres um telegrama a Orson Welles, discordando das “liberdades criativas” usadas por este na sua adaptação teatral para a rádio do conhecido livro, tendo o clima ficado de tal forma escaldante entre o escritor e o encenador, que H.G.Wells depois de saber pormenorizadamente o sucedido na América instaurou um processo a Orson Welles já que, no pânico generalizado, centenas de pessoas ficaram feridas ou foram agredidas e roubadas.

Orson Welles subiu ao trono e a RKO deu-lhe total liberdade criativa para ele fazer um filme, algo inédito nessa época em que os Grandes Estúdios reinavam com mão de ferro. A película seria “Citizan Kane” / “O Mundo a Seus Pés” e a sua importância na História do Cinema é conhecida de todos, quanto ao romance de H.G.Wells, ele continua a ser uma das obras-primas da literatura de ficção-cientifica. Mas o pânico que a emissão teatral de Orson Welles espalhou em toda a América nessa noite memorável, da qual hoje se comemora mais um aniversário, ficou para sempre na História da Rádio, haja ou não marcianos no Planeta Vermelho! (ou será que eles vieram para a Terra e todos nós somos seus descendentes?)

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Arthur Lubin - "The Phantom of the Opera" - (trailer)

"Phantom of the Opera"
Arthur Lubin, 1943, trailer.

Joel Schumacher – “O Fantasma da Ópera de Andrew Lloyd Webber” / “The Phantom of the Opera”


Joel Schumacher – “O Fantasma da Ópera de Andrew Lloyd Webber” / “The Phantom of the Opera”
(Grã-Bretanha – 2004) – (143 min./Cor)
Gerard Butler, Emmy Rossum, Patrick Wilson, Miranda Richardson, Minnie Driver.

Dos palcos do teatro para o écran de cinema Andrew Lloyd Webber e Joel Schumacher, apresentam uma versão cinematográfica do famoso “The Phantom of the Opera”, numa adaptação e realização que cumpre com as famosas “regras do jogo”, mas não consegue superar a obra-prima assinada por Arthur Lubin em 1943.

Brian De Palma – “O Fantasma do Paraíso” / “Phantom of the Paradise”


Brian De Palma – “O Fantasma do Paraíso” / “Phantom of the Paradise”
(EUA – 1974) – (91 min./Cor)
Paul Williams, William Finley, Jessica Harper.

Ao longo dos anos, especialmente durante a segunda metade do século xx, “O Fantasma da Ópera” teve as mais diversas adaptações cinematográficas, muitas delas estão esquecidas, como a realizada por Dario Argento, mas nunca é demais recordar esta versão, bem livre, realizada por Brian De Palma, em 1974, com um pendor verdadeiramente “kitsch”, no interior desse género denominado “horror movie”.

Será que alguém ainda se lembra de Paul Williams, o protagonista deste “O Fantasma do Paraíso” / “Phantom of the Paradise”?
Na época vi o filme no cinema Quarteto e no final estava bastante abalado pela surpreendente falta de qualidade desta fábula do rock and rol!.

Arthur Lubin – “O Fantasma da Ópera” / “Phantom of the Opera”


Arthur Lubin – “O Fantasma da Ópera” / “Phantom of the Opera”
(EUA – 1943) – (92 min./Cor)
Nelson Eddy, Susanna Foster, Claude Rains.

A bela história de “O Fantasma da Ópera” tem sido um tema recorrente no interior da Sétima Arte, desde esse ano longínquo de 1925, ainda na época do cinema mudo até esta bela película realizada por Arthur Lubin, que viu o seu trabalho de artífice ser coroado com dois Oscars (melhor fotografia e decoração), mas também com uma realização que continua a surpreender o espectador, tal como a sua direcção de actores. Estamos assim perante a mais bela adaptação cinematográfica de “O Fantasma da Ópera”, que ao longo dos anos tem tido as mais diversas versões ou “remakes”, se preferirem a expressão.

Crónica de Cinema: O "Remake" na Sétima Arte!



Uma das questões com que se tem debatido a indústria cinematográfica norte-americana, nos últimos anos, tem sido a política do “remake”, cuja tradução à letra é “refeito” e é disso precisamente que se trata: refazer uma obra. Os anos que separam a primeira película da segunda são, geralmente, na ordem das dezenas e o seu realizador, quase sempre, outro cineasta. Mas existem algumas excepções como é o caso de Tod Browning, que fez “remakes” dos seus próprios filmes, como por exemplo “Outside The Law” datados respectivamente de 1921 (filme mudo) e 1930 (filme sonoro) ou então o caso mais famoso, protagonizado por Alfred Hitchcock e o seu filme “The Man Who Knew Too Much”/”O Homem Que Sabia Demais”, sendo a primeira película rodada a preto e branco em 1934, para 12 anos depois, em 1956, o Mestre fazer o “remake” a cores com a célebre interpretação de Doris Day ao lado de James Stewart.

Mas que regras estão subjacentes ao “refazer uma obra”: estabelecer um paralelo estudando a distância temporal, transformar a acção, possibilitando apresentar cenas que as censuras anteriores impediam (o célebre código Hays), introduzindo a tecnologia que ontem não se encontrava ao seu alcance, ou seja os chamados efeitos especiais? No fundo trata-se disto tudo e muito mais, pois por vezes o “remake” é tão diverso, que o filme se assume quase como “original”. Outras vezes trata-se de homenagear ou recordar algo ou alguém, como é o caso de “Nosferatu”, sendo o original da responsabilidade de F. W. Murnau e o “remake” assinado por Werner Herzog, já para não falarmos nesse fabuloso filme elaborado por E. Elias Merghe recriando as filmagens da obra de F.W. Murnau, intitulado “A Sombra do Vampiro”/”Shadow of the Vampire”. 

Em “No Limiar da Realidade”/”Twilight Zone”, o quarteto constituído por Steven Spielberg / John Landis / Joe Dante / George Miller, já apresenta um carácter específico e fronteiriço, no interior do “remake”, porque tem como origem uma série televisiva. Mas, por falarmos em séries televisivas, não podemos esquecer o caso de “Orgulho e Preconceito” / ”Pride & Prejudice”, um dos muitos romances escritos por Jane Austen e que, tal como outros livros da famosa escritora inglesa, tem sido adaptado ao pequeno e grande écran. Recorde-se que foi em 1938 a data da primeira adaptação televisiva de “Orgulho e Preconceito”, da responsabilidade de Michael Berry, depois ao longo dos anos, foram inúmeras as vezes que esta obra literária, mundialmente famosa, se viu adaptada para a televisão (1938; 1940; 1952; 1958; 1967; 1980; 1995), no entanto, devido às novas tecnologias e o surgimento do dvd e da televisão por cabo é a versão de 1995, com um fabuloso Colin Firth a fazer de Mr. Darcy e uma maravilhosa Jennifer Ehle a interpretar a figura de Elizabeth Bennet, que nos fica na memória para sempre, porque quando Joe Wright nos oferece uma nova versão cinematográfica, tendo Keira Knigtley como protagonista, o seu maneirismo e a forma como usa o plano sequência leva-nos a esquecer rapidamente do filme e de imediato nos surge na memória a célebre versão da BBC, datada de 1995. 

A outra das características do “remake” é a denominada “sequela” tal como sucede com o magnifico “Piranha” ou “Tubarão” / “Jaws”; os medíocres “Porki’s”, “Gelado de Limão” / “Eskimo Limon” ou “American Pie” para citar um género; já “Psico”, o célebre filme de Alfred Hitchcock, tem o “remake”/sequela efectuado por Richard Franklin, reunindo novamente Anthony Perkins e Vera Miles muitos anos depois, iniciando a película precisamente onde Hitchcock o terminara, utilizando os mesmos actores e rodando nos mesmos locais vinte anos depois e o caso do “remake” de “Psico” levado a cabo por Gus Van Saint, refazendo plano a plano a famosa obra de Alfred Hitchcock, numa homenagem bem cinéfila, que na época da estreia não foi muito bem recebida. Depois, há sempre aqueles casos em que muitas vezes o “remake” parece superior ao original e dizemos parece, porque muitas vezes somos enganados pelo dispositivo ou meios, se preferirem, postos à disposição dos cineastas, tendo em conta o passar dos anos e o avanço da tecnologia dos efeitos especiais, que na maioria dos casos não conseguem substituir o talento dos actores dos filmes originais. 

Citemos dois casos concretos e opostos: “The Thing” da dupla Christian Niby e Howard Hawks e a versão de John Carpenter, onde pontificam os efeitos especiais, em que perante a visão de cada um dos filmes, somos forçados a reconhecer que John Carpenter conseguiu através da dramaturgia e o suspense instituir um clima de terror, em que o próprio espectador termina por viver no próprio espaço onde se esconde “The Thing”; já o caso de “Cat People” / “A Pantera” do genial Jacques Tourneur, que viu a sua obra-prima ser refeita pelo excelente Paul Schrader, não tendo o cineasta americano conseguido atingir a qualidade da obra original, substituindo o suspense e a elipse pelo erotismo e o dejá vù, embora não atingindo os seus objectivos, Paul Schrader consegue, mesmo assim, elaborar em “A Felina” / “Cat People” uma obra que merece ser (re)vista. 

Todos os anos os “remakes” se sucedem a uma velocidade vertiginosa, alimentando-se Hollywood tanto no cinema clássico como no cinema francês, transformando os “remakes” e as sequelas num género cinematográfico, em que o que está em causa não é essa homenagem cinéfila, tão em voga no cinema clássico, basta recordar o caso desse maravilhoso melodrama dirigido por Leo McCarey, intitulado “Love Affair” / “Ele e Ela” de 1939 com Irene Dunne e Charles Boyer, do qual o mesmo cineasta irá fazer um dos mais célebres “remake”, ao decidir refazê-lo convidando Cary Grant e Deborah Kerr para o mais que conhecido “An Affair to Remember” / “O Grande Amor da Minha Vida” de 1957, para muitos anos depois Warren Beatty decidir fazer uma nova versão, como prenda para a sua esposa Annette Bening, nascendo “Love Affair” / “O Amor da Minha Vida”, mas dizíamos nós que a Hollywood deste século XXI só olha para o “remake” ou sequela se ela lhe fornecer excelentes receitas, na realidade somos nós espectadores de cinema e entusiastas do universo cinematográfico que tudo deveremos fazer para que a memória do cinema permaneça bem viva, como a bela e inesquecível Sétima Arte! 

Nota: Nas fotos o filme "Cat People": o original de Jacques Tourneur e o "remake" de Paul Schrader.

domingo, 28 de outubro de 2018

Alan Parker – “Os Commitments” / “The Commitments”



Alan Parker – “Os Commitments” / “The Commitments” 
(Irlanda/Grã-Bretanha/EUA- 1991) – (118 min./Cor) 
Robert Arkins, Michael Aberne, Angeline, Ball. 

Possuidor de uma banda sonora inesquecível, mergulhamos pela mão de Alan Parker num dos mais belos musicais da década de 90, repleto de cor, onde acompanhamos o nascimento, sucesso e morte de uma banda de música soul!

Alan Parker – “Venha Ver o Paraíso” / “Come See The Paradise”



Alan Parker – “Venha Ver o Paraíso” / “Come See The Paradise” 
(EUA – 1990) – (138 min./Cor) 
Dennis Quaid, Tamlyn Tomita, Sab Shimono. 

Possivelmente o filme mais esquecido de toda a filmografia de Alan Parker, que nos conta o que sucedeu a milhares de japoneses a viverem na América, muitos deles ali nascidos, após o bombardeamento de Pearl Harbour. Uma película que bem merece ser redescoberta!

Alan Parker – “Mississipi em Chamas” / “Mississipi Burning”



Alan Parker – “Mississipi em Chamas” / “Mississipi Burning” 
(EUA – 1988) – ((128 min./Cor) 
Gene Hackman, Willem Dafoe, Frances McDormand. 

A melhor película de toda a Filmografia de Alan Parker, com interpretações de alto nível e um argumento que nos oferece um retrato do sul da América, verdadeiramente arrepiante.

Alan Parker – “Birdy: Asas de Liberdade” / “Birdy”



Alan Parker – “Birdy: Asas de Liberdade” / “Birdy” 
(EUA – 1984) – (120 min./Cor) 
Matthew Modine, Nicolas Cage, John Harkins. 

As marcas e as memórias da Guerra que não se apagam, numa película que teve uma banda sonora “preguiçosa” de Peter Gabriel!

Alan Parker – “Pink Floyd: The Wall”



Alan Parker – “Pink Floyd: The Wall”
(Grã-Bretanha – 1982) – (95 min./Cor)
Bob Geldof, Christine Hargreaves, James Laurenson.

Adaptação cinematográfica do célebre trabalho discográfico “The Wall” de Roger Waters e dos Pink Floyd. Uns gostaram, outros não!

Alan Parker – “Depois do Amor” / “Shoot The Moon”



Alan Parker – “Depois do Amor” / “Shoot The Moon” 
(EUA – 1982) – (124 min./Cor) 
Albert Finney, Diane Keaton, Karen Allen, Peter Weller. 

O divórcio, o sentido do amor, os filhos, a saudade, o passado que nunca será futuro e por fim a violência, segundo o olhar de Alan Parker e uma interpretação memorável de Albert Finney no “fio da navalha”!

Crónica de Cinema: Martin Scorsese e a História dos Oscars!


“Em Hollywood diz-se:
cada pessoa tem duas profissões:
a sua e a de crítico de cinema”.

François Truffaut

A célebre frase de Truffaut também se aplica neste século XXI aos fundamentalistas da cinefilia. Tudo começou em 1927, o Presidente da Academia era o famoso Douglas Fairbanks, marido da não menos famosa Mary Pickford, “a namorada da América” (o primeiro casal célebre de Hollywood) e o prémio escolhido para galardoar os melhores dos maiores foi uma estatueta concebida pelo escultor George Stanley. O nome para o tão desejado prémio ainda não estava dado e foi a bibliotecária da Academia, Margareth Herwick, que por mero acaso terminou por baptizar o tão cobiçado prémio quando a pequena estatueta lhe passou pelas mãos: “Olhem, parece mesmo o meu tio Oscar!”. E assim, desta forma simples, foi dado o nome ao mais famoso prémio do cinema.


Se formos falar nas injustiças cometidas pela Academia de Hollywood, acabaríamos por escrever um livro, tal é o número enorme de “crimes” cometidos por esta. Falemos apenas em dois, como exemplo, sem qualquer tipo de contestação: Alfred Hitchcock, o mais famoso cineasta da História do Cinema, tanto para a crítica especializada como para o grande público, nunca recebeu o Oscar para Melhor Realizador e no entanto quem gosta de cinema ao falar dos filmes da sua vida termina sempre por citar mais do que um filme do Mestre do “suspense”; já Orson Welles, o menino-prodígio descoberto por Hollywood, cineasta de um dos mais importantes filmes de sempre, senão o mais importante, “Citizen Kane” perdeu o Oscar no ano em que foi nomeado para melhor realizador, sendo posteriormente marginalizado pelo sistema, tornando-se no mais famoso “Maverick” da História do Cinema.

Martin Scorsese, o maior autor da geração conhecida como “movie-brats”, composta entre outros por Coppola, Spielberg, Lucas, Bogdanovich, nunca tinha recebido um Oscar para a melhor realização, tendo sido nomeado por seis vezes e por seis vezes foi esquecido pelos membros da Academia. Em 1980 foi nomeado por “O Touro Enraivecido” / “Raging Bull”, na época a indústria ainda não se tinha esquecido da guerra travada com os meninos prodígios e daí o seu esquecimento premeditado, com grande escândalo, apesar de ter lavado as mãos como Pilatos ao atribuir o Oscar para o Melhor Actor a Robert de Niro, porque era mesmo impossível fechar os olhos à interpretação do actor, companheiro de “route” de Martin Scorsese.

Oito anos depois, em 1988, seria a vez de “A Última Tentação de Cristo” perder o Oscar devido à campanha feita contra o filme, por sinal uma das películas mais religiosas de todos os tempos, fazendo esquecer Cecil B. de Mille. Mas Martin Scorsese continuou a filmar como sempre fez e por mais reduzido que fosse o orçamento, ele transformava-o em obra-prima. Quando “Tudo Bons Rapazes” / “Goodfellas” surgiu, fazendo a síntese do seu universo filmíco, todos pensaram ter finalmente chegado a sua hora mas afinal estávamos todos enganados. Foi preciso esperar uma boa dúzia de anos, até 2002, depois de a indústria ter enterrado o machado de guerra e feito as pazes com os “movie-brats”, para vermos Martin Scorsese indigitado por “Gangs de Nova Iorque” / “Gangs of New York”, tendo Leonardo Di Caprio ocupado o lugar deixado por Robert de Niro, como uma espécie de “alter-ego” do cineasta. Falou-se então na violência do filme como desculpa para a não atribuição do Oscar. Scorsese não desistiu da sua luta e, dois anos mais tarde (2004), realizou uma obra fabulosa sobre a vida do magnata Howard Hughes, “O Aviador” / “The Aviator”, dentro dos parâmetros tão queridos dos membros da Academia e mais uma vez foi esquecido. Decididamente Martin Scorsese tornara-se o último dos “Mavericks”.

Qualquer pessoa que fale com Martin Scorsese acerca da História do Cinema ou o veja a falar sobre a Sétima Arte fica profundamente deslumbrada pelo amor com que ele fala do cinema e não é só a velocidade com que fala que nos seduz, mas também a sua famosa luta para preservar a memória do cinema, com o célebre duelo com a kodak, devido à famosa película se degradar a uma velocidade vertiginosa, como a sua batalha para a restauração de filmes e divulgação da História da Sétima Arte.

Basta recordar essa obra intitulada “Uma Viagem pelo Cinema Americano”, realizada aquando dos 100 anos do Cinema, para ficarmos profundamente fascinados por esta personagem. Recorde-se que “Taxi Driver” não foi candidato ao Oscar de Melhor Realizador. E assim chegamos à sétima nomeação de Martin Scorsese para o Oscar de Melhor Realizador e desta feita o cineasta decidiu seguir em frente e fez um filme no interior do seu universo, “Entre Inimigos” / “The Departed”. De tal forma estava desiludido com a Academia de Hollywood que nem participou na campanha levada a cabo pelo Estúdio.

Quando vimos no palco do Kodak Theatre esse trio de “movie-brats” composto por Coppola, Lucas e Spielberg, com o envelope na mão, todos os olhares se voltaram para Martin Scorsese, porque era impossível haver um trio sem Quarteto e finalmente o seu nome foi pronunciado. A alegria de Martin Scorsese foi tão grande que, quando Jack Nicholson anunciou que “Entre Inimigos” ganhara o Oscar de Melhor Filme, Scorsese nos bastidores nem se apercebia do sucedido, tendo sido Steven Spielberg a dar-lhe a notícia e o abraço dado por Jack Nicholson ao cineasta diz muito mais que todas as palavras que ainda possamos escrever.

Finalmente fez-se justiça e recorde-se que este Oscar há muito merecido não foi pela carreira, como alguns pretenderam interpretar o gesto da Academia, ele foi pelo filme “Entre Inimigos” / “The Departed” uma película acima de qualquer suspeita, uma obra-prima do cinema em todas as suas vertentes. Longa Vida a Martin Scorsese!

Nota: “Entre Inimigos” / “The Departed” recebeu os Óscares para Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Montagem e Melhor Argumento Adaptado.

sábado, 27 de outubro de 2018

Mudança da Hora!


Não se esqueça de atrasar o relógio uma hora, 
na próxima madrugada,
mas se os ponteiros insistirem em 
não seguir a directiva criada em 1975, 
aquando da grande crise petrolífera,
não siga o exemplo de Harold Lloyd!

Crónica de Cinema: Recordando Manoel de Oliveira - O Homem e o Cineasta!


A minha avó sempre me disse que os grandes homens muitas vezes se conhecem pelos pequenos gestos “sem importância” e foi na verdade isso mesmo que um dia conheci, ao cruzar-me com Manoel de Oliveira na Cinemateca Portuguesa.

Foi num dia frio, mais concretamente a 25 de Fevereiro de 1983, uma sexta-feira. Nessa época morava muito perto desse Templo do Cinema, chamado Cinemateca e todos os dias ali marcava presença descobrindo o mundo maravilhoso do cinema. Estávamos em pleno ciclo do Cinema Dinamarquês, o qual incluía uma retrospectiva da obra desse grande cineasta chamado Carl Dreyer. E como habitualmente ali estava eu por volta das 20 horas para quando abrisse a bilheteira, às 20h30, conseguir comprar o tão desejado bilhete. Comigo estava um amigo e os habituais companheiros de aventura desses tempos. Mas nesse dia na fila para comprar bilhete também se encontrava Manoel de Oliveira, que já tinhamos encontrado por algumas vezes, como espectador..

Quando a porta se abriu entrámos todos para junto da bilheteira, no intuito de nos refugiarmos do frio que se fazia sentir nessa noite e, quando a bilheteira abriu, foi de imediato colocada a placa de lotação esgotada. Ninguém percebia o que se estava a passar. Nenhum bilhete foi vendido e a lotação estava esgotada? Recordo que na época os bilhetes eram só vendidos uma hora antes da sessão se iniciar e por este motivo decidimos todos não arredar pé dali, até perceber o que se passava. Entretanto começaram a chegar pessoas à bilheteira que diziam “uma palavra mágica” e recebiam em troca um bilhete.

Perante a situação os protestos começaram a surgir, o cineasta Luís Filipe Rocha era uma das pessoas que ali se encontrava, bem como o Manuel Cintra Ferreira, na época já conhecido como crítico de cinema, mas que ainda não trabalhava na Cinemateca. O meu amigo, com o seu humor habitual, confessava a um colega de trabalho, também espectador habitual, que estávamos perante a angústia do cinéfilo perante o cinema, “citando” o título de um conhecido filme de Wim Wenders, “A Angústia do Guarda-Redes Perante o Penalty”. Já Manoel de Oliveira permanecia tranquilo no meio de nós, a aguardar serenamente o desenrolar dos acontecimentos.

A sessão que desejávamos tanto ver era composta pela curta-metragem “Eles Apanharam a Barcaça” / “De Naaede Foergen”, uma curta-metragem muito pouco vista de Carl Dreyer (sobre a qual ja falei aqui) e a sua obra-prima “A Paixão de Joana D’Arc” / “La Passion de Jeanne D’Arc”, um dos filmes que Manoel de Oliveira mais admirava. E para aqueles que desconhecem convém dizer que naquela época a sala da Cinemateca era muito mais pequena do que a actual sala Félix Ribeiro.


Ao longo de uma hora assistimos ao levantamento dos bilhetes desses eleitos que foram enchendo a sala. Até que, já com a sessão a começar, surgiu o Dr. João Bénard da Costa que, dirigindo-se a Manoel de Oliveira, o convidou a entrar. Mas o cineasta, depois de agradecer o convite, disse: “só entro se estas pessoas que aqui estão também entrarem”. O barulho que se fazia deu lugar a um profundo silêncio e João Bénard da Costa, percebendo de imediato que Manoel de Oliveira era um homem de palavra, respondeu que havia pessoas que só tinham ido ver apenas a curta-metragem e como havia um pequeno intervalo entre as duas películas, quando elas saíssem poderíamos entrar. Assim esperámos todos pelo final da curta-metragem, na companhia de Manoel de Oliveira.

Um quarto de hora depois saíram alguns espectadores (muito poucos), entre os quais reconhecemos o João César Monteiro e o António Pedro de Vasconcelos e pouco depois, essas duas dezenas de espectadores, em que eu me encontrava, entraram para a sala para verem o tão desejado filme de Carl Dreyer. Manoel de Oliveira, tal como outros espectadores resistentes, viu os 98 minutos da película em pé, no fundo da sala, encostado à parede, enquanto eu e o meu amigo nos sentámos no chão. Quando a sessão terminou percebemos que tínhamos acabado de ver um dos mais deslumbrantes filmes da História do Cinema.

Como a vida é feita de pequenas memórias que nos enchem a alma de ternura, aqui deixo, o meu sincero e comovido Obrigado a esse homem chamado Manoel de Oliveira, cuja magnifica obra cinematográfica fala por si. E termino como comecei, recordando a frase da minha avó: são os pequenos gestos que, muitas vezes, definem um grande homem.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Crónica de Cinema: John Ford – My Name is Ford and I Make Westerns! - 4



Para terminar gostaríamos de salientar uma trilogia de obras-primas do universo Fordiano: “As Vinhas da Ira”, “O Vale Era Verde” e Mogambo”. “As Vinhas da Ira” / “ The Graphes of Wrath”, baseado no famoso romance de John Steinbeck, retrata-nos a recessão e a deambulação de uma família em busca de trabalho e a revolta de Tom Joad (Henry Fonda, numa interpretação memorável) perante as condições de sobrevivência e a injustiça que se abate sobre eles. Inesquecível o grito de revolta da personagem e interpretada pelo genial Henry Fonda no final da película, porque enquanto existir um oprimido, o seu grito de revolta estará lá, para nunca mais ser esquecido. 

Por outro lado o belo e inesquecível “Mogambo” é um “remake” de “Red Dust” / “Terra Abrasadora”, no qual Clark Gable regressa à personagem interpretada no primeiro filme realizado por Victor Fleming, desta feita ao lado do “mais belo animal do mundo” de seu nome Ava Gardner, que na película de John Ford interpreta a personagem anteriormente assumida pela também bela Jean Harlow. Estamos em África, essa terra inóspita para as mulheres, mas será esse território africano do universo dos safaris, tão atraente para as paixões avassaladoras em busca desse amor ardente propiciado pelo clima? Em “Mogambo” temos um duelo memorável interpretado por Ava Gardner e Grace Kelly. Aliás o duelo foi tão vibrante e intenso, que ambas ganharam o “Oscar” de Hollywood. Ava Gardner para Melhor Actriz Principal e Grace Kelly para o de Melhor Actriz Secundária, embora na película ambas dividam o coração de Marswell (Clark Gable) e tenham a mesma intensidade interpretativa. 

No que diz respeito a “O Vale Era Verde” / “How Green Was My Valley” trata-se “apenas” do filme que “roubou” os “Oscars” a “Citizen Kane” de Orson Welles. Todos sabemos como Orson Welles foi vítima da campanha do Magnata da imprensa norte-americana da época, o célebre Hearst, que se viu retratado no filme de Welles, mas a obra de John Ford e a sua história de uma família numa pequena cidade mineira é de uma ternura e sensibilidade comoventes. Na verdade estamos perante duas obras-primas da Sétima Arte e a Academia de Hollywood optou por uma, mas aqui não há vencedores nem vencidos. A história daquela aldeia contada por Huw Morgan (Roddy McDowell) e a vida e luta da sua família é um dos mais belos retratos oferecidos pelo Cinema. 

Neste século XXI em que por vezes a memória parece perdida, nunca é demais recordar John Ford e o seu Cinema, com ele sentado na sua cadeira de realizador em Monument Valley tirando o seu lenço do bolso, para soprar nele, enquanto o tabaco continua a ser fumado e mascado, na pausa das filmagens. Ao mesmo tempo que confessa ao seu amigo Peter Bogdanovich: my name is Ford, and I make westerns. 

The End

Crónica de Cinema: John Ford – My Name is Ford and I Make Westerns! - 3



Continuando no “western” não podemos deixar de referir duas obras-primas do Cinema: “A Desaparecida” / “The Searchers” e “O Homem Que Matou Liberty Valance” / “The Man Who Shot Liberty Valance”. 

“A Desaparecida” / “The Searchers” é, acima de tudo, um filme sobre a vida no Oeste, muito distante do “Shane” de George Stevens, já que a narração de John Ford se prende não com a vitória de um Homem, mas sim com a derrota de um Homem, porque a personagem interpretada por John Wayne é a de um Homem sem “casa”, após a derrota dos confederados, encontrando na procura de uma criança branca (Natalie Wood), raptada pelos índios, a sua razão de viver. 

Ethan Edwards (John Wayne) parte na sua busca infinita, mas quando encontra a antiga criança já adulta, casada com um guerreiro índio, quase decide partir sem ela, porque ela representa o fim da sua última missão, vendo na jovem apenas mais uma pele-vermelha e não a rapariga do seu sangue. O último plano do filme com a partida de Ethan rumo ao desconhecido, visto do interior da casa, até que a sua figura se confunde com o horizonte, representa bem a solidão que tantas vezes atingiu os personagens, que habitam de forma sublime os filmes de John Ford. 

“O Homem Que Matou Liberty Valance” / “The Man Who Shot Liberty Valence” revela-se o “western” nostálgico por natureza, já que nele o herói (James Stewart), um advogado de Leste que serve no “saloon”, se vê constantemente confrontado com esse “western selvagem” protagonizado por Liberty Vallance (interpretado por um Lee Marvin inesquecível) e apenas um homem pode fazer frente à selvajaria de Liberty Vallance, o rancheiro Tom Doniphon (John Wayne), esse mesmo rancheiro que se encontra apaixonado por Hallie (Vera Miles) (3), mas a presença e os modos delicados de Ramson (James Stewart) começam a apoderar-se do coração de Hallie. 

“O Homem Que Matou Liberty Valance” fala-nos acima de tudo da chegada da “civilização” ao velho Oeste, mas será essa mesma “civilização”, que irá (re)escrever a história, publicando a lenda e ignorando a verdade dos factos. Nunca John Wayne esteve tão bem, como na sequência em destrói a casa construída por si para albergar o amor da sua vida, cheio de amargura e raiva, após ter perdido a mulher amada, ele que afinal até tinha morto Liberty Valance na escuridão da noite, para salvar o indefeso Ransom Stoddard. 



(continua)

Crónica de Cinema: John Ford - My Name Is Ford and I Make Westerns - 2



Mas se o “western” foi o território por excelência para John Ford, a sua Irlanda Natal que esteve sempre no seu coração, também servirá de paisagem a algumas das suas películas mais célebres e basta recordar filmes como essa obra-prima que vi pela primeira vez aos dez anos de idade, intitulada “O Homem Tranquilo” / “The Quiet Man” (1952) possivelmente o mais irlandês dos filmes da sua filmografia. Aliás as suas simpatias pelos independentistas irlandeses nunca foram escondidas, tanto no dia a dia, como no fenomenal “O Denunciante” / “The Informer” (1935) ou “A Primeira Batalha” / “The Plough and The Stars”, onde o expressionismo respira por todos os poros e o amor pela independência da sua terra natal se encontra sempre bem patente. 

John Ford foi o irlandês que um dia se apaixonou por esse território ainda virgem conhecido como o Oeste, tornando-o numa verdadeira personagem das suas películas e se formos até lá, encontramos um “mundo” inalterado: os índios continuam a viverem no território dos seus antepassados, esquecidos por todos, como se permanecessem numa reserva e sabemos que esses mesmos índios encontravam o seu ganha-pão nos “westerns” de John Ford o consideravam como um pai, porque foram muitas as vezes em que a fome rondou a sua terra e quando as notícias das deploráveis condições de vida chegavam ao cineasta em Hollywood, ele dizia: “meus senhores, vamos até Monument Valley rodar mais um “western”. Mas nada melhor do que dar a palavra ao próprio cineasta: “Sou de origem irlandesa, mas de cultura “western”. Interesso-me pelo folclore do Oeste, porque me interessa mostrar o real, num quase documentário. Eu próprio já fui “cow-boy”. Gosto do ar livre, dos grandes espaços. O sexo, a obscenidade, os degenerados são coisas que não me interessam.” 

A sua obra tem sido editada em DVD lentamente, sem grande alarido. Existe uma caixa contendo o famoso ciclo da Cavalaria, que inclui: “Forte Apache”, “Rio Grande” e “Os Dominadores” / ”She Whore a Yellow Ribbon” (2). “Os Dominadores”, certamente o meu favorito, relata-nos os últimos dias de um capitão de cavalaria (John Wayne) e a sua vida no forte que terá que deixar, embora os índios continuem a fazer os seus estragos, talvez menores que os da jovem mulher faz no coração de dois dos seus oficiais, que aspiram a conquistar o coração daquela que usa a célebre fita amarela da cavalaria a prender o seu cabelo. A acção da película situa-se após a célebre batalha de Little Big Horn, onde o controverso General Custer perdeu a vida, acompanhado pelos seus homens do 7º Cavalaria, revelando-se este “She Whore a Yellow Ribbon” uma das mais belas películas realizadas por esse bom gigante do cinema chamado John Ford! 

(continua)

Crónica de Cinema: John Ford – My Name is Ford and I Make Westerns! - 1


A frase de John Ford “My name is Ford and I make westerns”, por ele proferida, ficou célebre e o “velho” senhor sabia muito bem o que com ela pretendia dizer. Melhor do que ninguém este cineasta que em tempos idos, ou seja, durante a “guerra” que opôs duas revistas de referência na crítica cinematográfica francesa, a “Positif” e os “Cahiers du Cinema” nos anos cinquenta, com o célebre grito dos “Cahiers”: “Viva Wyler, Abaixo Ford”, acabaria por ficar na história da crítica de cinema, como um dos grandes erros de análise à obra de um grande cineasta. Alguns anos depois os célebres “Cahiers du Cinema” retrataram-se, reconhecendo a sua genialidade. 


Sean Aloysius O’Fearna nasceu a 1 de Fevereiro de 1895 na Irlanda, a sua terra sempre amada. A sua infância foi dura e a fome era um elemento preponderante da vida dos irlandeses, devendo-se a isso a sua partida para os EUA, esse Novo Mundo, que Dvorak tão bem retratou na sua Sinfonia mais célebre, que acabaria por vir a ser a sua Pátria. Chegado lá, John Ford partiu para essa “granja” que então nascia num território chamado Hollywood, onde executou as mais diversas funções no mundo do Cinema, esse mundo então nascente, a par de uma Indústria, denominada Cinema. 

Na época, o Cinema era mudo e o ano de “O Cantor de Jazz” / “The Jazz Snger” estava ainda muito distante. Começou a realizar “westerns” para Harry Carey nas mais duras condições e será talvez o cineasta com mais filmes perdidos da época do Mudo. Nesses anos assinava os “movies” como Jack Ford, até que em 1923 ao realizar “Cameo Kirby”, coloca a assinatura que ficaria para a História do Cinema: John Ford. O seu filme mais célebre desse período, cuja visibilidade é maior neste século xxi é “The Four Sons” / “Os Quatro Filhos”, em que uma mãe vê os seus filhos partir para a Guerra, onde três deles irão morrer, nessa enorme carnificina, que foi a Primeira Guerra Mundial. 

Ao longo dos anos o “western” será o seu território privilegiado, daí a célebre frase “my name is Ford, I make westerns”, citada por aquele que melhor o conheceu e estudou, de seu nome Peter Bogdanovich. Seria aliás o facto de Bogdanovich e Ford se tratarem por tu, tal como vai suceder na relação de Bogdanovich com Orson Welles, que irá criar imensas invejas ao futuro cineasta ao longo da sua carreira. Mas fechemos este parêntesis, para recordar que se o “western” era o género de eleição de John Ford, “Monument Valley” irá revelar-se como o território mítico, onde rodou inúmeros filmes e onde se poderá encontrar o célebre “Ford Point” para o cinéfilo em férias, onde a planície e as rochas e mesetas se cruzam e interligam numa paisagem, onde estamos sempre à espera do aparecimento da cavalaria, sobre o comando de John Wayne. 

(continua)

Crónica de Cinema :Os Melhores Filmes de Sempre!



A revista de cinema britânica “Sight & Sound”, iniciou em 1962 uma lista elaborada por pessoas ligadas à Sétima Arte em que se estabelecia o Top dos mais importantes filmes da História do Cinema. Esta lista, que se tornou famosa devido aos nomes que votavam e que é revista de dez em dez anos através de nova votação, manteve desde sempre no primeiro lugar essa obra incontornável intitulada “Citizen Kane” / “O Mundo a Seus Pés” da responsabilidade desse génio do Cinema chamado Orson Welles.

Mas na última lista elaborada pela revista “Sight & Sound” (2012) dos filmes mais importantes da História do Cinema, que contou com a participação de 846 individualidades ligadas ao Cinema, nas quais se contam Críticos, Programadores, Académicos e Distribuidores, a película que recolheu mais votos foi “Vertigo” / “A Mulher Que Viveu Duas Vezes”, do Mestre Alfred Hitchcock, surgindo “Citizen Kane” como a segunda película mais votada pelos participantes.

Com sempre sucede nestas listas em que a Sétima Arte está envolvida, as interpretações são sempre as mais diversas e com a chegada de uma nova geração de críticos, será sempre bem curioso o leitor fazer o exercício de comparar esta classificação, com as que "navegam" pela net, (por vezes bem opostas, onde os extremos cinéfilos do populismo e do fundamentalismo, terminam muitas vezes por se esquecer do cinema clássico) e assim tirar as suas conclusões. Se já viu todas (ou quase todas) as películas referidas na mais famosa de todas as listas do mundo do cinema, poderei dizer que é uma pessoa profundamente feliz!

Se não for caso disso, recomendamos que descubra estes magníficos filmes, sejam eles mudos ou sonoros, a cores ou a preto e branco, longas-metragens ou curtas-metragens, porque a magia do cinema passa por todos eles!



Os 50 Melhores Filmes de Sempre

1 – ”Vertigo” / “A Mulher Que Viveu Duas Vezes” - (1958) de Alfred Hitchcock – 191 votos

2 – “Citizen Kane” / “O Mundo a Seus Pés” – (1941) de Orson Welles – 157 votos

3 – “Tokyo Monogatari” / “Viagem a Tóquio” – (1953) de Yasujiro Ozu – 107 votos

4 – “La Règle du Jeu” / “A Regra do Jogo” – (1939) de Jean Renoir – 100 votos

5 - “Sunrise” / “Aurora” – (1927) – (1927) de F. W. Murnau – 93 votos

6 – “2001: A Space Odyssey” / “2001 – Odisseia no Espaço” (1968) de Stanley Kubrick – 90 votos

7 – “The Searchers” / “A Desaparecida” – (1956) de John Ford – 78 votos

8 – “Chelovek s Kino-apparatom” / “O Homem da Câmara de Filmar” – (1929) de Dziga Vertov – 68 votos

9 - “La Passion de Jeanne D’Arc” / “A Paixão de Joana D' Arc” – (1927) de Carl Dreyer – 65 votos

10 – “8 ½” / “Fellini 8 ½” – (1963) de Federico Fellini – 64 votos

11 – “Bronenosets Potemkin” / “O Couraçado Potemkine” – (1925) de Sergei Eisenstein – 63 votos

12 – “L’Atalante” / “O Atalante” – (1934) de Jean Vigo – 58 votos

13 – “À Bout de Souffle” / “O Acossado” – (1960) de Jean-Luc Godard – 57 votos

14 – "Apocalypse Now” / “Apocalipse Now” – (1979) de Francis Ford Coppola – 53 votos

15 – “Banshun” / “Primavera Tardia” – (1949) de Yasujiro Ozu – 50 votos

16 – “Au Hasard Balthazar” / “Peregrinação Exemplar” – (1966) de Robert Bresson – 49 votos

17 – “Shichinin no Samurai” / “Os Sete Samurais” – (1954) – Akira Kurosawa – 48 votos

17 – “Persona” / “A Máscara” – (1966) de Ingmar Bergman – 48 votos

19 – “Zerkalo” / “O Espelho” – (1974) de Andrei Tarvosky – 47 votos

20 – “Singing in the Rain” / “Serenata à Chuva” – (1951) de Stanley Donen e Gene Kelly – 46 votos

21 – “L’Avventura” / “A Aventura” – (1960) de Michelangelo Antonioni – 43 votos

21 – “La Mépris” / “O Desprezo”  - (1963) de Jean-Luc Godard – 43 votos

21 – “The Godfather” / “O Padrinho” – (1972) de Francis Ford Coppola – 43 votos

24 – “Ordet” / “A Palavra” – (1955) de Carl Dreyer – 42 votos

24 – “In the Mood for Love” / “Disponível Para Amar” – (2000) de Wong Kar-Wai – 42 votos

26 – “Rashomon” / “As Portas do Inferno” – (1950) de Akira Kurosawa – 41 votos

26 – “Andrey Rublyov” / “Andrei Rublev” – (1966) de Andrei Tarkovsky -41 votos

28 – “Mulholland Dr.” / “Mulholland Drive” – (2001) – David Lynch – 40 votos

29 – “Stalker”  / “Stalker” – (1979) de Andrei Tarkovsky – 39 votos

29 – “Shoah” / “Shoah”  – (1985) de Claude Lanzmann – 39 votos

31 – “The Godfather – Part II” / “O Padrinho – Parte II” – (1974) de Francis Ford Coppola – 38 votos

31 – “Taxi Driver” / “Taxi Driver”  – (1974) de Martin Scorsese – 38 votos

33 – “Ladri di Biciclete” / “Ladrões de Bicicletas” – (1948) de Vittorio De Sica – 37 votos

34 – “The General” / “Pamplinas Maquinista” – (1926) de Buster Keaton – 35 votos

35 – “Metropolis” / “Metropolis”  – (1927) de Fritz Lang – 34 votos

35 – “Psycho” / “Psico” – (1960) de Alfred Hitchcock – 34 votos

35 – “Jeanne Dielman, 23 quai du Commerce, 1080 Bruxelles” – (1975) de Chantal Akerman – 34 votos

35 – “Sátántangó” / “Sátántangó” – (1994) de Bela Tarr – 34 votos

39 – “Les Quatre Cent Coups” / “Os Quatrocentos Golpes” – (1959) de François Truffaut – 33 votos

40 – “La Dolce Vita” / “A Doce Vida” – (1960) de Federico Fellini – 33 votos

41 – Viaggio in Italia” / “Viagem em Itália” – (1954) de Roberto Rossellini – 32 votos

42 – “Pather Panchali” / “O Lamento da Vereda” – (1955) de Satyajit Ray – 31 votos

42 – “Some Like It Hot” / “Quanto Mais Quente Melhor” – (1959) de Billy Wilder – 31 votos

42 – “Gertrud” / “Gertrude” – (1964) de Carl Dreyer – 31 votos

42 – Pierrot Le Fou”  / “Pedro o Louco” – (1965) de Jean-Luc Godatd – 31 votos

42 – “Play Time” / “Play Time – Vida Moderna” – (1967) de Jacques Tati – 31 votos

42 – “Nema-ye Nazdik” / “Close-Up” – (1990) de Abbas Kiarostami – 31 votos

48 – “La Battaglia di Algeri” / “A Batalha de Argel” – (1966) de Gillo Pontecorvo – 30 votos

48 – “Histoire(s) du Cinéma” / “Histórias do Cinema” – (1998) de Jean-Luc Godard – 30 votos

50 – “City Lights” / “Luzes da Cidade” – (1931) de Charles Chaplin – 29 votos

50 – “Ugetsu Monogatari” / “Contos da Lua Vaga” – (1953) de Kenji Mizoguchi – 29 votos
50 – “La Jetée” – (1962) de Chris Marker – 29 votos