segunda-feira, 11 de junho de 2018

Stanley Donen – “Indiscreto” / “Indiscreet”



Stanley Donen – “Indiscreto” / “Indiscreet” 
(EUA/Grã-Bretanha – 1958) – (100 min./Cor) 
Cary Grant, Ingrid Bergman, Cecil Parker. 

Stanley Donen, desta feita em “Indiscreto” / “Indiscreet”, não nos oferece um musical, mas também não realiza uma comédia, será então um drama? 

Na verdade, trata-se de muito mais do que isso, porque ao juntar um dos pares mais célebres do cinema, Cary Grant e Ingrid Bergman, vai-nos contar a história de amor entre Anna Kalman, uma estrela do palco e Philip Adams, um cavalheiro casado. E o alvo de “Indiscreet” / “Indiscreto”, não é mais do que o célebre código Hays, criado pelos Estúdios, mais conhecido como censura que, ao chegar aos famosos anos 60 irá implodir, mas em finais de 50 (século xx) ainda vigorava e assim Stanley Donen, com o mesmo par de “Notorius” / “Difamação”, em que Alfred Hitchcock gozava com a censura e os famosos segundos impostos para um beijo e fazia com que os protagonistas, Cary Grant e Ingrid Bergman, respeitassem o prazo, mas repetissem e repetissem os beijos no mesmo planoJ, tornando-o bem longo, desta feita ainda vai mais longe, porque irá colocá-los “juntos na cama”! 

O truque é na verdade genial e a censura deve ter ficado bem rubra com o que via, ou seja a inteligência do cineasta, usando a técnica do duplo écran oferecia-nos uma deliciosa e escaldante conversa entre um homem casado e a sua amante, ao telefone, mas o realizador vai ainda mais longe e basta o espectador ver com atenção toda a sequência e seguir os gestos de Philip (Cary Grant) e o posicionamento do corpo de Anna (Ingrid Bergman), para descobrir uma sequência bem escaldante. 

Mas o melhor fica guardado para o fim e aqui a censura irá “cair da cadeira abaixo”, quando a bela Anna Kalman (Ingrid Bergman), ao pensar que foi traída (mas como foi isso possível!), decide vingar-se, seguindo esse célebre instinto feminino que, ao precipitar-se, deita tudo a perder, mas Stanley Donen é genial e Philip Adams (Cary Grant) um cavalheiro e ambos transformam este “Indiscreet” num filme inesquecível, que bem merece ser redescoberto. 

Rui Luís Lima

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