quinta-feira, 10 de maio de 2018

Luis Buñuel – “Um Cão Andaluz” / “Un Chien Andalou”


Luis Buñuel – “Um Cão Andaluz” / “Un Chien Andalou” 
(França – 1929) - (18 min. – P/B – Mudo) 
Pierre Batcheff, Simone Mareuil. Luis Buñuel, Salvador Dali. 

Luís Buñuel e Salvador Dali andavam maravilhados com o Movimento Surrealista no cinema, aliás Luis Buñuel encetara a sua actividade no meio como crítico, três anos antes, tendo até sido assistente de realização de Jean Epstein e um dia, ao chegar a casa de Dali, contou-lhe um sonho que tivera: uma nuvem a cortar a lua, como se fosse uma lâmina a cortar um olho e assim serão os primeiros planos de “Un Chien Andalou”, em que vemos primeiro Buñuel a fumar na varanda olhando o céu. 

Mas voltando um pouco atrás, Salvador Dali gostou da ideia e decidiram assim fazer um filme escrito por ambos, tendo por base os sonhos e só se estivessem de acordo ambos é que contariam o respectivo sonho, mal saberia Buñuel que muitos anos depois iria ser traído/denunciado por Dali (mas isso é outra história, que fica para mais tarde). Assim nasce o filme, por onde navega já o célebre imaginário de Dali, com as formigas e a mão cortada, como alguns planos que nos remetem para Man Ray e aquando da estreia da película, “Um Chien Andalou” teve a “bênção” de André Breton. 

O filme foi um sucesso e as posições extremaram-se, não havia meio-termo, mas o certo é que ele ficou na História do Cinema e até foi bem rentável para o cineasta espanhol. Em 1960 o filme foi sonorizado segundo as indicações de Luis Buñuel, que escolheu alguns tangos argentinos e excertos bem conhecidos da ópera “Tristão e Isolda” de Richard Wagner, sendo essa a cópia que visionei. “Un Chien Andalou” permanece como uma obra incontornável do Movimento Surrealista no interior da Sétima Arte. 

Rui Luís Lima

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