segunda-feira, 30 de abril de 2018

Israel Horowitz – “Uma Senhora Herança” / “My Old Lady”




Israel Horowitz – “Uma Senhora Herança” / “My Old Lady” 
(Grã.Bretanha / França / EUA – 2014) – (107 min./Cor) 
Kevin Kline, Kristin Scott Thomas, Maggie Smith. 

Israel Horowitz é um nome que pouco diz aos cinéfilos, mas para os amantes do Teatro ele é uma referência e esta sua peça que adaptou ao grande écran, produziu e dirigiu, oferece-nos um Kevin Kline em excelente forma, ao lado de duas senhoras que não deixam os seus créditos por mãos alheias e desde já aqui fica o aviso de que estamos perante uma película profundamente cinematográfica e não uma dessas convencionais transposições para o écran de uma peça de teatro, depois isto não é uma comédia e por fim veja o filme até terminarem os créditos! 

Mathias Gold recebe como herança uma bela casa em Paris deixada por um pai que ele odeia e cujos restantes bens foram entregues a Instituições e quando chega a essa casa, que pretende vender, irá descobrir que tal lhe é impossível, porque existe um contrato deveras curioso que o impede, encontrando a viver na casa uma senhora idosa, que lhe irá apresentar uma verdade dos factos que o irá consumir e assim, sem amigos, sem dinheiro e preso a um contrato, ele irá descobrir que existe outro habitante a viver naquela casa: a filha de Mathilde Girard. 

“Uma Senhora Herança” / “My Old Lady” é uma dessas obras que nos prende à cadeira e nos convida a entrar e conhecer o belo trabalho do actor perante um texto magnífico, que ainda por cima nos oferece como cenário a bela cidade de Paris! Não perca este filme! 

domingo, 29 de abril de 2018

Chantal Akerman – “Je, Tu, Il, Elle”



Chantal Akerman – “Je, Tu, Il, Elle” 

(França / Bélgica – 1974) – (86 min. – P/B) 
Chantal Akerman, Niels Arestrup, Claire Wauthlon. 

“Je, Tu, Il, Elle” é um dos filmes mais pessoais da cineasta belga Chantal Akerman, que nos fala da solidão e da perda do ser amado de forma comovente e despida de artifícios, na primeira pessoa, oferecendo corpo e rosto à personagem que interpreta. “Je, Tu, Il, Elle” não é um filme ensaio, mas antes uma magnífica introdução ao seu filme seguinte “Jeanne Dielman, 23 quai du commercee, 1080 Bruxelles”, que no ano seguinte a irá tornar famosa no universo cinematográfico, tinha então 25 anos. 

Foi no denominado Verão Quente de 1975, que vi pela primeira vez esta película de Chantal Akerman, que infelizmente já nos deixou, num ciclo de cinema intitulado “Semana dos Cahiers” promovido pela “M – Revista de Cinema”, no Palácio Foz. Quando terminou a sessão que foi às 18h00, deparei com um verdadeiro pandemónio na Praça dos Restauradores que se estendia para o Rossio e decidi permanecer uns minutos na entrada do edifício, a ler o texto que Jean Narboni, tinha escrito no catálogo sobre o filme, enquanto esperava que a temperatura diminuísse. Regressei a casa, com a certeza de que tinha descoberto uma cineasta! 

Alan Rudolph – “Talhados no Céu” / “Made in Heaven”


Alan Rudolph – “Talhados no Céu” / “Made in Heaven”
(EUA – 1987) – (103 min./Cor)
Timothy Hutton, Kelly McGillis, Maureen Stapleton.


Nos anos oitenta, Alan Rudolph era um dos cineastas independentes mais apreciados nas chamadas salas de cinema de arte e ensaio na América e nas célebres salas estúdio de toda a Europa e “Talhados no Céu” / “Made in Heaven” é um dos seus mais belos filmes, sobre esse milagre de depois de partirmos termos uma segunda oportunidade de regressar à terra e assim alterar o destino das nossas vidas. 

“Made in Heaven” / ”Talhado no Céu”, que na época esgotou uma das salas do cinema Quarteto, onde as películas de Alan Rudolph tinham sempre lugar cativo, oferece-nos uma história comovente e surreal, que teve em Timothy Hutton e Kelly McGillis os actores perfeitos num dos mais belos filmes deste cineasta que era admirado por muitos, tendo Kelly McGillis conquistado o Prémio de Melhor Actriz, no Festival de Veneza, pela sua extraordinária interpretação. Uma película, tal como a restante filmografia de Alan Rudolph que bem merece ser (re)descoberta!

Michael Seresin – “Derradeiro Combate” / “Homeboy”



Michael Seresin – “Derradeiro Combate” / “Homeboy” 
(EUA – 1988) – (116 min./Cor) 
Mickey Rourke, Christopher Walken, Debra Feuer. 

Michael Seresin é um conhecido director de fotografia, que teve como única experiência até então como realizador a feitura de “Homeboy” / Derradeiro Combate”, que teve em Mickey Rourke o principal artífice do projecto, tendo o próprio actor escrito o argumento da película, assinando-a com o pseudónimo de Eddie Cook. 

Desta feita a interpretação de Mickey Rourke quase atinge o absurdo, tal a intensidade que incute à sua personagem, sempre à beira do abismo, mas seria esse sonho da memória, o boxe, que sempre deixou marcas, que o levaria a “lutar” intensamente pela concretização de “Homeboy” / “O Derradeiro Combate”, onde a lei dos ringues passa para o exterior e as marcas são de tal maneira profundas que o irão acompanhar durante décadas, para posteriormente serem “limpas” pela cirurgia plástica, retirando-lhe do rosto parte da sua expressividade. A película onde tanto tinha investido revela-se um enorme fracasso comercial, mas a luta por um lugar ao sol ainda não tinha terminado. 

Rod Lurie – “O Último Castelo” / “The Last Castle”



Rod Lurie – “O Último Castelo” / “The Last Castle” 

(EUA – 2001) – (131 min./Cor) 

Robert Redford, James Gandolfini, Mark Ruffalo. 

O ex-crítico de cinema Rod Lurie, continua a nºão brincar em serviço, quando vai para detrás da câmara para realizar uma película, demonstrando que é um dos mais interessantes cineastas em actividade e em “The Last Castle” / “O Último Castelo”, que nos fala de um presídio militar, convoca para um duelo de interpretação dois actores inesquecíveis: Robert Redford e James Gandolfini, (infelizmente o último já nos deixou). 

Uma das grandes curiosidades deste filme, só possível de descobrir no dvd é a forma como a montagem do filme foi feita, porque nele é possível ver cerca de meia-hora de cores cirúrgicos na mesa de montagem, para a personagem do Coronel Winter (james Gandolfini) seja por demais odiosa, levando à revolta dos reclusos militares chefiados pelo inocente General Eugene Irwin (Robert Redford). 

“The Last Castle” revela-se um filme surpreendente, conduzido pela mão segura de Rod Lurie, com excelentes interpretações e um argumento de primeira água, se me é permitida a expressão, nesse sub-género cinematográfico, denominado como “filme de prisões”.

Philippe Condroyer – “Tintin – O Mistério das Laranjas Azuis” / “Tintin et les oranges bleues”



Philippe Condroyer – “Tintin – O Mistério das Laranjas Azuis” / “Tintin et les oranges bleues” 
(França / Espanha – 1964) – (97 min./Cor) 
Jean Bouise, Jean-Pierre Talbot, Felix Fernandez. 

Ontem, ao rever pela primeira vez este delicioso filme de Tintin, com “pessoas de carne e osso”, percebi que o realizador Philippe Condroyer conseguiu a magia de fazer de cada plano sequência uma verdadeira prancha de banda desenhada, muito fruto dos seus intérpretes, especialmente Jean Bouise (capitão Haddock), que possui um domínio do corpo fabuloso e se Tintin (Jean-Pierre Talbot, que anteriormente já tinha interpretado a célebre personagem criado por Hergé em “Tintin et le Mystere de la Toison D’or”, datado de 1961 e realizado por Jean-Jacques Vierne) está igual à banda desenhada, já os Dupond e Dupont surgem soberbos. Todas as restantes personagens funcionam em perfeição, excepto a figura de Bianca Castafiore, que termina por se revelar frágil, embora a sua famosa voz de rouxinol esteja no seu melhor. 

Tinha seis anos quando vi este filme no Cinema Avis, em Lisboa e nunca mais me esqueci dele, principalmente da sequência passada no navio do Emir. Mas façamos um pouco de luz sobre este “Tintin et les oranges bleues”. Um cientista amigos do célebre Professor Tournesol descobriu uma forma de lutar contra a fome no planeta e produziu umas laranjas azuis que podem ser criadas no deserto, mas o amigo de Tintin, que continua a atormentar o capitão Haddock com o seu pequeno problema de audição, termina por ser raptado por um Emir que pretende ficar dono do segredo e assim iremos acompanhar a aventura de Tintin, em terras de Espanha. 

Estamos perante uma película pouco conhecida, com mais de meio-século, que bem merece ser descoberta| 

sábado, 28 de abril de 2018

Marco Ferreri – “Adeus Macho” / “Ciao machio”



Marco Ferreri – “Adeus Macho” / “Ciao machio” 

(Itália / França – 1978) – (113 min./Cor) 
Gérard Depardieu, Marcello Mastroianni, James Cococ. Geraldine Fitzgerald.

No ano de 1977 o nome do cineasta italiano Marco Ferreri encontrava-se devidamente alicerçado no panorama cinematográfico e por isso mesmo decide rodar na América este “Adeus Macho” / “Ciao machio”, que nos conta a história de Gerard Lafayette (Gerard Depardieu), que depois de ver uma enorme réplica de King Kong, abandonada na praia, descobre junto dela um pequeno chimpanzé, decidindo levá-lo consigo, olhando-o como um seu semelhante e criando-o como se de um filho se tratasse. A película porém não conseguiu obter a adesão do público, que a anterior colaboração entre Ferreri e Depardieu tinham obtido através do filme “A Última Mulher”. 

Abbas Kiarostami - (1940 - 2016) - Filmografia


Abbas Kiarostami - (1940 - 2016)
Filmografia (visitada)

2003 - Five Dedicated to Ozu
2002 - Dez
2001 - Sleepers
1999 - O Vento Levar-nos-à
1997 - O Sabor da Cereja
1994 - Através das Oliveiras
1992 - E a Vida Continua
1987 - Onde Fica a Casa do Meu Amigo?

Abbas Kiarostami – “Five Dedicated To Ozu”


Abbas Kiarostami – “Five Dedicated To Ozu” 
(Irão / Japão / Espanha – 2003) – (74 min./Cor) 
Documentário. 

São cinco longas sequências que nos convidam a olhar o mar como paisagem para diversas histórias que se desenrolam perante o nosso olhar e cujo argumento será escrito pelo próprio espectador ao acompanhar o olhar da câmara do cineasta Abbas Kiarostami, que acima de tudo pretende homenagear o Mestre do Cinema Japonês Yasujiro Ozu e o seu belo e inesquecível Cinema. 

“Five Dedicated To Ozu” é um documentário inesquecível que vimos no Centro Pompidou em Paris, aquando da célebre exposição Victor Erice / Abbas Kiarostami, que ficou para sempre na nossa memória, tal como a terrível greve da SNCF, que nos bloqueou as férias desse ano, mas que não conseguiu impedir-nos de ver a exposição, apesar de estarmos fora de Paris! Obrigado Princesa pela tua insistência em irmos ver a exposiçãoJ!

Abbas Kiarostami – “Dez” / “Dah”


Abbas Kiarostami – “Dez” / “Dah” 
(Irão / França – 2002) – (90 min./Cor) 
Mania Akbari, Amin Maher, Kamran Adl. 

Ao longo de noventa minutos iremos acompanhar um dos filmes mais inteligentes oferecidos pelo cinema através do olhar da câmara de Abbas Kiarostami, que nos irá proporcionar dez encontros/diálogos entre a protagonista (Mania Akbari) e as pessoas que com ela se vão cruzando no seu percurso rodoviário, servindo precisamente o automóvel de câmara em movimento, que com enorme saber irá ludibriar a feroz censura do regime, ao mesmo que o espectador vai percebendo, que as pessoas que vivem nesse país distante chamado Irão não são assim tão diferentes de nós, são simplesmente pessoas que como qualquer ser humano desejam ter a liberdade de pensar pela sua própria cabeça e obter as condições necessárias a terem uma vida digna.



A protagonista deste genial filme, Maria Akbari, que está sempre a puxar o lenço para trás para mostrar o cabelo, vive actualmente em Londres e é realizadora. Aqui fica o convite para verem umas fotos dela no filme de Abbas Kiarostami, caso não conheçam a película, e em Londres e poderemos dizer que temos mais uma cineasta a descobrir!

Marco Ferreri – “Dilinger Morreu” / “Dillinger é Morto”



Marco Ferreri – “Dilinger Morreu” / “Dillinger é Morto” 

(Itália – 1969) – (90 min./Cor) 
Michel Piccoli, Anita Pallenberg, Gino Lavagetto, Annie Girardot.

“Dilinger Morreu” é porventura um dos mais interessantes filmes assinados por Marco Ferreri, cinco anos antes da grande provocação de “La grande bouffe”, e que nos convida a acompanhar a odisseia de Glauco (Michel Piccoli), que cansado da vida, decide morrer, mas o desejo de suicídio e a (in)capacidade de o concretizar, conduzem o protagonista a uma via sacra, da qual só irá sair quando decide “renascer” e passar a ser um homem sem passado.

Lawrence Kasdan – “Fiel Companheiro” / “Darling Companion”



Lawrence Kasdan – “Fiel Companheiro” / “Darling Companion” 

(EUA . 2012) - (103 min./Cor) 
Diane Keaton, Kevin Kline, Dianne Wiest, Richard Jenkins, Sam Shepard. 

“Darling Companion” foi o último filme realizado pelo cineasta argumentista Lawrence Kasdan, que volta a eleger esse célebre amigo do homem, que é o cão, como elemento preponderante da película, mesmo quando ele não está fisicamente presente.

Beth /Dianne Keaton) ao regressar do aeroporto com a sua filha Grace, encontra um cão na estrada em pleno e rigoroso inverno e decide adoptá-lo, ao contrário do desejo do seu marido, o Dr. Joseph (Kevin Kline), mas assim sucederá e inevitavelmente a sua filha irá casar com o veterinário, que tratou do cão quando ele foi encontrado, um ano depois e será durante essa bela festa que “Freeeway” (belo nome para m cão) irá desaparecer, levando a que se inicie uma busca que irá trazer à tona da água todos os conflitos que rodeiam aquela família, incluindo a chegada do simpático e estranho namorado de Penny (Dianne Wiest) irmã de Beth.

Lawrence Kasdan aborda com enorme saber o universo das relações humanas e oferece-nos uma realização de uma simplicidade gritante, mas eficaz, recordando-nos mais uma vez, como um bom argumento é essencial para o nascimento de um excelente filme. Não perca este “Fiel Companheiro”, ele bem merece ser encontrado! 

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Abbas Kiarostami – “Onde Fica a Casa do Meu Amigo?” / “Khane-Ye doust Kodjast”



Abbas Kiarostami – “Onde Fica a Casa do Meu Amigo?” / “Khane-Ye doust Kodjast”
(Irão – 1987) – (83 min./Cor)
Babel Ahmed Poor, Ahmed Ahmed Poor, Khodabakhsh Defael, Iran Outari, Ait Ansari.

Uma criança leva por engano o livro de um colega para casa e embora não saiba onde ele vive decide procurar a sua casa, para reparar o erro cometido, sendo o espectador convidado a acompanhar a sua pequena odisseia. Foi com esta bela película, de uma simplicidade absoluta, vencedora do Leopardo de Bronze em Veneza, que muitos cinéfilos do mundo ocidental descobriram o cineasta iraniano Abbas Kiarostami, que ao longo dos anos irá continuar a surpreender os amantes do cinema com a sua forma de olhar o universo da Sétima Arte, tornando-se um nome incontornável da Sétima Arte! 

Roger Vadim – “E Deus Criou a Mulher” / “Et Dieu… crèa la femme”




Roger Vadim – “E Deus Criou a Mulher” / “Et Dieu… crèa la femme” 
(França / Itália – 1956) – (95 mi./Cor) 
Brigitte Bardot, Curd Jurgens, Jean-Louis Trintignant.



A estreia de Roger Vadim na realização revelou-se uma verdadeira “entrada de leão” no meio cinematográfico, pela ousadia de muitas cenas, pelo argumento, que derrubava as mais diversas barreiras do então chamado “cinema do papá” e lançava no estrelato uma jovem chamada Brigitte Bardot, que tinha a ousadia de fazer implodir a “star” criando a Mulher! 

“E Deus Criou a Mulher” / “Et Dieu… crèa la femme…” permanece um filme charneira, na revolução que então se irá iniciar no cinema, mas também nos costumes, com o surgimento, ainda um pouco tímido” da “nouvelle vague” e na América com o início do fim do sistema dos Estúdios e o aparecimento de um conjunto de cineastas que oriundos do pequeno écran irão dar passos de gigante no interior da Sétima Arte. Na verdade o mundo começava a muda e os anos 60 vinham a caminho e com eles a célebre BB! 

Bill Condon – “O Quinto Poder” / “The Fifth Estate”



Bill Condon – “O Quinto Poder” / “The Fifth Estate” 
(EUA / India / Bélgica – 2013) – (128 min./Cor) 
Benedict Cumberbatch, Daniel Bruhl, Laura Linney, Stanley Tucci, David Thewlis, Peter Capaldi, Alicia Vikander. 

Este filme possui excelentes actores, a oferecerem-nos o melhor do seu talento, mas o argumento e a realização são para esquecer, digamos que é o equivalente a um Ferrari com uma bateria gasta e cujo depósito foi cheio com gasóleo, em vez de gasolina e depois… 

George Cukor – “My Fair Lady”



George Cukor – “My Fair Lady” 

(EUA – 1964) – (170 min./Cor) 

Audrey Hepburn, Rex Harrison, Stanley Holloway.

A estrela da peça “My Fair Lady” de George Bernard Shaw chamava-se Julie Andrews e Hollywood, quando entregou a George Cukor a realização da película, insistiu com o cineasta que a estrela do filme não poderia ser a desconhecida Julie Andrews e assim foi imposta Audrey Hepburn, que nos ofereceu o melhor do seu enorme talento, incluindo o cantar todas as canções do filme e será só na noite da estreia do filme, que Audrey Hepburn irá descobrir que a sua voz nas canções foi dobrada, ou seja a voz que escutamos a cantar em “My Fair Lady” não é a dela, mas sim de Marni Nixon, que ficará conhecida como “ghost singer”, após ter dobrado a voz de Natalie Wood em “West Side Story” e a de Deborah Kerr em “The King and I”. 

Muitas décadas depois da estreia de “My Fair Lady” e graças ao dvd, podemos escutar Audrey Hepburn a cantar um dos temas da película e percebemos como os Estúdios foram prepotentes, porque ela até canta muito bem embora Julie Andrews, que se irá tornar famosa com “Música no Coração”, seja na verdade bastante superior e ambas foram preteridas, enquanto Marni Nixon nunca conheceu o estrelato na Sétima Arte. 

“My Fair Lady” terminaria por ser o maior sucesso comercial desse genial cineasta chamado George Cukor, tendo conquistado 8 Oscars, incluindo Melhor Filme, Melhor Realização e Melhor Actor: Rex Harrison.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Liliana Cavani - (1933)


Liliana Cavani - (1933)


2002 - O Jogo de Mr. Ripley
1985 - O Caso de Berlin
1981 - A Pele
1974 - O Porteiro da Noite

Liliana Cavani – “O Porteiro da Noite” / “Il portiere di notte”




Liliana Cavani – “O Porteiro da Noite” / “Il portiere di notte” 
(Itália - 1974) – (118 min./Cor) 
Dirk Bogarde, Charlotte Rampling, Philippe Leroy. 

Liliana Cavani, ao longo da sua filmografia, nunca se apresentou como uma cineasta convencional, antes optando por temas polémicos por um lado, como sucedeu com este “O Porteiro da Noite” / “Il portieri di notte”, ou temas tabu como irá suceder com “O Caso de Berlin” / “The Berlin Affair”, já aqui abordado, para situar apenas duas películas centradas no mesmo período, a Segunda Grande Guerra. 

Desta feita, a cineasta italiana conta com dois nomes enormes da Sétima Arte, Dirk Bogarde e Charlotte Rampling, que irão vestir a pele do torcionário nazi e da sua vítima, num campo de concentração, que 13 anos após o final da guerra se irão cruzar uma noite em Viena, no hotel onde Max (Dirk Bogarde) trabalha e ela é hóspede com o seu marido.

 


Desta feita estamos bem longe desse outro olhar, sobre o mesmo tema, que nos foi oferecido pelo cineasta polaco Andrzej Munk no seu fabuloso filme “A Passageira” / “Pasazerka”, datado de 1963, que nos oferecia o encontro entre uma prisioneira de um campo de concentração com uma das suas carcereiras, anos depois, a bordo de um navio. Na verdade, Liliana Cavani opta por explorar até às últimas consequências a relação sado-masoquista que se estabelece no campo de concentração entre Max (Dirk Bogarde) e Lucia (Charlotte Rampling), que 13 anos depois irão percorrer os corredores da memória, à beira do abismo. 

Estávamos nos anos setenta e os cineastas italianos todos os anos nos ofereciam filmes que, após a estreia, eram de imediato alvo de enormes polémicas, como sucedeu com este quarteto cinematográfico: 
1972 – Bernardo Bertolucci e “O Último Tango em Paris” / "Ultimo tango a Parigi" 
1973 – Marco Ferreri – “A Grande Farra” / "La grande bouffe" 
1974 – Liliana Cavani – “O Porteiro da Noite” / "Il portiere di notte" 
1975 – Pier Paolo Pasolini – “Saló ou os 120 Dias de Sodoma” / "Saló o le 120 giornate di Sodoma" 

Eram os anos 60/70 e o cinema, por muita discussão que gerasse, oferecia a oportunidade do confronto de ideias, com debates por vezes verdadeiramente apaixonantes de ambos os lados das barricadas cinéfilas, que o digam os “Cahiers du Cinéma” e a “Positif”! 

Uma última referência para a interpretação memorável dessa actriz enorme chamada Charlotte Rampling, que teve no seu colega de profissão, Dirk Bogarde, o parceiro perfeito, nesta película de Liliana Cavani, que não deixou ninguém indiferente. 

Marco Ferreri – “A Última Mulher” / “La dernière femme”



Marco Ferreri – “A Última Mulher” / “La dernière femme” 

(França / Itália – 1976) – (112 min./Cor) 

Gérard Depardieu, Ornella Mutti, Michel Piccoli.

Nunca Ornella Mutti esteve tão bonita, como neste filme de Marco Ferreri e depois percebemos como o cineasta pretendeu alterar as regras do jogo e levar ao desespero o protagonista fo filme ou melhor essa personagem interpretada por Gerard Depardieu, que num acto inenarrável se auto mutila de forma trágica, provocando no espectador uma profunda sensação de desconforto (uma palavras tão em voga nos tempos correntes). O olhar de Marco Ferreri sobre as relações humanas é de uma crueldade absoluta.

Abbas Kiarostami – “O Vento Levar-nos-á” / “Bad ma ra khahad bord”


Abbas Kiarostami – “O Vento Levar-nos-á” / “Bad ma ra khahad bord”
(Irão / França – 1999) – (118 min./Cor)
Behzad Dorani, Noghre Asadi, Roushan Karam Elmi.

Abbas Kiarostami – “E a Vida Continua” / “Zendegi va digar hich”



Abbas Kiarostami – “E a Vida Continua” / “Zendegi va digar hich” 
(Irão – 1992) – (95 min./Cor) 
Farhad Kheradmand, Buba Bayour, Hocine Rifahi. 

Nesta viagem pela vida acompanhamos um cineasta que regressa com o seu filho ao local onde anteriormente tinha estado a filmar, no intuito de descobrir a situação dos participantes no seu filme, após os abalos sísmicos que atingiram a região. Estamos assim perante uma película, que nos oferece um olhar sobre o quotidiano de uma zona onde a morte e a destruição deixaram as suas marcas e onde iremos acompanhar um novo renascer onde a solidariedade não é apenas uma palavra. O cinema de Abbas Kiarostami terminava por revelar que tinha nascido um autor!

Tony Scott – “Top Gun – Ases Indomáveis” / “Top Gun”



Tony Scott – “Top Gun – Ases Indomáveis” / “Top Gun” 
(EUA – 1983) – (110 min./Cor) 
Tom Cruise, Kelly McGillis, Val Kilmer, Anthony Andews, Tom Skerritt. 

Foi precisamente com esta película que um quarteto de nomes em áreas bem diferentes saltaram para a ribalta: o cineasta Tony Scott, o produtor Jerry Bruckkheimer, o actor Tom Cruise e a actriz Kelly McGillis. E se os dois últimos nomes já faziam parte da constelação de estrelas que estavam a surgir, o do cineasta irá a partir de então firmar-se ao oferecer-nos um cinema onde a sua assinatura é bem visível, tal como sucede com o seu irmão Ridley Scott. 

A diversidade de papéis sempre fascinou Kelly McGillis e terá sido por isso que a “jovem viúva Amish” de “A Testemunha” / “Witness” foi em “Top Gun” / “Top Gun – Ases Indomáveis”, de Tony Scott, uma professora, alta e loura, de jeans coladas às pernas, colocando na ordem os alunos insubordinados. A matéria dada não é muito vulgar para uma mulher, já que os seus alunos são pilotos da marinha americana e as aulas são de estratégia militar, encontrando-se entre eles a estrela Tom Cruise que, na época, ocupou o lugar deixado vago muitos anos antes por Richard Gere no seu “Oficial e Cavalheiro”. O sucesso do filme de Tony Scott, como todos estamos recordados, foi estrondoso e Kelly McGillis, na época, subia mais um degrau na ascensão para o famoso “top ten” das estrelas de Hollywood, mas o destino não iria estar do seu lado. 

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Oliver Stone – “Quando o Céu e a Terra Mudaram de Lugar” / “Heaven & Earth”



Oliver Stone – “Quando o Céu e a Terra Mudaram de Lugar” / “Heaven & Earth” 

(EUA / França – 1993) – (140 min./Cor) 
Tommy Lee Jones, Huf Thi Le, Joan Chen, Haing S. Ngor. 

“Heaven & Earth” encerra de forma perfeita a trilogia de filmes que Oliver Stone dedicou à guerra do Vietname, iniciada em 1986 com “Platoon” e prosseguida em 1989 com “Nascido a 4 de Julho”, ao nos narrar a história de uma mulher vietnamita que sobreviveu a todas as intempéries da vida. A forma como Oliver Stone nos narra o calvário desta mulher revela bem o saber deste cineasta sempre incómodo para o poder. Um filme que bem merece ser redescoberto!

Mark Sandrich - (1901 - 1945) - Filmografia


Mark Sandrich - (1901 - 1945)
Filmografia - (visitada)


1938 - Quero Sonhar Contigo
1937 - Vamos Dançar
1936 - Siga a Marinha
1935 - Chapéu Alto
1934 - A Alegre Divorciada

Vittorio de Sica – “Ladrões de Bicicletas” / “Ladri di biciclette”


Vittorio de Sica – “Ladrões de Bicicletas” / “Ladri di biciclette”
(Itália – 1948) – (89 min. – P/B)
Lamberto Maggiorani, Enzo Staiola, Lianella Careli.



“Ladrões de Bicicletas” surge no panorama do cinema italiano de então como um importante manifesto cinematográfico, que virá a ser designado por neo-realismo italiano, sendo precisamente o argumentista Cesar Zavattini um dos seus responsáveis, já que Vittorio De Sica filma com enorme saber a busca dolorosa de um homem, acompanhado pelo seu pequeno filho, por essa bicicleta desaparecida, que para ele é muito mais do que um simples meio de transporte, porque ela é fundamental para o seu trabalho e a sua sobrevivência.

A forma como a angústia e o desespero se vão apoderando de Antonio (Lamberto Maggiorani) e do pequeno Bruno (Enzo Staiola) marcam para sempre a memória do cinéfilo.

“Ladri di biciclette” de Vittorio De Sica é um filme incontornável que bem merece não cair no esquecimento. 

Maria de Medeiros - (1965)


Maria de Medeiros
(1965)

Maria de Medeiros – “A Morte do Príncipe”



Maria de Medeiros – “A Morte do Príncipe” 

(Portugal – 1991) – (62 min./Cor) 

Luís Miguel Cintra, Maria de Medeiros, Francisco Campaniço. 


A partir de textos dramáticos de Fernando Pessoa, a actriz e realizadora Maria de Medeiros fez a adaptação cinematográfica, partindo da encenação que Luís Miguel Cintra apresentara dois anos antes no célebre Festival de Teatro de Avignon, França. 
“A Morte do Príncipe” surge assim como uma espécie de ante-câmara ou filme ensaio para esse salto na realização, que será a feitura de “Capitães de Abril

Maria de Medeiros – “Capitães de Abril”



Maria de Medeiros – “Capitães de Abril” 

(Portugal / Espanha / Itália / França – 2000) – (123 min./Cor) 

Stefano Accorsi, Maria de Medeiros, Joaquim de Almeida.

Nove anos depois de “A Morte do Príncipe”, Maria de Medeiros passa novamente para detrás da câmara e realiza o filme “Capitães de Abril”, que pretende oferecer os acontecimentos ocorridos em Portugal no dia 25 de Abril de 1974, que irão mudar para sempre o rosto de um país. Ao revermos a segunda longa-metragem de Maria de Medeiros, percebemos que ela esteve a um passo de realizar uma película que poderia ficar na história do cinema português, mas infelizmente a película vive muito dos protagonistas que vemos no écran, tendo a escolha de Stefano Accorsi para interpretar a figura do capitão Salgueiro Maia revelado um erro de casting e foi pena, será que não existia no panorama do cinema português um actor para vestir a farda do generoso e inesquecível capitão de Abril ou foi a produção que assim o exigiu? No entanto, este “Capitães de Abril” de Maria de Medeiros veio colmatar uma lacuna, cinematográficamente falando, que se fazia sentir nas memórias de todos aqueles que viveram este dia, em que a liberdade saiu à rua!

terça-feira, 24 de abril de 2018

Michael Cimino - (1939 - 2016) - Filmografia


Michael Cimino - (1939 - 2016)
Filmografia - (visitada)


1990 - A Noite do Desespero
1987 - O Siciliano
1985 - O Ano do Dragão
1980 - As Portas do Céu
1978 - O Caçador

Michael Cimino – “O Siciliano” / “The Sicilian”



Michael Cimino – “O Siciliano” / “The Sicilian” 
(EUA – 1987) – (115 min./Cor – 146 min./Director’s cut) 
Christopher Lambert, Terence Stamp, Barbara Sukova, Joss Ackland, John Turturro. 

Este siciliano, de quem Michael Cimino nos conta a história, chama-se Salvatore Giuliano (aqui interpretado por Christopher Lambert), cuja vida e luta já tinha sido levada ao grande écran pelo cineasta italiano Francesco Rosi em 1962, para além de várias adaptações televisivas. 

A vida e luta pela independência da Sicilia de Salvatore Luciano, considerado por muitos um fora-da-lei, enquanto outros o viam como libertador, alimenta muitas “lendas” modernas, já que a identidade dos seus assassinos nunca foi descoberta, tendo em conta que a sua luta foi não só com as autoridades, mas também com a Mafia, para além de outros inimigos que foi criando ao longo dos anos, como é possível ver naquela que é a película mais esquecida de Michael Cimino e onde Christopher Lambert nos oferece uma excelente interpretação. Recorde-se que o argumento deste filme se baseia num livro escrito por Mario Puzo, o conhecido autor de “O Padrinho”. 

“O Siciliano” / “The Sicilian” de Michael Cimino, que não conseguiu rentabilizar nas bilheteiras os custos da sua produção, merece ser redescoberto! 

Michael Cimino – “As Portas do Céu” / “Heaven’s Gate”



Michael Cimino – “As Portas do Céu” / “Heaven’s Gate” 
(EUA -1980) 
(149 min,/ Cor – a versão mutilada distribuída em 1980) 
(219 min,/ Cor – a versão original) 
(217 min./ Cor – a versão director’s cut lançada em 2012) 
(325 min. / Cor – a versão sem cortes) 
Kris Kristofferson, Christopher Walken, Isabelle Huppert, Jeff Bridges, Joseph Cotton, John Hurt, Sam Waterston. 

“Heaven’s Gate”, que levou à falência a “United Artists”, incluiu o cineasta Michael Cimino na lista dos “Mavericks” do Cinema e a razão prende-se com o facto de a célebre conquista do Oeste, tantas vezes levada à tela e romanceada de forma tão bela e que vivia no imaginário de milhões, ter sido subitamente destruída por este inesquecível filme, que afinal nos oferecia uma visão bem diferente, onde os heróis estão ausentes e todos são pecadores… 



E a cereja no topo do bolo para os detractores americanos de “As Portas do Céu” / “Heaven’s Gate” foi a personagem feminina ter sido entregue a uma “desconhecida” actriz francesa chamada Isabelle Huppert. Assim tombava do Paraíso caindo no Inferno o cineasta Michael Cimino, tal como sucedera muitos anos antes a D. W, Griffith, com o seu “Intolerance”. 

Felizmente nos dias de hoje é possível vermos “Heaven’s Gate” em toda a sua plenitude numa edição editada em dvd onde se encontra bem patente o universo cinematográfico de um cineasta chamado Michael Cimino, que infelizmente já nos deixou. 

Michael Cimino – “O Caçador” / “The Deer Hunter”




Michael Cimino – “O Caçador” / “The Deer Hunter” 
(EUA – 1978) – (183 min./Cor) 
Robert De Niro, Christopher Walken, Meryl Streep, John Savage, John Casale. 

Michael Cimino mergulha na América interior para nos oferecer uma história sobre a amizade e o amor, mas também como a guerra do Vietname irá mudar ou crucificar a vida de uma comunidade. 

A película de Michael Cimino é perfeita, só “pecando” na duração da sequência do casamento entre Nick (Christopher Walken) e Linda (Meryl Streep), terminando por ver este seu segundo filme coroado por cinco Oscars: Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actor Secundário (Christopher Walken), Melhor Montagem e Melhor Som.  Michael Cimino atingia assim o Olimpo dos Deuses Cinematográficos! 

Michael Cimino – “O Ano do Dragão” / “Year of The Dragon”



Michael Cimino – “O Ano do Dragão” / “Year of The Dragon” 

(EUA – 1985) – (134 min./Cor) 
Mickey Rourke, John Lone, Ariane. 

Após o desastre comercial de “As Portas do Céu” / “Heaven’s Gate”, o cineasta Michael Cimino encontrou no produtor Dino de Laurentis um homem que lhe reconheceu as qualidades patenteadas anteriormente pela sua oba cinematográfica e assim nasceu “O Ano do Dragão” / “The Year of The Dragon”, que mergulhava no crime em Chinatown e na cumplicidade havida entre a polícia e as tríades chinesas, para além da Mafia. Porém os mais novos, que aspiravam um lugar ao sol, decidiram furar este “acordo de cavalheiros” e a inevitável guerra instala-se entre os diversos gangs, sendo nomeado para controlar o caos que se avizinha o Capitão Stanley White (Mickey Rourke), que se encontrava a trabalhar em Brooklyn, partindo assim para uma zona bem diferente, com o desejo de a limpar do crime, mas ao ali chegar irá descobrir como as regras do jogo são mais fortes do que a vontade dos homens. 

Michael Cimino assina um excelente policial de forma bem vibrante, tendo também assinado o argumento, onde tanto Mickey Rourke como John Lone nos oferecem interpretações memoráveis, sendo John Lone nomeado para o Globo de Ouro pelo seu desempenho. “O Ano do Dragão” / “The Year of The Dragon”, tal como o cineasta Michael Cimino, infelizmente já falecido, bem merecem ser recordados! 

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Mark Sandrich – “Vamos Dançar” / “Shall We Dance”


Mark Sandrich – “Vamos Dançar” / “Shall We Dance”
(EUA – 1937) – (109 min. – P/B)
Fred Astaire, Ginger Rodgers, Edward Everett Horton.

Mark Sandrich – “Siga a Marinha” / “Follow The Fleet”


Mark Sandrich – “Siga a Marinha” / “Follow The Fleet”
(EUA – 1936) – (110 min. – P/B)
Fred Astaire, Ginger Rodgers, Randolph Scott.

Mark Sandrich – “Chapéu Alto” / “Top Hat”


Mark Sandrich – “Chapéu Alto” / “Top Hat”
(EUA – 1935) – (101 min. – P/B)
Fred Astaire, Ginger Rodgers, Edward Everett Horton.

Mark Sandrich – “A Alegre Divorciada” / “The Gay Divorcee”


Mark Sandrich – “A Alegre Divorciada” / “The Gay Divorcee”
(EUA – 1934) – (107 min. – P/B)
Fred Astaire, Ginger Rodgers, Alice Brady.

Mark Sandrich – “Quero Sonhar Contigo” / “Carefree”



Mark Sandrich – “Quero Sonhar Contigo” / “Carefree” 
(EUA – 1938) – (83 min. – P/B) 
Fred Astaire, Ginger Rogers, Ralph Bellamy. 

Hollywood sempre se sentiu atraído pela psicanálise e seria o denominado “film noir” a levar mais longe o seu olhar sobre ela, mas o veterano cineasta Mark Sandrich, mestre dos musicais e da comédia, decidiu também “analisar” a psicanálise e nada melhor do que colocar Fred Astaire a vestir a pele do Dr. Tony Flagg, um psicanalista que irá ter como missão convencer a namorada do seu amigo Stephen Arden (Ralph Bellamy) a aceitar a proposta de casamento que este lhe fez. Mas Amanda Cooper (Ginger Rodgers) termina por escutar um relatório médico de Tony Flagg e os atritos são imediatos. 

Sempre com uma perfeita realização, Mark Sandrich conduz esta saborosa e inesquecível comédia a uma “análise psicanalítica”, acompanhada da música de Irving Berlin verdadeiramente sedutora e depois temos um argumento com gags memoráveis, que fazem deste “Quero Sonhar Contigo” um filme memorável!

Edward Zwick – “Resistentes” / “Defiance”



Edward Zwick – “Resistentes” / “Defiance” 

(EUA – 2008) – (137 min./Cor – P/B) 
Daniel Craig. Liev Schreiber, Jamie Bell. 

Pors vezes há filmes que nos passam ao lado por razões que a própria razão desconhece e a história dos irmãos Bielsky, que nos é contada neste filme de Edward Zwick, com uma fotografia espantosa do português Eduardo Serra, merece estar ao lado dessa narrativa que Steven Spielberg nos contou em “A Lista de Schindler” / “Schindler’s List”! 

Estamos em plena Segunda Grande Guerra e as tropas alemãs prosseguem na Bielorussia a matança de judeus, confinando-os primeiramente em ghettos e depois enviando-os para a morte e assim iremos acompanhar a fuga e a resistência de três irmãos judeus que refugiados nos bosques, que tão bem conhecem, iniciam a resistência, acolhendo todos os que se lhes juntam em busca de refúgio e ali lutarão por mais de dois anos, sobrevivendo à fome e à morte que acompanha essa pequena multidão, com mais de um milhar de pessoas. 

A luta de Tuvia Bielski (Daniel Craig) e dos seus irmãos Zus (Liv Schreiber) e Asael (Jamie Bell) encontra-se documentada nesta película de forma extraordinária, as filmagens realizaram-se na Lituânia, em condições nada fáceis e a fotografia de Eduardo Serra, nunca é demais referir, é espantosa! “Resistentes” / “Defiance” possui ainda uma banda sonora envolvente, que bem merece ser escutada na tranquilidade do lar. 

Ao terminarmos o visionamento de “Resistentes” / “Defiance” de Edward Zwick só podemos exclamar: isto é Cinema! 

domingo, 22 de abril de 2018

Danny Cannon – “A Lei de Dredd” / “Judge Dredd”



Danny Cannon – “A Lei de Dredd” / “Judge Dredd” 

(EUA – 1995) – (96 min,/Cor) 

Sylvester Stallone, Diane Lane, Max Von Sydow, Armand Assante. 

Danny Cannon é um realizador e produtor que tem dedicado a maior parte do seu tempo ao pequeno écran, sendo um dos responsáveis pela famosa série de televisão “CSI : Crime Scene Investigation”, mas em 1995 decidiu levar ao grande écran a banda desenhada “Judge Dredd”, que teve a vestir a pele do herói Sylvester Stallone e um excelente vilão protagonizado por esse magnifico actor chamado Armand Assante, para além desse cavalheiro do cinema mundial chamado Max Von Sydow. Como filme de ficção-cientifica, esta película de Danny Cannon possui todos os ingredientes necessários para levar esse filme a bom porto. Por outro lado ficou mais uma vez provado que Sylvester Stallone, bem dirigido e bem rodeado, até se revela um bom actor.

sábado, 21 de abril de 2018

Marco Ferreri – “Liza a Submissa” / “Liza”


Marco Ferreri – “Liza a Submissa” / “Liza” 

(Itália / França – 1972) – (100 min./Cor) 
Marcello Mastroianni, Catherine Deneve, Corinne Marchand. 

Nas décadas de 60/70 do século xx o cinema italiano invadia as telas do nossos país e se por um lado tínhamos as comédias, por outro havia também o cinema de autor e Marco Ferreri era precisamente um desses cineastas que arrastava pequenas multidões para as denominadas salas de ensaio, se me é permitida a expressão. 

“Liza a Submissa” juntava, mais uma vez, um dos pares mais famosos desses anos cinéfilos: Marcello Mastroianni e Catherine Denuve, enquanto Marco Ferreri, começava a fazer parte do imaginário pelos seus filmes, onde a relação homem / mulher era por diversas vezes questionada e subvertida segundo o seu olhar. 

Esta película que nos dá a conhecer o pintor Giorgio (Marcello Mastroianni) que vive como um recluso numa ilha, acompanhado do seu fiel amigo, irá um dia cruzar-se com essa bela mulher chamada Liza (Catherine Deneuve), mas um dia tudo se irá alterar, entrando numa espiral de sentimentos incontroláveis. 
Marco Ferreri termina por assinar um dos seus filmes mais interessantes da sua filmografia, que bem merece ser redescoberto. 

Barry Levinson – “Adeus Amigos” / “Diner”



Barry Levinson – “Adeus Amigos” / “Diner” 
(EUA – 1982) – (110 min./Cor) 
Steve Guttenberg, Mickey Rourke, Kevin Bacon, Ellen Barkin. 

O primeiro filme de Barry Levinson, realizado em 1982, enquadra-se dentro do género de filme de gerações, sendo o local escolhido Baltimore e nele encontramos um conjunto de actores que na época despontavam no firmamento dos anos 80, desse século XX, sendo de destacar Mickey Rourke, que alguns até viram como um novo Marlon Brando, devido à sua voz arrastada e que aqui surge a interpretar um jovem jogador que vivia intensamente as apostas que fazia, enganando tudo e todos, excepto a namorada de um amigo, a tal aposta perdida! 
Retrato de época de uma geração, “Adeus Amigos” / “Diner” oferece-nos um excelente argumento, que terminaria por ser reconhecido pelos seus pares, ao ser indigitado para o Oscar de Melhor Argumento Original assinado pelo argumentista/realizador Barry Levinson, que assim se estreava no grande écran da melhor forma. 

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Liliana Cavani – “A Pele” / “La Pelle”




Liliana Cavani – “A Pele” / “La Pelle”
(Itália / França – 1981) – (131 min./Cor)
Marcello Mastroianni, Claudia Cardinale, Burt Lancaster.

Adaptação cinematográfica do célebre romance de Curzio Malaparte, com a libertação de Nápoles pelas forças aliadas em 1943, como pano de fundo, mas a alegria da libertação seria curta, porque tudo falta e a luta pela sobrevivência acarreta sacrifícios impensáveis, especialmente para as mulheres, olhadas como objecto de prazer pelos libertadores. 
Um tema que inevitavelmente foi bem acolhido pela cineasta italiana Liliana Cavani, que aqui nos oferece um elenco de luxo, embora se dispensasse a sequência choque da criança a ser esmagada pelo tanque. Este filme, tal como o romance de Curzio Malaparte, encontram-se um pouco esquecidos nos dias de hoje, mas bem merecem ser redescobertos. 

Garry Marshall – “O Diário da Princesa” / “The Princess Diaries”


Garry Marshall – “O Diário da Princesa” / “The Princess Diaries” 

(EUA – 2001) – (111 min./Cor) 
Julie Andrews, Anne Hathaway, Hector Elizondo. 

Garry Marshall dedicou grande parte da sua vida a escrever argumentos para séries de televisão, onde a comédia dava cartas, tal como o romance e será com “Pretty Woman” que muitos lhe irão fixar o nome como realizador, mas também como cineasta pois ele irá deixar sempre a sua marca na forma como constrói as suas comédias e ao receber o convite da Disney para realizar este “ The Princess Diaries” / “O Diário da Princesa”, tendo por alvo um segmento especifico do público, Garry Marshall cumpre mais uma vez com o que nos habituou ao longo da sua carreira, tendo esta película sido um dos seus maiores sucessos de bilheteira. 

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Liliana Cavani – “O Jogo de Mr. Ripley” / “Ripley’s Game”



Liliana Cavani – “O Jogo de Mr. Ripley” / “Ripley’s Game” 
(EUA / GB / Italia – 2002) – (110 min./Cor) 
John Malkovich, Dougray Scott, Lena Headey. 

Patricia Highsmith, ao criar essa personagem amoral chamada Tom Ripley, certamente nunca pensou que ele iria ter uma existência cinematográfica tão diversa, ao longo dos anos, despertando o interesse de cineastas tão diversos como Renè Clement, Wim Wenders, Anthony Minghella, Roger Spottiswoode e Liliana Cavani. 

Foi Alain Delon o primeiro actor a dar rosto à personagem da célebre escritora norte-americana, estávamos no ano de 1960 e o filme chamava-se “Plein Soleil” / “À Luz do Sol”. Muitos anos depois será a vez de Dennis Hopper, no filme de Wim Wenders “O Amigo Americano” / “Der Amerikanische Freund”, de dar vida a Tom Ripley, para depois em 1999 ser a vez de Matt Damon oferecer a timidez e a violência à personagem. Três anos depois, a cineasta italiana Liliana Cavani decide levar ao grande écran “Ripley’s Game”, tendo oferecido a John Malkovich a oportunidade de vestir o temível personagem criado por Patricia Highsmith. 

Mais uma vez o espectador é envolvido na forma genial como Patricia Highsmith criou e deu vida a este personagem, ao longo de diversos livros e o argumento, que contou com a colaboração da própria cineasta, surge perfeito ao mesmo tempo que John Malkovich consegue dar vida e transmitir em simultâneo o charme e o terror que imana da sua forma de agir: do romantismo à violência, sendo as obras de Arte e a sua respectiva falsificação um “belo” modo de vida. 

Aqui deixamos a sugestão aos programadores de cinema de fazerem um ciclo Tom Ripley, porque Patricia Highsmith bem merece e todos nós também! 

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Lasse Hallstrom – “The Shipping News”



Lasse Hallstrom – “The Shipping News” 
(EUA - 2001) – (111 min./Cor) 
Kevin Spacey, Julianne Moore, Judi Dench, Scott Glenn, Cate Blanchett. 

Após o enorme sucesso cinematográfico de “Chocolate”, o cineasta sueco Lasse Hallstrom mudou de registo e decidiu, através deste maravilhoso “Shipping News”, contar-nos a história de um nova-iorquino tímido, fraco e infeliz, casado e pai de uma filha, uma personagem a quem Kevin Spacey oferece uma espessura inesquecível. Após a morte da mulher (uma pequena, mas intensa, interpretação de Cate Blanchett), Quoyle decide deixar a grande metrópole e partir para a terra dos seus antepassados na Terra Nova, inserindo-se na pequena comunidade, começando a trabalhar como jornalista no jornal local e aprendendo a conhecer, lentamente, o meio onde vive, assim como a descobrir os segredos que guardam os seus habitantes, como sucede com essa “viúva” chamada Wayve Prowse (Julianne Moore). 

Lasse Hallstrom está como peixe na água, ao realizar este belo filme e se a direcção de actores é um dos seus pontos fortes, já a sua realização atinge aqui um dos seus momentos mais fortes, porque sentimos na pele o clima agreste que aguarda pai e filha, assim como esse momento sublime em que nos é contada história da casa dos seus antepassados e a forma como ela foi transportada até àquele local. 

“The Shipping News” surge assim como um desses belos filmes a que regressamos sempre com um enorme prazer.