sábado, 31 de março de 2018

Buzz Kulik – “A Honra de Um Herói” / “Villa Rides”




Buzz Kulik – “A Honra de Um Herói” / “Villa Rides”
(EUA – 1968) – (125 min./Cor)
Robert Mitchum, Yul Breyner, Charles Bronson.

Um ano antes de realizar o célebre filme “ A Quadrilha Selvagem” / “The Wild Bunch”, Sam Peckinpah escreveu com o célebre Robert Towne (argumentista de “Chinatown”) este bem interessante “western” intitulado “Villa Rides”, em que nos é narrada de forma simples e sem artifícios, ou seja ao estilo bem forte e nos dias de hoje bem “politicamente incorrecto” de Sam Peckinpah, a história de Pancho Villa, aqui interpretado por um Yul Breyner quase irreconhecível, de bigode e cabelo, mas sempre com esse famoso olhar, que marcou muitas das personagens a que deu vida.

Buzz Kulik, o realizador deste magnifico “A Honra de Um Herói” / “Villa Rides”, é um realizador oriundo do universo da publicidade e que foi um nome incontornável na idade de ouro da televisão na América, quando ela após a Segunda Grande Guerra invadiu os lares dos americanos e os prendeu ao sofá, a verem séries como “The Twilight Zone”, sendo Buzz Kulik um dos seus realizadores e sempre que teve oportunidade para passar a sua criatividade ao grande écran, como sucede com este “western”, o realizador deixou os seus créditos bem firmados, oferecendo-nos excelentes películas que bem merecem ser retiradas do limbo do esquecimento, como sucede com este “Villa Rides” / “A Honra de Um Herói”, que nos narra a luta e as ideias de um homem chamado Pancho Villa, com qualidades e defeitos, mas nunca desejando o poder para si.


sexta-feira, 30 de março de 2018

Anthony Page – “O Mistério da Dama Desaparecida” / “The Lady Vanishes”



Anthony Page – “O Mistério da Dama Desaparecida” / “The Lady Vanishes”
(Grã-Bretanha – 1979) – (97 min./Cor)
Elliott Gould, Cybil Sheperd, Angela Landsbury.

Já por diversas vezes abordámos por aqui esse território do “remake”, que tanto alimento tem dado à falta de criatividade nestes anos de “vacas magras” de criatividade no cinema, mas no século passado foram realizados alguns “remakes” bem interessantes e nunca pretendendo fazer esquecer os originais, antes fazendo uma espécie de homenagem aos seus autores. 

E foi precisamente o que sucedeu com este filme realizado por Anthony Page, que tem como modelo o célebre filme de Alfred Hitchcock “The Lady Vanishes” / “Desaparecida!”, datado de 1938 e onde vamos encontrar Cybyl Sheperd a interpretar a personagem criada muitos anos antes por Margaret Lockwood, enquanto Elliott Gould ocupa o lugar de Michael Redgrave e Angela Landsbury dá vida à personagem criada anteriormente por May Whity.

Anthony Page, experiente realizador do pequeno écran, com esporádicas viagens pelo interior do cinema, conduz toda a intriga de forma superlativa e é inevitável estarmos todo o tempo a recordarmo-nos do original de Alfred Hitchcock no bom sentido comparativo, conduzindo-nos de forma perfeita ao encontro do “suspense”, mesmo quando já sabemos "por demais” o argumento. A direcção de actores, bem ao estilo britânico, é de “primeira água” e a realização é perfeita, ou seja estamos perante uma bela e agradável homenagem a Alfred Hitchcock, nesses saudosos anos setenta em que a memória do cinema habitava a cinéfilia.

Ao rever este filme no pequeno écran, senti a mesma emoção que tive ao vê-lo na época da sua estreia, no cinema S. Jorge!

quinta-feira, 29 de março de 2018

Julien Duvivier – “Ana Karenina” / “Anna Karenina”



Julien Duvivier – “Ana Karenina” / “Anna Karenina” 
(Grã-Bretanha – 1948) – (139 min. – P/B) 
Vivien Leigh, Ralph Richardson, Kieron Moore. 

Julien Duvivier é um dos nomes incontornáveis do cinema francês, que se iniciou na época do mudo e depois ficou ligado a essa corrente intitulada realismo poético, onde a sua direcção de actores era por demais superlativa, deixando de forma inconfundível a sua marca de cineasta. E se muitos de recordam dele como o realizador de “D.Camilo”, com o inesquecível Fernandel, eu acrescentarei que ele é também o cineasta dessa obra-prima intitulada “Pépé, O Moko” com um Jean Gabin a morrer por amor no porto, enquanto o navio que transporta a mulher amada se afasta e se perde na linha do horizonte. 

A sua adaptação cinematográfica do famoso romance de Leão Tolstoi (escrevo “à antiga”) é magistral e depois temos uma Vivien Leigh e um Kieron Moore a dar vida aos amantes malditos de forma inesquecível, porque se Anna Karenina nos prende nas suas angústias, já o jovem Conde Vronsky surge a fazer o contraponto, sempre à espera desse eternamente adiado divórcio concedido por Karenin (Ralph Richardson), o marido da sua bela e infeliz amante, que se vê fecharem todas as portas da sociedade, enquanto sente o amante a fugir-lhe para os braços de outras mais jovens e belas. 

Se o argumento escrito por esse grande homem do teatro chamado Jean Anouilh é perfeito, já a forma como Julien Duviver nos oferece a famosa mise-en-scéne (como gostam de referir os franceses) é de um saber inesquecível, onde pontifica esse Mestre da fotografia chamado Henri Alekan! Por tudo isto a redescoberta desta “Anna Karenina” de Julien Duviver é por demais recomendável a todos os que gostam de Cinema e de Literatura!

quarta-feira, 28 de março de 2018

Steve Kloves – “Os Fabulosos Irmãos Baker” / “The Fabulous Baker Boys”



Steve Kloves – “Os Fabulosos Irmãos Baker” / “The Fabulous Baker Boys” 

(EUA – 1989) – (114 min./Cor) 
Jeff Bridges, Michelle Pfeiffer, Beau Bridges. 

Steve Kloves é mais conhecido como o argumentista dos filmes da Saga “Harry Potter”, do que realizador, mas na sua carreira como director de cinema possui uma pérola intitulada “Os Fabulosos Irmãos Baker” / “The Fabulous Baker Boys”, estreado em 1989 e que foi escrito por ele a pensar em Madona para interpretar essa estrela cadente chamada Susie Diamond. Porém a Rainha da Pop recusou a proposta e Michelle Pfeiffer, que já tinha cantado em “Grease 2”, ofereceu à personagem uma sensualidade inesquecível, especialmente nessa sequência mágica em que vestida de vermelho, canta deitada em cima do piano de Jack Baker (Jeff Bridges), nessa noite de final de ano que irá marcar as suas vidas. 


“Os Fabulosos Irmãos Baker” tiveram nos irmãos Jeff e Beau Bridges a dupla perfeita a dar-lhes a “vida possível”, enquanto navegam na noite a tocarem de bar em bar, de hotel em hotel, de casino em casino, aproveitando tudo o que aparece, até atingirem esse beco em que o confronto é inevitável e os sonhos dão lugar à dura realidade. 

Possuindo uma banda sonora inesquecível assinada por Dave Grusin e produção de Sydney Pollack, “The Fabulous Baker Boys” é um desses filmes intemporais que respiram cinema por todos os fotogramas! 

terça-feira, 27 de março de 2018

David Dobkin – “O Juiz” / “The Judge”



David Dobkin – “O Juiz” / “The Judge” 
(EUA – 2014) – (141 min./Cor) 
Robert Downey Jr. Robert Duvall, Vera Farmiga, Billy Bob Thornton, Vincent D’Onofrio. 

Robert Downey Jr. e Robert Duvall são dois actores de gerações bem diferentes, mas que encaram a Sétima Arte da mesma forma e nesta fabulosa película intitulada “O Juiz” / “The Judge” eles são o filme, não sendo por acaso que Robert Downey Jr. surge também como produtor executivo, porque este duelo e drama familiar, escrito e realizado por David Dobkin, com a justiça como palco da acção e correspondente conflito pai/filho, em que o primeiro é Juiz e o segundo um excelente advogado, mas com poucos escrúpulos, conduzem-nos a esse território das Little Towns onde todos se conhecem e ninguém se esquece. 
“O Juiz” / “The Judge” convida-nos a visitar essa maravilhosa Arte de ser actor, através de um elenco inesquecível e já agora fixem o nome de Vera Farmiga e procurem a sua filmografia.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Sydney Pollack - "A Flor à Beira do Pântano" / "This Property is Condemned"



Sydney Pollack – “A Flor à Beira do Pântano” / “This Property is Condemned” 

(EUA – 1966) – (110 min./Cor) 

Natalie Wood, Robert Redford, Charles Bronson, Kate Reid, Mary Badham. 

Cinco anos após se ter estreado na realização no pequeno écran, Sydney Pollack assina em 1966 a sua segunda longa-metragem, intitulada “This Property is Condemned”, uma película fabulosa com argumento de Francis Ford Coppola, a partir de uma peça de Tennesse Williams e produzida por John Houseman ou seja um trio de luxo e se desconhecêssemos os seus autores, rapidamente chegávamos lá ao entrarmos com Owen Legate (Robert Redford) nessa América em recessão e que tem nele o homem do caminho-de-ferro que trata dos despedimentos em época de crise. Já a bela Alva Starr (Natalie Wood) é a filha da dona dessa pensão onde vivem muitos dos funcionários do caminho-de-ferro, que trabalham na povoação e rapidamente iremos perceber como ela é o isco usado pela mãe para sobreviver e será precisamente nessa pensão que Owen Legate se irá hospedar, despertando de imediato a atenção da bela e disponível Alva, cujo maior desejo é fugir dali. 

Tanto a direcção de actores como a realização de Sydney Pollack são bem demonstrativas do talento do cineasta, depois a peça de Tennesse Williams é um bom exemplo do seu enorme talento, com um excelente trabalho de Francis Coppola no argumento e depois temos essa narradora que é a pequena Willie (Mary Badham), que muitos se recordam do fabuloso filme “To Kill a Mockingbird” de Robert Mulligan ou seja todos os ingredientes para descobrirmos um excelente filme dessa maravilhosa Arte chamada de Sétima, que teve em Sydney Pollack o último cineasta clássico, que nunca é demais recordar, nesta época em que a memória do cinema se vai perdendo de forma imperdoável! 

domingo, 25 de março de 2018

J. J. Abrams – “Star Wars: O Despertar da Força” / “Star Wars: The Force Awakens”




J. J. Abrams – “Star Wars: O Despertar da Força” / “Star Wars: The Force Awakens” 

(EUA – 2015) – (136 min./Cor) 

Harrison Ford, Daisy Ridley, Carrie Fisher, Adam Driver, Oscar Issac. 

Foi ao ver um filme de uma série de televisão que Tom Cruise ficou fascinado pela realização de J. J. Abrams, tendo de imediato convidado este para ele dirigir o terceiro filme de “Missão Impossível”, com os excelentes resultados que todos conhecemos e se “Missão Impossível”, originalmente uma série do pequeno écran, teve o sucesso que conhecemos no grande écran, já o regresso de “Star Trek” às salas de cinema revelou-se para J. J. Abrams um enorme desafio, que se saldou num enorme sucesso, tanto do público como da crítica. 

Por tudo isto foi com enorme expectativa que muitos de nós aguardaram a chegada do realizador ao “come back de Star Wars” mas, infelizmente, não conseguimos descobrir neste novo capítulo da saga criada por George Lucas a mesma magia que girava em torno de “Star Trek” e nem mesmo a presença de Harrison Ford consegue conduzir-nos à emoção do cinema, surgindo antes este “Star Wars: O Despertar da Força” como apenas mais um filme para rentabilizar os cofres dos produtores de Hollywood. 

sábado, 24 de março de 2018

Roland Emmerich – “2012” / “2012”




Roland Emmerich – “2012” / “2012”
(EUA – 2009) – (158 min./Cor)
John Cusack, Amanda Peet, Chiwetel Ejiofor.

Foi com o célebre “Stargate”, realizado em 1994, pelo alemão Roland Emmerich, que muitos lhe fixaram o nome e desde então foi possível acompanhar a relação que este tem mantido com o género “blockbuster”, que lhe tem proporcionado um enorme sucesso, graças a uma utilização dos efeitos especiais em complemento do argumento e não como fio condutor da acção, criando uma estrutura dramática que consegue acompanhar devidamente a acção da película, sendo precisamente o que sucede com este “2012”, uma data que se tornou célebre quando o calendário a atingiu e que serve aqui como tema para esta película, que possui um conjunto de efeitos especiais muito bem conseguidos, ao mesmo tempo que vamos acompanhando o desenrolar dos acontecimentos que anunciam a chegada da catástrofe. 

Mesmo que não seja um apreciador do denominado “filme catástrofe”, este “2012” realizado por Roland Emmerich merece uma visita e depois temos sempre esse actor chamado John Cusack, que mais uma vez nos prova o seu enorme talento. 

sexta-feira, 23 de março de 2018

Dick Richards – “A Legião Estrangeira” / “March or Die”




Dick Richards – “A Legião Estrangeira” / “March or Die”
(Grã.Bretanha – 1977) – (107 min./Cor)
Gene Hackman, Terence Hill, Catherine Deneuve, Max von Sydow, Rufus, Ian Holm.

Após o final da Primeira Guerra Mundial, a Legião Estrangeira regressa a França e de imediato parte rumo a Marrocos, com a missão de acompanhar escavações arqueológicas que prometem revelar uma enorme riqueza e será essa busca da riqueza que irá opor o comandante militar (Gene Hackman) ao arqueólogo (Max von Sydow), estando ainda nesta aventura a filha (Catherine Deneuve) de um outro arqueólogo entretanto capturado pelos berberes, que consideram o local das escavações como Sagrado. 

Dick Richards oferece-nos um dos mais belos retratos da célebre Legião Estrangeira, através de um argumento repleto de todas as cambiantes que fazem um grande filme: acção, romance, intriga e por vezes até humor, com uma realização hábil e uma direcção de actores acima de qualquer suspeita, através de um excelente casting. Recordo-me que vi este filme no cinema Paris, aquando da estreia da película e nunca mais me esqueci dela! 

quinta-feira, 22 de março de 2018

Peter Lord / Nick Park – “A Fuga das Galinhas” / “Chicken Run”




Peter Lord / Nick Park – “A Fuga das Galinhas” / “Chicken Run” 
(Grã-Bretanha/EUA/França – 2009 – (84 min./Cor) 
Mel Gibson, Julia Sawalha, Phil Daniels - (vozes) 

Os criadores dos célebres “Wallace & Gromit” ao realizarem o genial “Chicken Run” / “A Fuga das Galinhas”, não criaram apenas um filme de animação, utilizando técnicas bem diferentes do habitual, como homenagearam o próprio cinema e o denominado filme de guerra, com os seus campos de concentração alemães e as diversas tentativas de fuga que iam nascendo por parte dos prisioneiros aliados e que deram origem a diversas películas, que surgem citados neste magnifico e inesquecível filme intitulado “A Fuga das Galinhas”, como sucede com “A Grande Evasão” / “The Great Escape” de John Sturges, “Fuga Para a Vitória” / “Victory” de John Huston e “Inferno na Terra” /“Stalag 17”, de Billy Wilder! Sendo também de referir o magnifico trabalho de Mel Gibson a dar voz e cor a esse Rocky inesquecível! 

“A Fuga das Galinhas” / “Chicken Run”, da dupla Peter Lord e Nick Park, é uma obra-prima do cinema de animação! 

quarta-feira, 21 de março de 2018

Dick Richards – “O Último dos Duros” / “Farewell, My Lovely”



Dick Richards – “O Último dos Duros” / “Farewell, My Lovely”
(EUA – 1975) – (95 min./Cor)
Robert Mitchum, Charlotte Rampling, John Ireland.



Dick Richards é um cineasta oriundo da publicidade, onde se tornou famoso e quando decidiu enveredar pela realização, o denominado “film noir” surgiu naturalmente como tema a homenagear e assim nasceu este magnifico “Farewell, My Lovely”, baseado no célebre romance de Raymond Chandler, onde iremos encontrar o famoso detective Philip Marlowe, que se tornou bem célebre no grande écran, quando Humphery Bogart lhe deu rosto. 



Desta feita, em “O Último dos Duros”, temos Robert Mitchum a “envergar o fato” do célebre detective, enquanto a bela Charlotte Rampling nos surge na eterna “femme fatale”, já a forma como Dick Richards nos conduz ao longo do filme, com uma realização certeira e uma excelente direcção de actores, permite dizer que estamos perante uma das mais belas homenagens ao policial no cinema, através de um dos romances mais célebres do género e se o filme é a cores e não no habitual preto e branco, também isso até joga a seu favor, tendo em conta o excelente trabalho do director de fotografia John Alonzo. 

“O Último dos Duros” / “Farewell My Lovely” surge assim como uma bela e inesquecível homenagem ao denominado “film noir”, pela mão de Dick Richards e um soberbo Robert Mitchum! 

terça-feira, 20 de março de 2018

Jon Amiel – “Detonação” / “The Core”


Jon Amiel – “Detonação” / “The Core”
(EUA / Canada / França / Grã-Bretanha – 2003)
Aaon Eckhardt, Stanley Tucci, Hilary Swank, Delroy Lindo, Bruce Greenwood, Tchéky Karyo.



“Detonação” foi o penúltimo filme realizado para o grande écran por Jon Amiel, um cineasta que tem dividido a sua actividade pelo cinema, o teatro (em tempos dirigiu a Royal Shakespeare Company) e a televisão, por onde tem andado nos últimos anos, sendo também o responsável pela célebre série da BBC “O Detective Cantor”. 


Mais uma vez estamos perante um filme que respira cinema por todos os fotogramas e onde os amantes da ficção-cientifica irão encontrar um forte tema de interesse, porque iremos acompanhar uma viagem ao centro da terra, para evitar o fim anunciado desse planeta azul, que o Homem teima em destruir. E se pensa que estamos perante mais um filme catástrofe, está redondamente enganado, porque a forma como nos é oferecido “Detonação” foge aos parâmetros desse sub-género cinematográfico, já que Jon Amiel consegue aliar o suspense com a ciência e a inevitável intriga, através de um argumento fabuloso, de um excelente casting, que até nos faz esquecer a prestação de Hilary Swank e de um conjunto de efeitos especiais surpreendentes, que nos deixam de imediato agarrados à cadeira ou sofá, mas que surgem devidamente enquadrados e marcam decididamente este “The Core” / “Detonação”, como um filme a (re)descobrir. 

Jon Amiel demonstra mais uma vez, com este “Detonação” / “The Core”, que é um cineasta cuja filmografia é urgente revalorizar! 

domingo, 18 de março de 2018

Steven Lisberger – “Tron” / “Tron”



Steven Lisberger – “Tron” / “Tron”

(EUA – 1982) – (96 min./Cor)
Jeff Bridges, Bruce Boxleitner, David Warner, Cindy Morgan.

Foi no ano da estreia deste filme que o vi no cinema Monumental, num enorme écran, para uma plateia quase deserta e fiquei completamente fascinado com esta aventura numa época em que a net ainda era uma criança e os jogos estavam a invadir o imaginário dos adolescentes. Mais de trinta anos depois, ao rever esta película de Steven Lisberger, encontrei o mesmo fascínio e emoção sentidos nessa década de oitenta em que o cinema começava a mudar a sua forma de cativar as audiências.
Aqui fica o desafio de (re)descobrirem este fabuloso filme de Steven Lisberger, o “Tron” (original) e viverem esta fabulosa aventura! 

George Pan Cosmatos - "Fuga Para Atenas" / "Escape To Athena"



George Pan Cosmatos – “Fuga Para Atenas” / “Escape To Athena”
(Grã.Bretanha – 1979) – (125 min./Cor)
Roger Moore, David Niven, Telly Savalas, Claudia Cardinale, Stephanie Powers.



George Pan Cosmatos, cineasta grego nascido em Itália, iniciou-se no cinema como assistente de realização de Otto Preminger no célebre filme “Exodus” e desde cedo demonstrou possuir uma enorme capacidade para dirigir cenas de acção, algo que irá comprovar ao longo da sua carreira cinematográfica, embora o seu nome não tenha grande espaço nos dicionários de cinema. Após o sucesso comercial de “Cassandra Crossing”, o produtor David Niven Jr. convidou-o para dirigir este “Fuga Para Atenas” / “Escape To Athena”, cuja acção se desenrola durante a Segunda Grande Guerra na Grécia, nas vésperas da invasão aliada e onde temos um elenco com nomes bem conhecidos, tendo desta feita George Pan Cosmatos “aligeirado” a acção, com alguns momentos de comédia, terminando a película por se ressentir disso mesmo, apesar dos bons desempenhos de Roger Moore, David Niven e Telly Savalas. 

sábado, 17 de março de 2018

William A. Fraker – “A Máscara do Ranger” / “The Legend of The Lone Ranger”


William A. Fraker – “A Máscara do Ranger” / “The Legend of The Lone Ranger”
(EUA – 1981) – (98 min./Cor)
Klinton Spilsbury, Michael Horse, Christopher Lloyd, Jason Robards.

William A. Fraker foi um experiente director de fotografia, tendo até sido nomeado por três vezes para o Oscar na sua área, tendo também concretizado o desejo de passar à realização, e esta bela homenagem ao célebre “The Lone Ranger”, cujas aventuras fizeram as delicias de diversas gerações, fosse no pequeno écran da televisão, como no cinema ou na banda desenhada, revela-se um belo e inesquecível “western”, repleto de emoção e com uma assinatura acima de qualquer suspeita, assim como a direcção de actores, a par de uma fotografia mágica, que nos contagia e nos transporta até ao território da nossa infância. 

Um dado curioso neste “A Máscara do Ranger” / “The Legend of The Lone Ranger”, prende-se com o facto de o protagonista do filme, Klinton Spilsbury, ter sido um actor de um único filme, mas que desistiu da representação para se dedicar à fotografia. Já o veterano e sempre excelente Jason Robards está perfeito, enquanto o denominado “mau da fita” (para usar uma linguagem da minha infância), possui em Christopher Lloyd um cativante desempenho! 

O director de fotografia William A. Fraker assina em “A Máscara do Ranger” / “The Legend of The Lone Ranger”, um “western” com uma excelente realização, que faz com que fixemos os nomes de todos os seus intervenientes porque, meus amigos, a magia do cinema, no seu estado mais puro, passa por aqui, nesta película rodada numa década em que a memória do cinema começava a ser esquecida. Obrigado William A. Fraker por este belo “western” do Lone Ranger! 

sexta-feira, 16 de março de 2018

Justin Zackham – “O Grande Dia” / “The Big Wedding”



Justin Zackham – “O Grande Dia” / “The Big Wedding” 

(EUA – 2013) – (89 min./Cor) 

Robert De Niro, Diane Keaton, Susan Saradon, Robin Williams.


Justin Zackham, o responsável por esta interessante comédia, pertence à categoria de argumentistas que passaram à realização, continuando a assinar os seus argumentos, devido ao sucesso comercial obtido. E se para a maioria o seu nome é desconhecido, se dissermos que ele é o argumentista do genial “Nunca é Tarde Demais” / “The Bucket List” que teve em Jack Nicholson e Morgan Freeman os protagonistas, sendo a realização assinada pelo conhecido Rob Reiner, alguns irão fixar o nome de Justin Zackham. 

Com este “O Grande Dia” / “The Big Wedding”, o realizador / argumentista Justin Zackham oferece-nos uma película onde a comédia se encontra bem presente, contando com um naipe de actores bem conhecidos do grande público e que nos oferecem excelentes interpretações: Robert de Niro, Diane Keaton, Susan Sarandon e o saudoso Robin Williams, na figura do padre que escuta umas confissões bem “perigosas”… 

Depois temos o retrato de duas gerações bem distintas e o habitual confronto entre pais e filhos e a forma como ambos encaram a vida, com os inevitáveis casamentos e separações ou seja a célebre caminhada pelo território da paixão, com os habituais acidentes de percurso mas que, nas mãos seguras do amor, termina sempre por chegar a porto seguro, mesmo quando as suas origens são bem diferentes, sejam elas sociais ou religiosas. 

“O Grande Dia” / “The Big Wedding”, embora distante do célebre “Um Casamento” / “A Wedding” de Robert Altman, uma película incontornável neste sub-género, revela-se uma agradável comédia, que recomendamos! 

quinta-feira, 15 de março de 2018

George Pan Cosmatos – “Cassandra Crossing” / “The Cassandra Crossing”


George Pan Cosmatos – “Cassandra Crossing” / “The Cassandra Crossing” 
(Grã-Bretanha, Itália, Alemanha – 1976) – (129 min,/Cor) 
Sophia Loren, Richard Harris, Burt Lancaster, Ava Gardner, Ingrid Thulin, Martin Sheen, Alida Valli. 

Na década de 70 o cinema, perante a invasão da televisão nos lares, descobriu no sub-género “filme catástrofe” um modo de captar as audiências e assim foram inúmeros os filmes que surgiram nesse sentido, desde o célebre “Aeroporto” com as diversas sequelas, até a filmes como este “Cassandra Crossing” / “The Cassandra Crossing”, realizado por George Pan Cosmatos que, a par da intriga política sempre presente, narra a odisseia de um comboio e dos seus passageiros que foram contaminados por um vírus, transportado por um homem em fuga, único sobrevivente de um assalto à Organização Mundial de Saúde, onde se encontravam colheitas de diversos vírus para fins pouco pacíficos. 

Como era habitual nesta época, a película possui no elenco diversas estrelas de cinema que viram o seu apogeu em décadas anteriores, mas que não deixam os seus créditos por mãos alheias, por outro lado temos uma eficácia narrativa a par de uma realização de George Pan Cosmatos que consegue manter o suspense, ao longo da película, revelando-se “Cassandra Crossing” como um filme a redescobrir e comparar com certos filmes catástrofes que por aí abundam, reféns dos efeitos especiais. 

quarta-feira, 14 de março de 2018

Patrice Leconte - "Não Incomodar" / "Une Heure de Tranquillité"


Patrice Leconte – “Não Incomodar” / “Une Heure de Tranquillité” 
(França – 2014) – (79 min./Cor) 
Christian Clavier, Carole Bouquet, Valérie Bonneton. 

Ao longo de uma carreira como realizador e argumentista, Patrice Leconte assumiu desde muito cedo a comédia como território de eleição, tendo até o crítico George Sadoul afirmado que ele era detentor de um certo sorriso Chabroliano, referindo-se a esse genial cineasta que nos ofereceu o mais belo retrato da sociedade francesa ao longo da sua vasta filmografia. E Patrice Leconte, neste inesquecível “Não Incomodar” / “Une Heure de Tranquillité”, conta-nos o dia em que Michel Leproux (Christian Clavier) encontra numa dessas Brocants, de que tanto gostam os franceses, o disco de jazz que sempre desejou ter e que possui o célebre tema “Me, My Self and I”. E feliz regressa a casa, para escutar na tranquilidade do lar, esse belo disco de jazz, mas… 

Quando chega a casa irá descobrir uma sucessão de acontecimentos que irão tornar esse dia um inferno: o elevador do prédio está avariado; a amante e melhor amiga da sua esposa está no café em frente a telefonar-lhe; a sua mulher tem uma urgente confissão a fazer-lhe; o vizinho polaco do andar de baixo insiste na sua presença na festa convívio dos condóminos; a empregada doméstica que devia estar de folga anda a aspirar a casa; a esposa contratou um grupo de polacos para fazerem obras nesse dia na habitação; o filho leva uma dúzia de Filipinos “sem papéis”(clandestinos), para viverem no anexo da casa e o seu melhor amigo decide ir mais uma vez pedir-lhe dinheiro. 

Mas se pensa que são apenas estes os acontecimentos atribulados que nesse sábado irão atingir o médico Michel Leproux, está redondamente enganado, porque o pior ainda está para vir! Não perca este filme, porque ele é delirante e tanto Christian Clavier como Carole Bouquet (a esposa, Nathalie Leproux) estão soberbos e oferecem-nos interpretações memoráveis no reino da comédia, sempre com uma excelente direcção de actores por parte de Patrice Leconte, sendo o ritmo vertiginoso dos acontecimentos memorável, com uma “mise en scéne” (termo querido dos franceses) magnifica e só mais uma dica a terminar: os polacos, afinal, são portugueses😊! 

terça-feira, 13 de março de 2018

Martin Scorsese – “A Invenção de Hugo” / “Hugo”



Martin Scorsese – “A Invenção de Hugo” / “Hugo” 

(EUA – 2011) – (126 min./Cor) 

Ben Kingsley, Sacha Baron Cohen, Asa Butterfield, Chloe Grace Moretz, Christopher Lee, Emily Mortimer. 


O genial filme de Martin Scorsese, “A Invenção de Hugo” / “Hugo”, que foi nomeado para 11 Oscars, nesse ano de 2011, incluindo o de Melhor Filme e Melhor Realização, terminou a noite a conquistar apenas cinco Oscars técnicos e sinceramente nesse dia percebi como Hollywood é um território sem memória do cinema, porque esta película realizada em 3D, conta-nos uma história destinada a um público de todas as idades (se tem filhos compre o dvd e veja com eles este filme mágico), onde os protagonistas são duas crianças e o genial Méliès, aqui interpretado por um Ben Kingsley soberbo e inesquecível! 

Depois temos esse mago do cinema que permanece um apaixonado pela Sétima Arte e a sua Memória, chamado Martin Scorsese. Veja-se a forma como ele fala do cinema, nas entrevistas e nos oferece uma realização ímpar e repleta de Magia em “A Invenção de Hugo” / “Hugo”, porque a forma como ele recria o universo dos filmes de Méliès, esse genial inventor dos primórdios do cinema e nos narra a sua história, revela-se um convite a descobrirmos essa bela e inesquecível época do tempo do mudo, onde a linguagem cinematográfica foi criada e teve em Georges Méliès o artífice perfeito dos efeitos especiais no cinema, alguns até criados por mero acaso e depois desenvolvidos, sempre em busca dessa magia que cativava as audiências. 

Como é possível uma obra-prima da Sétima Arte ter sido esquecida pela Academia de Hollywood, revela-nos bem como são turvas as águas onde navegam os Membros da Academia. Desconhecer “A Invenção de Hugo” de Martin Scorsese é imperdoável! 

domingo, 11 de março de 2018

Costa-Gavras - “O Capital” / “Le Capital”



Costa-Gavras . “O Capital” / “Le Capital”
(França – 2012) – (114 min./Cor)

Gad Elmaleh, Gabriel Byrne, Natacha Régnier.



O primeiro filme que vi deste cineasta grego, naturalizado francês, foi em 1970 no cinema Eden, “A Confissão” / “L’aveau”, com Yves Montand no protagonista, tinha eu 11 anos e desconhecia que estava a dar os primeiros passos na cinéfilia, fixei o nome do actor e o estranho nome do realizador, depois quando voltei a “encontrar-me” com Costa-Gavras, o filme chamava-se “Z – A Orgia do Poder” / “Z” e nesse momento percebi que este realizador possuía o estatuto de cineasta, algo que o tempo veio a comprovar, porque a sua assinatura encontra-se nas imagens e no argumento das películas que realiza, sendo bastante interventivo na criação dos argumentos dos filmes que dirige com enorme saber, todos eles a interrogarem o mundo em que vivemos e sempre bastante incómodos para o Poder, seja qual for a sua cor, a única excepção da sua filmografia intitula-se “A Luz da Paixão” / “Clair de femme” com Yves Montand e Romy Schneider.


Neste universo que habitamos, neste estranho século XXI, com uma ideologia dominante criada por “entidades desconhecidas”, que pretendem que todos pensem da mesma maneira, porque assim é “politicamente correcto” e onde o jornalismo atravessa a pior crise da sua história, como entidade independente dos poderes, seja o político, o económico ou essa entidade denominada redes-sociais, a última película de Costa-Gavras intitulada “O Capital” / “Le Capital”, revela-se uma verdadeira lufada de ar fresco ao nos contar a história de um testa de ferro chamado Marc Tourneuil (espantosa interpretação de Gad Elmaleh), que ao assumir a Presidência de uma importante Instituição Bancária decide tomar o Poder, jogando nos mais diversos tabuleiros da Alta-Finança e dos Mercados, manipulando e traindo, sem dó nem piedade, os seus aliados e “padrinhos”, intitulando-se o “Robin dos Bosques dos Ricos” e terminando por vencer em todas as frentes, incluindo a familiar, logo a primeira a ser conquistada, e contornando com dificuldade as célebres tentações que por vezes atingem fatalmente as suas almas gémeas.

“O Capital” / “Le Capital” de Costa-Gavras, oferece-nos assim um retrato do mundo contemporâneo que, inevitavelmente, nos leva a interrogar não só a informação que temos, mas também o mundo em que vivemos, onde cada vez mais os Mercados, com as suas célebres Agências de Rating, decidem o destino dos países e fazem tremer os seus dirigentes políticos. Mais uma vez Costa-Gavras assina um filme genial e incontornável, que enriquece decididamente a sua filmografia, que vos convidamos a descobrirem!

sábado, 10 de março de 2018

Todd Robinson – “Phanton – Submarino Fantasma” / “Phanton”


Todd Robinson – “Phantom – Submarino Fantasma” / “Phantom” 
(EUA – 2013) – (98 min./Cor) 
Ed Harris, David Duchovny, William Fichtner, Jason Beghe. 

Todd Robinson pertence a essa geração de argumentistas do cinema norte-americano que consegue realizar os seus próprios projectos e se para muitos o seu nome nada diz, talvez se referirmos esse magnifico filme de Ridley Scott intitulado “Escola de Homens” / “White Squall”, que também possuía o mar como “paisagem”, somos de imediato conduzidos a um argumentista que sabe muito bem elaborar a “matéria prima” de que dispõe. 

“Phantom – Submarino Fantasma”, baseado em factos considerados verídicos, conduz-nos até esse território nubloso da denominada Guerra-Fria entre as duas superpotências, estando a acção concentrada no lado soviético, na última missão de um submarino cujo destino é desconhecido do seu próprio comandante, o capitão Demi (Ed Harris numa fabulosa composição) . 

Se nos recordarmos como esse fabuloso “Das Boot” / “A Odisseia do Submarino 96” de Wolfgang Petersen nos oferecia o ambiente claustrofóbico vivido no interior do submarino, assim como do excelente “Maré Vermelha” / “Crimson Tide” de Tony Scott, onde o confronto se revela um momento fulcral da película ou esse fabuloso, mas infelizmente esquecido, filme de Kathryn Bigelow “K-19” / “K-19: The Widowmaker”, que nos narrava a “odisseia” de um submarino nuclear soviético, poderemos afirmar que todos os momentos inesquecíveis destes três filmes se podem rever de forma perfeita na intriga deste magnífico “Phantom – Submarino Fantasma”, sendo de referir os agradecimentos no final dos créditos a Tony Scott. 

Quando o espectador termina o visionamento de “Phantom – Submarino Fantasma” de Todd Robinson, certamente fica com uma interrogação: quantas vezes estivemos à beira de um conflito nuclear? 

sexta-feira, 9 de março de 2018

Harald Zwart – “A Pantera Cor-de-Rosa 2” / “The Pink Panther 2”


Harald Zwart – “A Pantera Cor-de-Rosa 2” / “The Pink Panther 2” 
(EUA – 2009) – (92 min./Cor) 

Steve Martin, Jean Reno, Emily Mortimer, Andy Garcia, Jeremy Irons, Alfred Molina. 


Quando o cineasta Blake Edwards surgiu com os seus filmes da Pantera, com dois nomes incontornáveis da interpretação a assumirem o protagonismo das películas: Peter Sellers e David Niven, de imediato nasceu uma enorme legião de admiradores a seguirem as famosas desventuras do Inspector Closeau. 

Com a partida desse extraordinário comediante que foi Peter Sellers, em que películas como “A Festa” / “The Party” de Blake Edwards ou “Doutor Estranhoamor” / “Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb” de Stanley Kubrick, permanecem bem vivas na nossa memória, foi na verdade com alguma dificuldade que assistimos à chegada de Steve Martin, para vestir a pele do célebre personagem. 

No entanto Harald Zwart, realizador norueguês a trabalhar na América e que já nos tinha oferecido uma interessante comédia intitulada “Um Perigo de Mulher” / “One Night at McCool’s”, consegue obter excelentes resultados neste “A Pantera Cor-de-Rosa 2” / “The Pink Panther 2”, fruto do elenco com que rodeou Steve Martin, onde será sempre de referir o delirante segmento com Jeremy Irons, um dos melhores do filme ou a sequência passada no Vaticano, que se revela de antologia, proporcionando ao espectador momentos bem passados na arte da comédia. 

quinta-feira, 8 de março de 2018

Dennis Hopper – “Ardente Sedução” / “The Hot Spot”


Dennis Hopper – “Ardente Sedução” / “The Hot Spot”
(EUA – 1990) – (130 min./Cor)
Don Johnson, Virginia Madsen, Jennifer Connely.

Poucos se recordam do jovem Dennis Hopper ao lado de James Dean em “Fúria de Viver” / “Rebel Without a cause” de Nick Ray, mas serão certamente muitos os que ainda ligam o seu nome a “Easy Rider”, esse filme incontornável da história do cinema, com uma banda sonora inesquecível. 

Nesta película, Dennis Hopper foi protagonista e realizador ao lado de Peter Fonda que produziu o filme e se o trabalho seguinte de Dennis Hopper, como realizador, dois anos depois, intitulado “The Last Movie” se tornou um filme quase invisível, já este magnifico “Ardente Sedução” / “The Hot Spot” possui todos os condimentos para nos oferecer uma bela viagem pelo interior da memória do denominado “film noir”, ambientado numa “little town” texana, onde um dia chega um estranho e sedutor Harry Madox (Don Johnson) que, para além de cativar o dono de um stand de automóveis, recebe deste o cargo de vendedor, após ter dado uma lição de como se vende o invendável. 

Mas Harry Madox também atrai o olhar da jovem Gloria Harper (Jennifer Connely), sua colega, porém quando se cruza com a “femme fatale”, Dolly Harshaw (Virginia Madsen, numa excelente composição), que respira uma ardente sedução, percebe de imediato como ela é uma “parceira” perigosa…

A forma como Dennis Hopper nos oferece o ambiente da pequena cidade revela-se um convite a seguirmos a perdição dos protagonistas e um dos grandes feitos desta “Ardente Sedução” / “The Hot Spot”, prende-se também com excelente argumento, com uma realização hábil e uma direcção de actores perfeita e depois temos o surpreendente final algo que, nos dias de hoje, talvez não fosse possível realizar! Veja para crer!

quarta-feira, 7 de março de 2018

Rod Lurie – “A Verdade e Só a Verdade” / “Nothing But The Truth”



Rod Lurie – “A Verdade e Só a Verdade” / “Nothing But The Truth” 

(EUA – 2008) – (108 min./Cor) 

Kate Beckinsale, Matt Dillon, Vera Farmiga, Alan Alda, Angela Bessett. 

Rod Lurie iniciou-se nos meios cinematográficos como crítico de cinema, tornando-se rapidamente bastante conhecido pela forma como defendia os filmes e também pelo seu olhar bem crítico do actual universo cinematográfico que habita Hollywood, tendo uma vez enviado o argumento do filme “Casablanca” para diversos produtores, perguntando se estavam interessados em produzir a película e dos cerca de meia centena de destinatários só meia-dúzia reconheceram o guião, enquanto outros declinaram a proposta, mas também houve quem demonstrasse interesse em fazer o filme: assim vai a memória do cinema! 

Quando se tornou realizador, rapidamente se transformou em cineasta e basta referimos películas como “O Jogo do Poder” / “The Contender” ou “O Último Castelo” / “The Last Castle”, para descobrirmos como ele gosta de interrogar as Instituições e assim irá suceder também com este fabuloso “A Verdade e Só a Verdade” / “Nothing But The Truth”, onde mais uma vez iremos encontrar o confronto entre o Poder e essa instituição em tempos conhecida como “o Quarto Poder”, ou seja o direito a uma informação isenta. 

Numa época em que tanto se fala em “fake news”, será na verdade curioso (re)ver este magnifico filme, que nos narra a história de uma jornalista que ao recusar-se a divulgar a sua fonte de informação irá ser perseguida pelas autoridades, pagando com a prisão e não só, a sua vontade de nunca divulgar a sua fonte, que lhe forneceu a identidade secreta de uma agente da CIA. 

Se alguém tinha dúvidas sobre o talento de Kate Beckinsale (o que nunca foi o nosso caso), aqui irá perceber que ela é uma excelente actriz, tal como Vera Farmiga (a agente da CIA), ao lado de dois veteranos de duas gerações bem diferentes, mas cujo talento nunca foi posto em causa: Alan Alda (o advogado de defesa) e Matt Dillon com uma interpretação brilhante na figura do Procurador Patton Dubois que investiga o caso. Por outro lado Rod Lurie, que também assina o argumento, oferece-nos uma visão das teias da justiça, verdadeiramente inesquecível e depois temos um final contundente ao sabermos quem foi a fonte da jornalista Rachel Armstrong (Kate Beckinsale)! 

Não perca este filme fabuloso intitulado “A Verdade e Só a Verdade” / “Nothing But The Truth” e depois parta para a descoberta da filmografia do cineasta Rod Lurie que, como não podia deixar de ser, neste seculo xxi, anda nas séries… 

terça-feira, 6 de março de 2018

Muitos Parabéns Mrs. Vertigo!

Muitos Parabéns Mrs. Vertigo!
Aqui fica um convite para visitar Paris,
a sua cidade favorita,
na companhia dos impressionistas 
e ao som de Erik Satie!
(Once Upon a Time in Paris)

domingo, 4 de março de 2018

Anthony Minghella – “O Talentoso Mr. Ripley” / “The Talented Mr. Ripley”


Anthony Minghella – “O Talentoso Mr. Ripley” / “The Talented Mr. Ripley”
(EUA – 1999) – (139 min./Cor)
Matt Damon, Gwynett Paltrow, Jude Law, Cate Blanchett.

A adaptação cinematográfica do famoso anti-herói criado pela escritora Patricia Highsmith, o incontornável Tom Ripley, encontra na genialidade de Anthony Minghella (cineasta de “O Paciente Inglês”), um dos momentos mais bem elaborados do cinema contemporâneo como herdeiro perfeito do denominado “film noir”, que fez as delícias das plateias do cinema nas décadas de 40/50, do século passado. 



A fidelidade ao romance policial de Highsmith e a uma excelente direcção de actores, a par de uma fotografia cuidada do veterano John Seale e um ritmo de montagem perfeito, ao qual corresponde um raccord também ele cuidado, veja-se a sequência como se encerra a película, para termos a um tributo do cineasta à célebre escritora norte-americana. 

“O Talentoso Mr. Ripley” / “The Talented Mr. Ripley” de Anthony Minghella respira talento em todas as suas vertentes! Um filme incontornável e não se esqueça de ler os livros de Patricia Highsmith, com Ripley como protagonista! 

sábado, 3 de março de 2018

Paul Haggis – “72 Horas” / “The Next Three Days”


Paul Haggis – “72 Horas” / “The Next Three Days”
(EUA/França – 2010) – (133 min./Cor)
Russell Crowe, Elizabeth Banks, Liam Neeson.


Paul Haggis é um cineasta oriundo da televisão, também conhecido como argumentista e cujo nome foi fixado por muitos quando, no ano de 2004, o filme “Crash” / “Colisão” arrebatou, contra todas as previsões, o Oscar de Hollywood para o Melhor Filme (bem merecido!), depois de nessa noite já ter arrecadado o de Melhor Argumento (Paul Haggis) e de Melhor Montagem, recordo que o realizador de “Colisão” se chama Paul Haggis! 



“72 Horas” / “The Next Three Days” possuía todos os condimentos à partida para se transformar numa excelente película, onde o suspense e a luta de um marido em salvar a esposa da cadeia, acusada de assassinato, encontrasse um espaço onde o argumento se expandisse e nos conduzisse a esse território das emoções fortes, algo que infelizmente apenas vamos encontrando esporadicamente, devido à extensão indevida das diversas sequências, onde se pretende instaurar o tão famoso suspense. 


Na verdade, este “72 Horas” / “The Next Three Days” desbaratou na montagem do filme,todas as potencialidades do argumento da película, sendo de realçar a interpretação de Elizabeth Banks, enquanto Russell Crowe, infelizmente, peca pelo seu tom monocórdio, que se começa a arrastar de filme para filme.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Robert Parrish – “A Planície Vermelha” / “The Purple Plain”


Robert Parrish – “A Planície Vermelha” / “The Purple Plain”
(Grã-Bretanha – 1954) – (97 min./Cor)
Gregory Peck, Bernard Lee, Win Min Than


Robert Parrish é um desses cineastas que nos dias de hoje vivem no limbo dos esquecidos, revelando-se uma enorme injustiça tal facto, bastando vermos este filme para percebermos que estamos perante um desses realizadores que depois de ter feito a tarimba toda, demonstrou possuir as qualidades para assumir a realização de um filme. 



Na verdade, se dúvidas existissem, seriam perdidas com a visão deste filme de guerra intitulado “The Purple Plain” / “A Planície Vermelha”, que nos oferece uma fabulosa interpretação de Gregory Peck, debaixo de condições climáticas que nunca foram as melhores, tendo o filme sido rodado no Sri Lanka, onde o clima não é propriamente ameno. Depois temos um argumento bem carpinteirado, que me seja perdoada a expressão, mas era assim mesmo nesses anos 40/50 do cinema americano e por fim a forma cativante como vamos conhecendo as razões que se encontram por detrás do comportamento do piloto Bill Forrester (Gregory Peck) para o seu comportamento em combate, assim como o seu relacionamento humano no dia a dia. 


“A Planície Vermelha” / “The Purple Plain”, revela-se um belo exemplo do cinema norte-americano que vivia nas décadas d 40/50, que muitos anos depois continua a cativar o cinéfilo! 

quinta-feira, 1 de março de 2018

Jon Amiel – “Cópia Mortal” / “Copycat”



Jon Amiel – “Cópia Mortal” / “Copycat”
(EUA – 1995) – (123 min./Cor)
Sigourney Weaver, Holly Hunter, Dermot Mulroney.


Jon Amiel é um interessante cineasta norte-americano, oriundo da televisão, mas que entre 1988 e 2003 teve uma intensa actividade no interior da Sétima Arte, revelando ser mais do que um realizador e demonstrando que o cognome de cineasta é por demais merecido. 

“Copycat” / “Cópia Mortal” é um interessante filme policial, que aborda o fenómeno do “serial killer” de forma contundente e por vezes violenta, mas nunca ultrapassando os limites do visível, como por vezes sucede em muitas obras nascidas neste século xxi, onde o suspense é arrepiante e muito bem conseguido, prendendo o espectador à cadeira/sofá e tendo um argumento bem sólido e original, que sabe também explorar os diversos segmentos secundários, tudo isto a par de uma realização soberba. Para terminar, uma referência ao conjunto de protagonistas, todos eles magníficos e onde se destaca Sigourney Weaver na personagem da psicóloga Helen Hudson, que estuda o fenómeno do “serial-killer”, até a esse detective interpretada por Hollly Hunter, de forma bem convincente, a par desse valor seguro chamado Dermot Mulroney (o seu colega Reuben) e do surpreendente Harry Connick Jr. (verdadeiramente transfigurado e arrepiante). Fixem o nome do cineasta Jon Amiel e procurem conhecer a sua filmografia!