segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Happy New Year 2019!

Bom Ano 2019
a todos os que passam por aqui!

Robert Stevenson - "Mary Poppins"


“Mary Poppins”
Com Julie Andrews e Dick Van Dyke.
Realização de Robert Stevenson

Robert Stevenson –“Mary Poppins”


Robert Stevenson –“Mary Poppins”
(EUA – 1964) – (139 min./Cor)
Julie Andrews, Dick Van Dyke, David Tomlinson, Glynis Johns, Hermiome Baddeley.

Vi este filme em criança no cinema Império e nunca mais me esqueci dele e dessa magia que se respirava das imagens que surgiam na tela.

O meu amor pelo cinema tinha começado alguns anos antes, mas a história da “Mary Poppins” ficou para sempre na minha memória e quando se falou no seu regresso ao grande écran, tantos anos depois fiquei entusiasmado.

 Mas antes de falar desse regresso, recomendo a todos que vejam primeiro o filme original e descubram a Julie Andrews e o Dick Van Dyke, dois actores fabulosos e não se esqueçam que o Dick Van Dyke nos surge como o simpático Bert, mas também na pele do temível banqueiro Mr. Dawes Senior!

Nota: O dvd anda ser vendido por aí a 5 euros!

Itzhak Perlman, André Previn, Jim Hall, Shelly Manne, Red Mitchell - "A Different Kind of Blues"


Itzhak Perlman, André Previn, Jim Hall, Shelly Manne, Red Mitchell 
“A Different Kind of Blues” 
Angel Records 
1980 

Itzhak Perlman – Violin. 
André Previn – Piano. 
Jim Hall – Guitar. 
Red Mitchell – Bass. 
Shelly Manne – Drums. 

1 – Look at Him Go – 3:48 
2 – Little Face – 4:10 
3 – Who Reads Reviews – 4:10 
4 - Night thoughts – 6:18 
5 – A Different Kind of Blues – 6:20 
6 – Chocolate Apricot – 5:00 
7 – The Five of Us – 2:55 
8 - Make Up Your Mind – 3:40 

Este disco é um puro divertimento musical inesquecível, bastando para isso mesmo reparar na formação deste quinteto de Jazz! 

Itzhak Perlman deixou o auditório para trás e a sinfónica e o seu maestro não encontram o solista, já André Prévin decidiu fazer um compasso de espera na banda sonora que estava a escrever e juntou-se ao célebre violinista, levando-lhe oito secretas composições, por sua vez Jim Hall também quis dar um som da sua guitarra e nada melhor do que, para tudo correr bem, arranjar uma secção rítmica sábia e com provas dadas composta por Red Mitchell no contrabaixo e Shelly Manne na bateria. 

“A Different Kind of Blues” é uma pérola que descobri quando o Valentim de Carvalho “morava” na Rua Nova do Almada e, na cave, o jazz e a clássica conviviam lado a lado, de que este álbum é um excelente exemplo.

A Biblioteca!


Em cada casa existe uma biblioteca, por muito poucos que sejam os livros que por ali habitam e, muitas vezes, quando retiramos um livro do móvel e olhamos a capa, de imediato essa maravilhosa máquina denominada memória nos oferece essa viagem ao passado, que muitas vezes nos ajuda a compreender o presente. 

A capa do livro, muitas vezes, até parece que nos sorri, nascendo então esse desejo de abrir o livro e começar a ler as palavras que o escritor um dia decidiu oferecer-nos, perpetuando desta forma o seu labor literário, tantas vezes efectuado durante a noite, pela madrugada fora, em busca da escrita perfeita.

“O mar está novamente agitado hoje, com rajadas de vento que despertam os sentidos. Em pleno Inverno, a Primavera começa a sentir-se. Toda a manhã o céu esteve de uma pureza pérola; há grilos nos recantos sombrios; o vento despoja e fustiga os grandes plátanos… “. Assim começa o primeiro volume de “O Quarteto de Alexandria/Justine” que Lawrence Durrell decidiu oferecer ao mundo, uma obra que influenciou decididamente a Literatura e que nos relata a passagem do tempo, através do olhar/vida de quatro personagens nessa Alexandria que fascinou tantos escritores.

Na nossa biblioteca temos livros que amamos ao correr do tempo, livros que chamamos de cabeceira, porque a sua leitura nos oferece um enorme prazer, como é o caso da obra de Lawrence Durrell ou a obra monumental de Marcel Proust, a brilhante escrita de Umberto Eco, sempre com esse olhar bem incisivo sobre a sociedade contemporânea ou o labor literário e a magia de Philippe Sollers e a pouco e pouco criamos esse hábito de abrir o livro e ler um pouco, antes de o sono nos convidar ao sonho. E como é belo adormecer a ler palavras fascinantes como estas, escritas por Proust no seu quarto forrado a cortiça devido aos ataques de asma: “Os lugares que conhecemos só pertencem ao mundo do espaço em que os situamos para maior facilidade. Não eram mais que uma delgada fatia por entre impressões contíguas que formavam a nossa vida de então; a recordação de uma determinada imagem não passa da nostalgia de um determinado momento e as casas, as estradas, as avenidas, são infelizmente fugazes, como os anos.”.

O tempo, esse grande escritor, oferece-nos um olhar que se transfigura à medida que vamos navegando no território literário e sempre que retiramos um livro da estante, entramos nesse território do sonho, que nos é oferecido pelo escritor e descobrimos esse enorme prazer do texto de que um dia nos falou Rolland Barthes. 

Nas páginas que constituem o livro descobrimos personagens que nos fascinam e são muitas as vezes, em que ficamos simplesmente maravilhados com a sua existência, por vezes até as reencontramos num écran de cinema, mas quase sempre acabamos por descobrir um herói diferente daquele que habitava o universo do escritor. Os traços da personagem criada pelo autor estão ausentes da tela e sentimos a fraude perante o nosso olhar. Resta-nos então regressar à leitura da obra e apaziguar os sentimentos, (re)vivendo essa arte da escrita que tanto nos fascina.

Muitas vezes, ao entrar em casas de amigos, o meu olhar dirige-se de imediato na direcção da Biblioteca, em busca dos títulos dos livros, no intuito de descobrir as águas em que eles se encontram a navegar e não é raro encontrar aquela obra que sempre desejei ler, mas que nunca tive até então oportunidade, muitas vezes porque o livro está esgotado. E de imediato sinto o desejo de o pedir emprestado, porém, sinto-me inibido em fazer o pedido, apesar da amizade que nos une, porque os livros são como os filhos. Desejo então tornar-me um copista da Idade Média fechado numa sala a queimar a vista à luz da vela, enquanto transcrevo as palavras mágicas oferecidas ao mundo pelo escritor, para que elas perdurem para as gerações que hão-de vir.

Decido procurar o livro que tanto desejo ler nas livrarias, mas só encontro as novidades editoriais e, quando pergunto pelo seu paradeiro, respondem-me que está esgotado ou foi retirado do catálogo e nesse momento sinto a tristeza invadir-me. Mas não desisto da busca e percorro os alfarrabistas, mas a resposta permanece negativa. Encho-me de coragem e peço o livro emprestado e passo um fim-de-semana na sua companhia, roubando horas ao sono, perfeitamente deliciado e ao chegar à última página, sinto-me feliz e tranquilo, apesar de saber que esse livro maravilhoso vai regressar para a biblioteca dos meus amigos. Na semana seguinte trocamos impressões sobre a obra mas, ao sair, sinto um vazio, apesar da minha memória ter ficado mais completa, porque li aquele livro, embora sinta a sua falta na minha biblioteca, até que nasce esse dia em que ele se encontra comigo num outro país, numa daquelas livrarias em que o universo das letras habita o espaço perfeito. 

Regresso a casa feliz e de imediato mergulho na sua leitura e, quando a termino, ofereço-lhe um lugar na minha Biblioteca. Ele ali fica sorrindo, convivendo com os restantes livros de lombada diferente, numa perfeita harmonia, essa harmonia tantas vezes esquecida pelo mundo que nos rodeia.

Elliott Erwitt - "Sophia Loren"


"Sophia Loren", Paris, 1962
Elliott Erwitt

Lulu - "Boom Bang A Bang"

Lulu
Tema: "Boom Bang A Bang"
Álbum: "The Most of Lulu"

Lulu - “Boom Bang-A-Bang”



Lulu 
“Boom Bang-A-Bang” 
45 RPM
1969

1 - Boom Bang-A-Bang
2 - Are You Ready For Love
3 - March!
4 - Bet-Cher

Este foi, possivelmente, o meu segundo disco de vinil de 45 RPM, um EP da cantora Lulu, que triunfara com enorme sucesso no Festival da Eurovisão da Canção de 1969. 

Para além do célebre “Boom Bang-A-Bang”, que nesse ano tocava imenso no meu pequeno rádio amarelo, a pilhas, o vinil oferecia ainda mais três temas: “Are You Ready For Love”, muito do meu agrado, tal como o tema “Bet-Cher”, enquanto o “March!”, que abria o lado B do disco, não me convenceu e rapidamente deixei de o escutar quando virava o disco e assim fui aprendendo como se colocava a agulha do gira-discos e se riscava um disco! 

Aqui fica o meu convite para recordar o tema “Boom Bang-A-Bang”, interpretado pela Lulu, que era escocesa e se chamava Marie McDonald McLaughlin Laurie.

Gibert Joseph - Paris


A cativante "Gibert Joseph",
do Boulevard Saint-Michel, em Paris 
(onde não resistimos ao Amor de Perdição dos livros!)

Amanda Sthers – “Madame”


Amanda Sthers – “Madame”
(França – 2017) – (91 min./Cor)
Toni Collette, Harvey Keitel, Rossy de Palma.

Paris fica sempre bem como cenário romântico de um filme, mas não chega!
Ter actores com provas dadas, num filme, é sempre bom, mas não chega!
Criar um trailer com todas as piadas do filme, consegue enganar o espectador, mas depois não vai chegar!
Realizar um filme a partir de um argumento que se revela como uma verdadeira manta de retalhos de ideias, também não chega!
“Madame” de Amanda Sthers é um filme demasiado mau para ser verdade, mas existe!
Não se recomenda a quem goste de cinema!

Post 2000


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Fernando Pessoa e o nascimento dos Heterónimos


"Fernando Pessoa - Heterónimo", 1980
Óleo sobre tela, 160 x 200 cm
António Costa Pinheiro

Foi numa longa carta datada de 13 de Janeiro de 1935, dirigida a Adolfo Casais Monteiro, que Fernando Pessoa fala do nascimento dos seus heterónimos mais famosos:

«(...) foi em 8 de Maio de 1914 -, acerquei-me de uma cómoda alta, e tomando um papel, comecei a escrever, de pé, como escrevo sempre que posso. E escrevi trinta e tantos poemas a fio, numa espécie de êxtase cuja natureza não poderei definir. Foi o dia triunfal da minha vida,e nunca poderei ter outro assim. Abri com o título «O Guardador de Rebanhos». E o que se seguiu foi o aparecimento de alguém em mim, a quem dei desde logo o nome de Alberto Caeiro. Desculpe-me o absurdo da frase: aparecera em mim o meu mestre. Foi essa a sensação imediata que tive. E tanto assim que,escritos que foram esses trinta e tantos poemas, imediatamente peguei noutro papel e escrevi, a fio também, os seis poemas que constituem a «Chuva Oblíqua» de Fernando Pessoa. Imediatamente e totalmente... Foi o regresso de Fernando Pessoa Alberto Caeiro a Fernando Pessoa ele só. Ou melhor, foi a reacção de Fernando Pessoa contra a sua inexistência como Alberto Caeiro.

Aparecido Alberto Caeiro, tratei logo de lhe descobrir - instintiva e subconscientemente - uns discípulos. Arranquei do seu falso paganismo o Ricardo Reis latente, descibri-lhe o nome, e ajustei-o a si mesmo, porque nessa altura já o via. E de repente, e em derivação oposta à de Ricardo Reis, surgiu-me impetuosamente um novo indivíduo. Num jacto, e à máquina de escrever, sem interrupção, nem emenda, surgiu a «Ode Triunfal» de Álvao de Campos - a Ode com esse nome e o homem com o nome que tem.»

Este excerto da carta que reproduzimos é um dos momentos mais significativos da famosa carta sobre ao nascimento dos Heterónimos na obra de Fernando Pessoa e encontra-se reproduzida no segundo volume da sua Correspondência (1923 - 1935), cuja organização pertenceu a Manuela Parreira da Silva, na edição da Editora Assírio & Alvim. Tire uns minutos da sua ocupada vida e leia esta magnifica carta de Fernando Pessoa, são apenas 12 páginas de uma tal beleza, que nos até apetece dizer que este país fingidor quase nem o merece, porque esqueceu-se dele em vida e depois de morto...

domingo, 30 de dezembro de 2018

Pop Tops - "Mamy Blue"

Pop Tops
Tema: Mamy Blue"
Álbum: "Mamy Blue"

Pop Tops - “Mamy Blue”



Pop Tops 
“Mamy Blue” 
Single / 45 RPM 
1971

1 - Mamy Blue
2 - Road To Freedom

Muitas vezes, quando escutamos uma canção, desconhecemos como tudo nasceu e acontece ficarmos tão surpreendidos com as nossas memórias que até somos obrigados a falar delas, sendo isso mesmo que sucede com este single dos “Pop Tops” com o tema “Mamy Blue”, que possui uma história bem curiosa.

Alguns já escutaram a Celine Dion, assim como outos intérpretes famosos, a cantar o “Mamy Blue”, que me entrou no formato de single em casa, numa dessas idas com a minha avó até aos Armazéns do Grandela, na Rua do Carmo, em Lisboa (já desaparecidos), que tinham uma discoteca no último piso. 

A canção “Mamy Blue” passava imenso na Rádio, mas quando comprei o single confesso que desconhecia que o seu autor era francês e se chamava Hubert Giraud, sendo ela escrita enquanto o cavalheiro se encontrava num desses enormes engarrafamentos de trânsito (os famosos “bouchons”), que já aconteciam em Paris nessa época. 

Seria no entanto um produtor francês, que vivia em Madrid, com interesses nos meios musicais, a comprar os direitos da canção, para o grupo espanhol Pop Tops, que tinha um vocalista chamado Phil Trim (nascido na Trindade e Tobago), que irá “construir” a versão inglesa, a qual será gravada em Londres, tornando-se num desses hits que irá invadir as tabelas Pop de todo o mundo, desde o Japão, a Israel, passando pela Argentina, só para falar nos países nunca mencionados nestas “coisas da música”, para além dos Europeus. 

Já os intérpretes de “Mamy Blue” e suas versões ou covers são das mais variadas origens, tivemos logo no início a Nicoletta, que cantou em francês a versão original; a Ivana Spagna que a gravou em italiano na época; os Pop Tops (grupo espanhol que fazia uma música oriunda da Pop mas com contornos da Soul Music), que terão aqui o seu maior sucesso e são o principal rosto/voz da canção. Mas “Mamy Blue” também ficou bem conhecida de outras gerações, através da voz de Joe Cocker, Vicky Leandros (a cantora do célebre “Aprés Toi”), Demis Roussos, Julio Iglesias, Dalida e Lara Fabian. 

E qual era a outra faixa do single? 

Na realidade já ninguém se lembra dela, mas o título dava “pano para mangas”, nesse ano de 1971: “Road to Freedom”!

Tropismes - Bruxelas


A fabulosa Livraria Tropismes em Bruxelas, 
onde o Livreiro conhece tudo o que mora por ali 
e nos oferece sempre a sua simpatia inesquecível.

William Dieterle – “Com Todo o Meu Coração” / “I’ll Be Seeing You”


William Dieterle – “Com Todo o Meu Coração” / “I’ll Be Seeing You”
(EUA – 1944) - (85 min. – P/B)
Ginger Rodgers, Joseph Cotten, Shirley Temple.

O nome de baptismo deste cineasta nascido na Alemanha é Wilhelm Dieterle, tendo iniciado a sua carreira como actor na década de vinte, trabalhando com as grandes estrelas do cinema alemão, mas ao surgir a década de 30 partiu para a América, onde ingressou nos quadros da Warner Brothers, para trabalhar nas versões alemãs dos filmes de Hollywood, para serem exibidos nos cinemas alemães e rapidamente se tornou num realizador de referência destes famosos Estúdios, tendo mudado o nome para William Dieterle. E se este nome nada lhe diz, aproveito para referir que se trata do cineasta do mais que perfeito e surrealista filme, “O Retrato de Jennie” / “Portrait of Jennie”, um dos mais belos filmes da Sétima Arte.

Passando a Ginger Rodgers, a actriz protagonista deste fabuloso filme de Natal intitulado “Com Todo o Meu Coração” / “I’ll Be Seeing You”, convém referir que a célebre estrela odiava fazer musicais, que era a única “coisa” que os Estúdios lhe ofereciam, fazendo par com o famoso Fred Astaire, sendo a grande ambição de Ginger Rogers ser considerada uma boa actriz dramática e, quando teve oportunidade de provar isso mesmo, conseguiu surpreender o universo cinematográfico.

Para terminar esta “introdução”, confesso que vi este filme pela primeira vez na adolescência, na televisão, numas férias grandes, em que a RTP exibia filmes clássicos durante as tardes, ao longo da semana e onde descobri alguns dos meus cineastas e actores favoritos. Neste ano de 2018, em plena época Natalícia, a RTP esqueceu-se do Cinema e até do Natal no Cinema e isso é triste!!!

Este filme, realizado em plena Segunda Grande Guerra, conta-nos a história de dois seres deserdados da sorte, que se irão encontrar nas vésperas de Natal num comboio. Ele, um militar em convalescença, sem família e sem amigos, saído de um hospital psiquiátrico devido a ferimentos de guerra por 10 dias, e ela uma presidiária, que teve autorização de passar o Natal com a família durante os oito dias em que irão durar as Festividades.

A forma como William Dieterle nos oferece o argumento deste filme, com uma direcção de actores sublime e interpretações prodigiosas por parte dos seus protagonistas, onde até Shirley Temple nos surpreende, bem merece ser descoberto. E por isso mesmo se desejar ver esta película que se encontra disponível no YouTube, basta clicar aqui e ver o filme.

Nota: George Cukor, trabalhou neste filme produzido por David O'Selznick, mas não foi creditado.

Boas Festas!

O Universo das Livrarias e os Livreiros!


A livraria era um daqueles espaços em que se descobriam autores, mas também um lugar em que era possível fazer amizades, incluindo o próprio livreiro, que nos recomendava livros e nos abria os horizontes. Guardo na memória com saudade a Livraria Opinião do Hipólito Clemente, mesmo ali ao lado da Cervejaria Trindade, hoje pertencente aos Livros Cotovia. Por ali descobri os surrealistas e muito mais, porque as pequenas edições de autor tinham sempre um lugar disponível e bem visível, para sorrirem ao visitante. Depois eram as conversas que se tinham e as descobertas que se faziam sempre em maravilhosos diálogos que guardo na memória para sempre, porque quem se encontrava por detrás do balcão tratava os livros por tu e porque também ele era um leitor apaixonado. 

Hoje, ao entrarmos numa Livraria, quase sempre a resposta nos é dada pelo computador e a sua famosa base de dados. Não há tempo para conversas e ficamos quase sempre restritos às novidades, embora se não houver o livro em stock, existir sempre essa possibilidade de o pedir ao editor. Os chamados fundos de catálogo não têm o direito a habitarem as livrarias, eles dormem sossegados nos Armazéns e só conhecem a luz do dia para conviver com os leitores quando chegam as respectivas Feiras do Livro.

Infelizmente o livreiro é uma figura em vias de extinção, restam alguns Alfarrabistas que ainda conhecem o amor pela leitura e a paixão pelos livros, mas a maioria prefere substituir as letras por cifrões, percebi isso quando andei a comprar o "Cavaleiro Andante", que se revelou um pesadelo Kafkiano inenarrável!

Wayne Miller - "Ava Gardner"


"Ava Gardner", 1959
Wayne Miller

António Costa Pinheiro - "Os óculos do poeta Álvaro de Campos - Heterónimo de Fernando Pessoa"


Recordando o Pintor e o Poeta
"Os óculos do poeta Álvaro de Campos
Heterónimo de Fernando Pessoa"
Óleo sobre tela, 80 x 110 cm.
António Costa Pinheiro

Que somos nós? Navios que passam um pelo outro na noite,
Cada um a vida das linhas das vigias iluminadas
E cada um sabendo do outro só que há vida lá dentro e mais nada.

Navios que se afastam ponteados de luz na treva,
Cada um indeciso diminuindo para cada lado do negro
Tudo o mais é a noite calada e o frio que sobe do mar.

Álvaro de Campos

sábado, 29 de dezembro de 2018

Raphael - Yo Soy Aquel"

Raphael
Tema. "Yo Soy Aquel"
Álbum: "Yo Soy Aquel"

Raphael - “Yo Soy Aquele”



Raphael 
“Yo Soy Aquele” 
45 RPM 
1967

1 - Yo Soy Aquel
2 - Hasta Venecia
3 - Es Verdad
4 - La Noche

A terminar este primeiro ciclo de “A Memória da Rádio” foi inevitável recordar-me desses discos de vinil de 45 rotações por minuto e das suas memórias, ou seja por detrás de cada um deles existe certamente uma história de como me chegaram às mãos. Confesso que não foram muitos, mas com a idade de apenas um dígito, estava mais interessado na diversidade de músicas que me era oferecida pelo meu pequeno transístor amarelo de Onda Média. 

Mas a história do meu primeiro vinil está rodeada de uma célebre conversa de surdos, nesses longínquos anos 60. Nesse dia tinha ido com a minha avó a uma loja situada na Baixa Lisboeta chamada Vapedrone, comprar um gira-discos e alguns discos e após ela ter optado por um gira-discos muito engraçado, em formato de mala, e ter escolhido os seus discos da Amália, incluindo o célebre “Povo Que Lavas no Rio” e alguns do Tony de Matos, que estava muito em voga e tinha tido um imenso sucesso no filme “Rapazes de Táxis”, ao lado de António Calvário, realizado pelo Constantino Esteves, a minha avó disse-me para eu escolher um disco e de imediato pedi ao funcionário da loja o “San Francisco” e deram-me para a mão o “I Left My Heart in San Francisco” do Tony Bennett e então pedi, a medo, se podia ouvir e quando a música começou a tocar, disse logo que não era aquele o disco. Na verdade o que eu pretendia era o “San Francisco” do Scott McKenzie, mas não sabia o nome do intérprete. 

Enquanto o funcionário da loja ateimava comigo que o disco que eu pretendia era aquele do Tony Bennett e eu dizia que não, a minha avó pessoa sábia disse para eu escolher outro, já que não queria aquele disco. Mas eu queria era o Scott McKenzie e o seu “San Francisco” (cidade que irei conhecer anos depois) e insistia no assunto com uma certa vivacidade e nisto a minha avó surge com um disco do Raphael, cantor espanhol que estava a ter um enorme sucesso na época com o tema “Yo Soy Aquele” e assim comecei a minha discoteca de Rock em pequenino com o Raphael, o meu primeiro vinil de 45 RPM, que é tudo menos Rock! 

Ao encontra-lo hoje no You Tube e na net a capa do respectivo disco de vinil, decidi contar-vos os primeiros passos do meu encontro com a música em formato de vinil. 

Nota: O gira-discos possibilitava escutar discos de 16, 33, 45, 78 RPM, embora só tenha tido discos de vinil de 33 e 45 RPM.

W. H. Smith - Paris


A "W. H. Smith" em Paris, na Rue do Rivoli.
uma das nossas livrarias favoritas, 
(para adquirir livros em inglês).

Ron Oliver - "The Christmas Train"

"The Christmas Train"
Fox Life - sábado 29/12 às 18h30
Vale a pena ver!

Ron Oliver – “The Christmas Train”


Ron Oliver – “The Christmas Train”
(EUA – 2017) – (99 min./Cor)
Dermot Mulroney, Kimberley Williams-Paisley, Danny Glover, Joan Cusack.

Na véspera de Natal falei aqui em diversos filmes com temática Natalícia que estavam a ter exibição no canal de televisão Fox Life, porque no período das Festas todos adoramos ver estes filmes, mas faltou-me escrever sobre este maravilhoso “The Christmas Train”, que é profundamente cinematográfico.

E dizemos isso porque os seus actores são nomes que nos habituámos a ver no grande écran: Dermot Mulroney, não precisa de apresentações, já Kimberley Williams-Paisley é uma das protagonistas do maravilhoso “Um Verão no Lago”, (filme “irmão-gémeo” de “Os Amigos de Alex”), Danny Glover o parceiro de Mel Gibson na dupla de “Arma Mortífera” e Joan Cusack, do clã Cusack, cujos membros navegam no cinema de geração em geração.

Depois temos um argumento profundamente cinematográfico, com romance, mistério, tragédia e… mas também algumas das personagens que viajam naquele comboio vivem do cinema: um realizador, uma argumentista, um jornalista e “candidatos a actores”, para além dessa “população” com quem nos cruzamos cos comboios, nas viagens de longo curso.

Desejando-vos a continuação de umas Boas Festas, nesta altura em que o final do ano se aproxima, convido-vos a verem este filme maravilhoso!

Fox Life: sábado (dia 29) às 18h30

O Belo Rosto de Um Livro!


Pertenço a uma geração que passava a vida nos cafés, tardes e noites com um café e um copo de agua, mais um cinzeiro repleto de beatas na mesa, conversando e por vezes discutindo livros e autores, não havia telemóveis a incomodar, televisões a transmitir desafios de futebol para uma multidão em delírio, nem laptops para desviar-nos o raciocínio dessas discussões em que cada um defendia os seus pontos de vista e os seus autores de eleição. Recordo-me de um dia alguém dizer que a capa de um livro podia bem ser mais apelativa que o seu conteúdo, causando um enorme escândalo nos restantes presentes à volta da mesa. A noite já não era uma criança e o café fechava por volta das duas da manhã. Hoje até já esse café encerrou ou melhor transformou-se em estabelecimento Gourmet!

Infelizmente, neste século XXI, a publicidade conquista os incautos, e muitas vezes nas grandes superfícies o espaço e a disposição dos livros nas prateleiras, com os seus destaques, são por vezes fruto de acordo económico. Porque não fugir ao marketing, aos best-sellers e aos tops de venda e partir para essa grande aventura que é a conquista das prateleiras das livrarias, coscuvilhando o que por lá se encontra, procurarem nos alfarrabistas as pérolas que por lá andam, o importante não é a capa de um livro ou o estado de um livro, mas sim o seu conteúdo E já agora não se esqueçam, leiam os surrealistas, eles fazem-nos tanta falta!

David Bailey - "Monica Vitti"


"Monica Vitti", 1965
David Bailey

António Costa Pinheiro - "Fernando Pessoa, ele mesmo com a minha chávena de café, um pincel e um lápis meus e a sua chávena de café"


"Fernando Pessoa, ele mesmo com a minha chávena de café,
um pincel e um lápis meus e a sua caneta", 1980
Guache sobre papel, 110 x 73 cm
António Costa Pinheiro



As vezes tenho ideias felizes,
Ideias subitamente felizes, em ideias
E nas palavras em que naturalmente se despejam...

Depois de escrever, leio...
Porque escrevi isto?
Onde fui buscar isto?
De onde me veio isto? Isto é melhor do que eu...

Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta
Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?

Álvaro de Campos
18/12/1934

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Oscar Levant - "Um Americano em Paris" / "An American in Paris" - Vincente Minnelli


George Gershwin - "Concerto in F" 
Oscar Levant - piano 
"Um Americano em Paris" / "An American in Paris" 
Vincente Minnelli 

Oscar Levant foi pianista e compositor, mas muitos se recordam dele como actor em diversos filmes e muito em especial na película de Vincente Minnelli "Um Americano em Paris" / "An American in Paris". Amigo de George Gershwin, o pianista Oscar Levant estudou com Arnold Schoenberg e foi convidado pelo próprio Aaron Copland para interpretar algumas das suas composições. Com programas na radio e também na televisão, Oscar Levant percorreu diversas áreas ao longo da sua carreira, mas uma das suas interpretações mais célebres no cinema é esta memorável sequência que aqui vos deixo de "Um Americano em Paris" / "An American in Paris", em que ele interpreta todas as personagens que vemos no écran. Recordo-me que a primeira vez que vi o filme era ainda criança, teria uns 7 anos e fiquei maravilhado com o que vi, não fixei o nome do filme, mas a sequência ficou para sempre na minha memória!

On the Road Again!


Com a passagem do tempo as memórias vão-se avolumando, não nessa tentativa impossível de viver no passado, mas sim de relembrar esses bons momentos que nos marcam a passagem o tempo e o nosso reencontro, com certos livros que se encontram repletos de memórias. 

Quando observo a capa de um livro, recordo-me do local onde o comprei e da época em que ele me chegou às mãos, quando o li pela primeira vez e muitas vezes até me apetece viver no seu anterior ou melhor conviver com as personagens criadas pelo escritor, que por vezes é o próprio protagonista do romance ou criam personagens a partir de pessoas que se cruzaram com eles ao longo da vida, na maioria dos casos mudando-lhes o nome.

Marcel Proust fez isso com os seu “Em Busca do Tempo Perdido” e Jack Kerouac no seu “Pela Estrada Fora” também o fez, recorde-se que Kerouac era um leitor e admirador do escritor francês. Mas se me perguntassem se gostaria de viver no interior de um livro como personagem, o livro eleito seria certamente o “On The Road” / “Pela Estrada Fora” do Jack Kerouac! 

Porquê? 

Simplesmente porque um dia, no século passado, tive a felicidade de lhe seguir o rasto pela estrada fora, cruzando a célebre estrada 66 (entre outras), convivendo com os seus herdeiros, que ao longo da costa californiana (Monterey) ali permanecem nas suas roulottes, muitos deles ainda escrevendo poesia e short-stories, e mais tarde a chegada a S. Francisco e o repouso merecido no Vesúvio na companhia de uma loura cerveja, após uma longa viagem. Como é belo termos as nossas memórias repletas de livros!

Top of the Pops - Vol. 13


Top of the Pops 
Vol. 13
33 RPM 
1970

Tudo começou em 1968 e durou até 1984 e essa aventura chamou-se “Top of The Pops” e tratava-se de álbuns que ostentavam na capa uma jovem (“revelando alguns atributos”) e que ofereciam os hits do momento num álbum que custava o preço de um single e venderam imenso ao longo dos anos nas mais diversas paragens deste Planeta Terra. A editora era a Pickwick Records que ostentava o selo Hallmark. De referir que uma das últimas figuras a surgir na capa, oferecendo-nos o seu talento, foi a modelo Samantha Fox. 

O volume 13, surgido no ano de 1970, oferecia-nos os seguintes temas: 

1 – You Can’t Get It If You Really Want. 
2 – Band of Gold. 
3 – Me and My Life. 
4 – Which Way You Goin’ Billy? 
5 – Give me Just A Little More Time. 
6 – Love is Life. 
7 – Tears of a Clown. 
8 – Sweetheart. 
9 – Montego Bay. 
10 – Don’t Play That Song. 
11 – Our World. 
12 – Close To You. 

Recordo-me bem destes discos, já que um familiar me ofereceu vários, sendo um dos mais tocados lá por casa este volume 13 dos “Top of The Pops”, cuja capa é reproduzida em cima, tendo este álbum em concreto (penso que os restantes também), sido comprado na loja Singer que existia nos anos 60/70 no Largo do Camões, encontrando-se os mesmos num escaparate perto da porta de entrada da loja. Hoje em dia não estariam certamente por lá durante muito tempoJ! 

Mas o curioso da feitura destes álbuns da série “Top of The Pops” era o facto de as canções que se escutavam não serem as originais, devendo no entanto ter sido milhões os que as ouviram pensando que estavam a ouvir os temas originais. As gravações das canções eram efectuadas num Estúdio, com excelentes condições técnicas e intérpretes desconhecidos, cujos nomes nunca iremos saber, que tentavam reproduzir fielmente o original. Fala-se até que alguns nomes famosos em início de carreira ou a darem os primeiros passos passaram por lá. Eram “covers” e ninguém sabia! 

Place des Voges: uma Pérola de Paris!


Situada no célebre Bairro do Marais, a Place des Voges, a praça mais antiga de Paris, foi construída segundo os desejos de Henry IV e levou alguns anos a ser edificada (1605 a 1612), oferecendo-nos uma geometria única e perfeita (140 m x 140 m num quadrado perfeito), em que os edifícios rectilíneos enquadram o belo jardim convidativo para um pequeno descanso, em que é possível repousar a ler um livro ou simplesmente deixar a vida passar tranquilamente, numa dessas pausas que tanto necessitamos, especialmente os Parisienses, que com a passagem dos anos correm cada vez mais de segunda a sexta. Ao passearmos ao longo da Place des Vosges são inúmeras as galerias que nos convidam a uma visita e nos oferecem obras surpreendentes, assim como a famosa casa do escritor Victor Hugo, um desses locais que respira literatura à medida que vamos percorrendo as diversas divisões que constituíam o seu refugio literário, e mesmo ali ao lado poderá sempre visitar o célebre Museu Picasso e esperar que o famoso Museu Carnavalet reabra as suas portas (encontra-se encerrado até ao final de 2019 para obras de renovação) e não se esqueça de reeditar o livro que Lawrence Durrel escreveu sobre ele, uma das suas obras literárias que continua a fugir-nos entre os dedos. Por outro lado a Place des Vosges revela-se como um dos mais belos e tranquilos locais de Paris para se estar na companhia de um livro.



Uma das obras expostas 
numa das galerias existentes 
na Place des Vosges, em Paris.

David Seymour - "Ingrid Bergman"


"Ingrid Bergman", Roma,1952
David Seymour

José Feliciano & Quincy Jones - “”Mackenna’s Gold”



José Feliciano & Quincy Jones 
“”Mackenna’s Gold” 
45 RPM 
1970

1 - Old Turkey Buzzard
2 - Revé Parisien
3 - Soul Full of Gold
4 - Ole Turkey Buzzard

Desde muito cedo que me deixei fascinar pelas bandas sonoras dos filmes e fosse uma simples canção que surgia na película e me cativava ou a banda sonora orquestral que terminava por trautear em criança, ajudaram-me nessa época, ainda com um dígito de idade, a fixar o nome de filmes e os seus intérpretes, só mais tarde viriam os realizadores, produtores, argumentistas, enfim o cinema como paixão. 

Este “Ouro de Mackenna” / “Mackenna’s Gold”, realizado por J. Lee Thompson e protagonizado por Gregory Peck e Omar Sharif (dois actores cujo trabalho sempre me deslumbrou), possui uma banda sonora típica dos “westerns” clássicos, mas com um “toque” bem diferente do tradicional e isso deve-se à genialidade do compositor Mr. Quicy Jones e por outro lado tinha um tema cantado por José Feliciano, que vai muito na linha do que escutamos no “Rio Bravo” de Howard Hawks, pela voz de Ricky Nelson e também temos nesta película uma jovem índia que na época me deixou fascinado, mas isso já é outra história! 

Posso assim dizer que a minha colecção de bandas sonoras se iniciou com este EP, cujo filme vi em estreia no Monumental com a minha avó e algumas semanas depois fui ver com um amigo, ao famoso Jardim Cinema (também conhecido pelo “Palhinhas”), tudo por causa da jovem índiaJ! 

De referir que este EP era composto por quatro faixas, dois temas instrumentais de Quincy Jones e a canção do filme em duas versões: a que se escutava no filme em inglês, cantada pelo José Feliciano, que depois nos irá oferecer no disco a versão em espanhol ou castelhano, como é agora mais politicamente correcto referir.

Tintin - Hergé

A mais célebre Banda desenhada franco-belga!

Livros: os melhores amigos!


Não há melhor prenda que um livro e também para matar a fome de leitura nada melhor do que devorar livros em papel, como nos convida a fazer na imagem o célebre actor francês Gerard Philippe, um belo cartaz fotografia ou poster como dizíamos nos tempos da minha adolescência, para colocar na parede do quarto ou na sala, quando já somos os detentores do espaço que habitamos. 

Curiosamente antes de partirmos para Paris, estivemos a ver na televisão uma das sempre aliciantes emissões de “300 Millions de Critiques”, que é emitida em Portugal na TV5 Monde, ao sábado, apresentada por Guillaume Durand, ao qual se juntam diversos convidados, que nos falam dos acontecimentos culturais ocorridos no universo francófono, uma emissão bem humorada e descontraída, registada habitualmente no Instituto do Mundo Árabe, em Paris, cuja visita desde já recomendamos. 

Sendo um dos temas inevitáveis da sempre aliciante emissão de “300 millions de critiques” os célebres Bouquins, ou se preferirem os livros, e nesse dia Guillaume Durand trouxe consigo excelentes livros, todos comprados em bouquinistas (são célebres os que se encontram ao longo do Sena e no Boulevard Saint Michel), com preços entre os cinquenta cêntimos e os dois euros, demonstrando como esse prazer da leitura, de que falou Rolland Barthes, permanece bem acessível a todos. 

Podemos confirmar que se encontram livros maravilhosos ao preço de uma simples moeda, nas ruas de Paris. Por isso, façam como o Gerard Philippe, devorem livros em papel e ofereçam livros em papel, porque eles revelam-se sempre como o melhor presente, para além de se tornarem muitas vezes num amigo para sempre!

Nicolas Tikhomiroff - "Brigitte Bardot"


"Brigitte Bardot", 1958
Nicolas Tikhomiroff

Wolfgang Amadeus Mozart - "Concerto Pour Flute et Harpe en Ut Majeur K.299"


Wolfgang Amadeus Mozart 
Concerto Pour Flute et Harpe en Ut Majeur K.299 
Les Petits Riens (Ballet) 
Walter Koffman – Flute 
Holga Lebowisch – Harp 
Orchestre de la Société des Concerts de Vienne 
Karl Ritter 
33 RPM

Concerto Pour Flute et Harpe en Ut Majeur K.299 
1 - Allegro - 10:26
2 - Andantino - 7:37
3 - Rondo Allegro - 10:16
4 - Les Petits Riens (Ballet)  - 13:15

Este foi o meu segundo disco/álbum da denominada música erudita ou se preferirem música clássica que tive e foi comprado na companhia da minha avó na discoteca da Casa Africana, tendo pedido na altura à funcionária da discoteca se podia escutar o disco e ela, após ter sorrido, ofereceu-me esse pequeno prazer. 

Como cheguei a esta obra do amigo Amadeus prende-se acima de tudo com o facto de ter começado, ainda com a idade de um digito, a escutar a hoje denominada Antena 2, na época era o posto da “música clássica” na gíria e andava fascinado com o som desse belo instrumento que é a harpa que tinha escutado numas peças que tinham transmitido, num desses dias em que esperava pela peça de teatro que era hábito ser transmitida ao domingo e assim, caro Amadeus, tanto podia ser este belo concerto como outro qualquer, mas confesso que fiquei apaixonado por este belo concerto para flauta e harpa e depois temos sempre esse belo “Les Petits Riens” de que nunca mais me esqueci. 

Bud Fraker - "Audrey Hepburn"


"Audrey Hepburn", 1953
Bud Fraker

City Lights Bookstore - S. Francisco, California


A histórica livraria "City Lights Bookstore" em S. Francisco, fundada em 1953 pelo poeta beatnick Lawrence Ferlinghetti e Peter D. Martin (que abandonará o projecto dois anos depois), sendo substituído por Nancy Peters, que iria dedicar a sua vida a esta casa editora e livreira. A City Lights Bookstore fica situada no nº261 da Columbus Avenue e do outro lado da rua (Jack Kerouac Street) situa-se o "Vesúvio", o mítico café da geração Beatnick! Um lugar onde "perdi a cabeça" a comprar livros do Jack Kerouac e na cave descobri o universo dos livros de cinema, já ao entra no "Vesúvio" realizei um dos sonhos da minha vida!

Cinema Politeama



Embora o Cinema Politeama tenha nascido com o nome de Teatro Politeama a 6 de Dezembro de 1913, estando na inauguração o Presidente da Republica Manuel de Arriaga e o “mal-amado” Chefe do Governo Afonso Costa, que o diga Fernando Pessoa, será no ano seguinte, 1914, que se dará início à exibição de filmes e como não podia deixar de ser, nessa época da Primeira Republica, apenas a minha avó era nascida, que se irá tornar cinéfila, arrastada pelo neto, nos anos 60. Mas antes, em plena Segunda Grande Guerra, estreia no Cine-Teatro Politeama (que tinha “rectificado” o nome), o célebre filme “Casablanca” com Humphrey Bogart e Ingrid Bergman, a vestirem a pele de Rick e Ilsa, numa love story que marcou a Sétima Arte.







O primeiro filme que me recordo de ver no Cinema Politeama, na década de 60, foi precisamente “A Bela Adormecida” / “Sleeping Beauty” de Walt Disney, que permanece, até aos dias de hoje, o meu filme preferido da Disney. Teria cinco anos e fui na companhia de pessoas amigas da minha mãe e ainda hoje guardo na memória esta ida ao cinema com outras crianças, possivelmente uma das primeiras vezes em que estive profundamente maravilhado em frente de um grande écran de cinema.




Depois o Politeama tornou-se uma das salas de cinema da minha infância, graças a uma amiga da minha avó que nos oferecia bilhetes para os filmes e foi assim que fui introduzido nesse território maravilhoso que é o “western” na minha infância, em que não só tínhamos os filmes “Made in USA”, como também o “Western-Spaghetti”, oriundo de Itália e muitas vezes rodado em Espanha. Eram os Gringos, os Ringos, os Sartana, os Zorros, com títulos como “Adeus Gringo” / “Adios Gringo” de R. G. Finley, com Giuliano Gemma e Elaine Stewart, nos protagonistas ou “Gringo Não Perdoa” / “Per Pocchi Dollar Ancora”, realizado por Giorgio Ferroni, que também assinava algumas películas como Calvin J. Padget e se nos filmes não conhecia o rosto dos realizadores, nem os nomes, já com os actores tal não sucedia e não é quando um dia descubro que o actor Giuliano Gemma também se “chamava” Montgomery Wood e nesse dia fui para casa mesmo confuso, como podia alguém ter dois nomesJ!? 


Mas nem só de “westerns” vivia o Cinema Politeama, já que o denominado “Filme de Guerra” era presença obrigatória nesses anos e assim fixei para sempre “Os Veteranos de Tobruk” / “Raid on Rommel” realizado por Henry Hathaway e com Richard Burton a comandar o elenco, um nome e rosto que fixei rapidamente. Já “A Batalha de El Alamein” / “La Bataglia de El Alamein” de Giorgio Ferroni (que também usava o nome de Calvin Jackson Padget) e “Testa de Ponte” / “Testa di sbarco per otto impalcabili” (que teria também o título de “Hell in Normandia” sendo o seu realizador Alfonso Bescia, “baptizado” como Al BradleyJ!), duas películas que, por razões que a própria razão desconhece, conservo na minha memória cinematográfica.


Quanto às comédias, no Cinema Politeama vi também inúmeras, mas foram as que eram protagonizadas pela dupla italiana constituída por Franco Franchi e Ciccio Ingrassia, que mais me faziam rir, retendo na memória a película de Mariano Laurenti “Os Dois Magos da Bola” / Ii Due Maghi del Pallone” e uma outra película, cujo nome não consegui localizar e que abordava, de forma bem divertida, o fenómeno das Televisões Pirata em Itália.



Mas foi também no Cinema Politeama (para mim será sempre esse o seu nome), que me “encontrei” pela primeira vez com Marilyn Monroe em “Niagara”, em que fiquei sentado na plateia e me senti esmagado pelo tamanho do écran e as famosas cataratas, para além da beleza da senhora. E por falar em estrelas, foi também nesta sala que fixei o rosto e o nome da bela Claude Jade em “Monte Cristo 70” / “Sous le signe de Monte-Cristo” de André Hunebelle, uma película datada de 1968J, para anos mais tarde a reencontrar ao lado dessa personagem, símbolo de uma geração, chamada Antoine Doinel! .







Por outro lado, fiquei também marcado (no bom sentido da palavra) por uma sessão dupla no interior de um ciclo dedicado ao “western”, em que foram exibidos o “High Noon” / “O Comboio Apitou Três Vezes” de Fred Zinneman (desconhecendo toda a carga política que a película possuía) e “Two Mules for Sister Sarah” / “Os Abutres Têm Fome” de Don Siegel, em que fixei o nome e o rosto de Clint Eastwood, para sempre, para além dessa actriz maravilhosa, que já conhecia de outras fitas, chamada Shirley MacLaine, duas películas que fui revendo ao longo dos anos.






No final da década de oitenta o cinema Politeama fechou portas e irá regressar como Teatro, mantendo muita da sua traça original em termos arquitectónicos e conquistando de novo o público para a sua bela sala. Quanto a mim guardo gratas memórias deste espaço e, ao chegar aqui, ouvi na minha memória o grito estridente que uma das minhas amigas deu, quando viu os dedos de Kirk Douglas a serem cortados na película “The Big Sky” / “Céu Aberto” de Howard Hawks, até a minha avó ficou assustada e depois o que nos rimos todos do sucedido, ao chegarmos à Pastelaria Trevo, no Largo do Camões, para lanchar.