segunda-feira, 7 de agosto de 2017

John Sayles – “Lone Star – Um Corpo no Deserto” / “Lone Star”


John Sayles – “Lone Star – Um Corpo no Deserto” / “Lone Star”
(EUA – 1996) – (135 min. / Cor)
Chris Cooper, Elizabeth Pêna, Kris Kristofferson, Matthew McConaughey.

Estamos numa pequena cidade chamada Rio County, perto da fronteira com o México e um dia é descoberto um cadáver no deserto, que irá de imediato despertar a atenção de todos, incluindo o próprio xerife Sam Deeds (Chris Cooper), obrigando-o a uma investigação que, inevitavelmente, o irá conduzir ao passado, acordando fantasmas à muito adormecidos, assim como a revelação de um segredo guardado ao longo dos anos de forma feroz pelo seu próprio pai, adjunto do então poderoso xerife da localidade. Charlie Wade  (Kris Kristofferson) e pela mãe da professora da aldeia, cuja filha, desde tenra idade, iluminou de paixão os sentimentos de Sam Deeds.


“Lone Star – Um Corpo no Deserto” abriga, mais uma vez, esse território por excelência do cineasta John Sayles, que através de poderosos “flashbacks” nos irá conduzir ao passado, revelando os conflitos e o racismo existente na pequena localidade, em que os mexicanos são sempre olhados como cidadãos de segunda e os negros como pessoas a expulsar. Ao longo do inquérito, iremos perceber como o anterior xerife, considerado pela comunidade como um herói, até vão inaugurar uma estátua à sua memória, era um homem corrupto, que fazia da violência e da prepotência a sua própria lei, não olhando a meios para atingir os seus fins, não hesitando em matar quem se atravessasse no seu caminho.


Ao longo deste poderoso filme, John Sayles constrói os “flashback” de forma memorável, inserindo-os por vezes no mesmo plano sequência, revelando uma genialidade enorme nessa mesma construção e à medida que vamos avançando na história, percebemos como o medo possibilita a manipulação dos membros daquela comunidade, ao mesmo tempo que vamos descobrindo lentamente as razões porque o seu pai, um homem credível e honesto lutando pela igualdade de todos os seus concidadãos, se revelava uma pessoa prepotente, quando via o seu pequeno filho a namorar com essa rapariga mexicana que lhe iluminava o coração.


John Sayles assina em “Lone Star – Um Corpo no Deserto” a sua obra-prima absoluta, explorando de forma perfeita os sentimentos dos diversos protagonistas, ao mesmo tempo que, mais uma vez, nos convida a visitar o coração dessas pequenas comunidades perdidas no interior da América profunda, sempre repletas de pequenas histórias, que muitas vezes alteram a vida dos seus habitantes, que terminam por morrer, levando para a cova pequenos segredos que transformaram, contra a sua própria vontade, o rumo das suas vidas.

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