segunda-feira, 3 de julho de 2017

Norman Jewinson – “No Calor da Noite” / “In The Heat of The Night”


Norman Jewinson – “No Calor da Noite” / “In The Heat of The Night”
(EUA – 1967) – (111 min. / Cor)
Sidney Poitier, Rod Steiger, Warren Oates, Lee Grant.

Sidney Poitier foi um dos primeiros actores negros a dar nas vistas no cinema americano contemporâneo. Todos nos recordamos dele em “Adivinha Quem Vem Jantar” / “Guess Who’s Coming To Dinner” ao lado de Spencer Tracy e Katherine Hepburn, sendo inesquecível o momento em que o casal liberal descobre que o namorado da filha não é branco. Mas seria na personagem do detective Virgil Tibbs que ele iria dar que falar.


Curiosamente, esta película de Norman Jewinson é fruto dos tempos de então, liberal quanto basta, muito longe do que iremos mais tarde encontrar em “Mississipi em Chamas” de Alan Parker, um cineasta que até hoje, infelizmente, nunca recebeu os favores da crítica. Sidney Poitier nunca vestiu a pele do negro rufia, mantendo-se sempre no interior do politicamente correcto, ao contrário do que faria muitos anos depois Denzel Washington em “Dia de Treino” / “Training Day”, na figura do polícia corrupto, aliás o mesmo Denzel Washington irá mais tarde na obra de Spike Lee “Inside Man” vestir a pele do polícia negro com todos os maneirismos e tiques, de uma forma fabulosa, enquanto Sidney Poitier na personagem de Mr. Tibbs veste o fato do polícia branco.


Não queremos de forma alguma desvalorizar a interpretação de Sidney Poitier em “No Calor da Noite”, um policial passado numa daquelas pequenas cidades norte-americanas, em que o factor da diferença (neste caso a cor da pele) é sinónimo de marginalidade, perante um chefe de polícia cheio de certezas, um Rod Steiger excelente, que viria até a receber um Oscar pela sua interpretação neste filme.
Todo o clima que rodeia “In The Heat of The Night” oferece-nos um excelente policial, com uma galeria de secundários acima de qualquer suspeita, onde se destaca o falso culpado Warren Oates. A pouco e pouco Mr. Tibbs vai desmontando a teia que o rodeia, assim como não aceita a política do facto consumado, quando lhe apresentam um culpado a fim de o verem pelas costas.


O racismo na sua forma mais primária vive em cada fotograma e passado meio-século sobre a película, não encontramos nela sinais de se encontrar datada, apenas descobrimos que na América interior muito pouco mudou. Se nas grandes cidades os tempos são diferentes e recorde-se que Mr. Tibbs é oriundo de uma grande cidade, onde até é um dos melhores detectives do Departamento, já o cidadão comum de cor diferente não tem direito a uma existência condigna, sendo olhado sempre de forma suspeita. A América dos anos sessenta ainda vive nas” little town” do Novo Mundo.

Norman Jewinson

Para quem deseja descobrir a personalidade de Mr Tibbs aqui fica a sua trilogia cinematográfica: “No Calor da Noite” / “In The Heat of the Night”; “They Call Me Mr. Tibbs” / ”Chamam-me Mr. Tibbs” e “The Organization” / “A Organização”. Quanto a Norman Jewinson, um dos cineastas liberais surgidos nos anos sessenta, será sempre curioso comparar esta película com a de “A História do Soldado” / “A Soldier’s Story”, realizado muitos anos depois, em que a cor do racismo é diferente e onde todos os protagonistas são negros, mas como diria George Orwell, somos todos iguais, mas uns são mais iguais do que outros.

2 comentários:

  1. Um filme que merece mesmo ser recordado, num tempo em que a intolerância parece aumentar!

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