segunda-feira, 10 de julho de 2017

Nancy Meyers – “O Amor Não Vai de Férias” / “The Holiday”


Nancy Meyers – “O Amor Não Vai de Férias” / “The Holiday”
(EUA – 2006) – (138 min. / Cor)
Cameron Diaz, Jude Law, Kate Winslet, Jack Black, Eli Wallach.

Longe vão os anos em que a comédia dava cartas no cinema. Mas, nos dias de hoje, o cinema clássico é mestre no género e o cinema moderno lá se vai inspirando na memória dos movies para criar a comédia. Todos sabemos que Billy Wilder e Ernest Lubitsch, só para falar em dois grandes, nunca tiveram sucessores por muito que se esforçasse Mel Brooks e companhia. No entanto ainda temos actores em que a comédia lhes está na pele, imaginem simplesmente um “duelo” entre o Cary Grant de “A Minha Mulher Favorita” e o Jack Nicholson de “Melhor é Impossível” ou se preferirem o duelo entre a “Meg Ryan” de “Você Tem Uma Mensagem” com a Katherine Hepburn de “Casamento Escandaloso” e depois ainda temos esse cineasta das mulheres, o genial George Cukor. Agora imaginem o que será uma comédia realizada por uma executiva dos Estúdios e teremos “O Amor Não Tira Férias”.


“The Holiday” é uma película de Nancy Meyers ex-executiva dos Estúdios e também argumentista, que desta vez não se esforçou em polir o argumento, ao contrário do que sucedera em “Something’s Gotta Give” / “Alguém Tem Que Ceder”. Nancy Meyers que se estreou como argumentista no filme de Herbert Ross “Protocolo” com Goldie Hawn na protagonista, iria encontrar em Charles Shyer (“Baby Boom” com a Diane Keaton, recordam-se?) o seu parceiro para a vida e para os filmes, terminando até por as duas filhas de ambos servirem de modelo em  “The Parent Trap”, uma armadilha montada pelas gémeas para unirem os pais, o que resultou no filme de baptismo de Nancy Meyers, depois Mel Gibson começou a escutar o que as mulheres diziam e nasceu “What Women Want”, uma daqueles películas que o actor já deve ter renegado não fosse o apocalipse cair sobre ele. Com este curriculum e depois do êxito proporcionado por Jack Nicholson e Diane Keaton, esperávamos melhor de Nancy Meyers.


“O Amor Não Vai de Férias” oferece-nos duas histórias paralelas em que duas personagens femininas são trocadas pelos namorados e, como o Natal bate à porta, decidem trocar de casa por duas semanas para esquecerem os seus desgostos. Desta forma a americana parte para Inglaterra sendo o Surrey, a 40 minutos de Londres, o seu destino e a inglesa vê nascer Los Angeles aos seus pés. Se a primeira tem uma pequena casinha à sua espera na ilha, já a inglesa descobre uma mansão. Chegados aqui quase descobrimos a troca de casas de “Um Divã em Nova Iorque” de Chantal Ackerman, com William Hurt e Juliette Binoche nos protagonistas. Só que desta feita Cameron Diaz é Amanda Woods uma produtora de trailers que ganha rios de dinheiro, mas vê o seu companheiro confessar que dormiu com a miúda do escritório. Já Kate Winslet trabalha numa editora e vê a paixão da sua vida anunciar o casamento com a colega do andar de cima. Dois corações desfeitos partem assim para territórios desconhecidos em plena época natalícia.


Nancy Meyers pretendia desenvolver duas histórias em paralelo, mas faltou-lhe arte e engenho acabando pela história/romance entre Cameron Diaz e Jude Law (Graham, um editor) nos ocupar a memória, enquanto o encontro de Kate Winslet e Jack Black (Miles, um compositor) para se aguentar, necessita da história de Eli Wallach na figura do argumentista Arthur Abbott, que através do cinema clássico lhe vai ensinar a arte de amar: “não nos esqueçamos que foi ele que introduziu o célebre kid, na frase de “Casablanca”. Estamos assim perante duas histórias de amor em período natalício e se na passada em Inglaterra o amor não tirou mesmo férias, já em Los Angeles ele foi mesmo dar uns mergulhos na praia de Santa Mónica, que recomendo com saudades.

Nancy Meyers

Cameron Diaz está igual a si própria e Kate Winslet muito mais actriz dramática do que comediante esforça-se para conseguir sobreviver a esta comédia, quanto ao sector masculino Jude Law oferece-nos todo o seu charme estando perfeitamente credível na personagem, já o mesmo não podemos dizer de Jack Black (um enorme erro de casting), que nunca consegue fazer com que um sorriso nos nasça no rosto. Num “cameo” fugaz de segundos e dizendo uma deixa num videoclube, Dustin Hoffman deixa K.O. Jack Black.
Numa época em que a comédia americana vive uma das épocas mais negras da sua história, “O Amor Não Tira Férias” / “The Holiday”, ainda nos consegue fazer sorrir, não tantas vezes como desejávamos, mas mesmo assim rimos e terminamos por ser cativados por ele.

2 comentários:

  1. Divertimento natalício, com Eli Wallach a dar uma bela lição de representação!

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    1. O velhinho Eli Wallach tão bem conhecido dos cinéfilos invade o écran de magia sempre que surge e com uns diálogos cinéfilos bem sugestivos.
      Bom dia!

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