segunda-feira, 17 de julho de 2017

Michael Patrick King - "O Sexo e a Cidade" / "Sex and The City"


Michael Patrick King – “O Sexo e a Cidade” / “Sex and The City”
(EUA - 2008) – (148 min. / Cor)
Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall, Kristin Davis, Cynthia Nixon, Chris Noth, David Eigenberg, Jason Lewis, Candice Bergen.



Nesse filme fabuloso realizado por Martin Scorsese e intitulado “Life Lessons” / “Lições da Vida”, no final da película, o pintor interpretado por Nick Nolte confessava no bar à futura aspirante a pintora que New York era a cidade, a única cidade onde o sucesso poderia espreitar ao virar da esquina e na verdade foi isso mesmo que aconteceu a Sarah Jessica Parker, quando decidiu protagonizar uma das séries que se tornaram mais famosas da história da televisão. Falamos de “Sex and the City” que durou diversos anos em regime de “prime-time” e fez as delícias de milhões de tele-espectadoras. E falamos no feminino porque o auditório desta série sempre foi composto maioritariamente por mulheres. Se irá ficar na história da televisão, o futuro o dirá, mas que fez de Sarah Jessica Parker um nome famoso no pequeno écran, lá isso é verdade.


Esta série, que surgiu nos écrans da caixa que mudou o mundo em 1998, arrastou multidões e quando o seu criador Darren Starr a deu por terminada, muito se falou na hipótese de se fazer o filme para o grande écran, para fechar algumas portas que a série deixou abertas: o casamento de Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker) com o charmoso Mr. Big (Chris Noth); o desejo de gravidez nunca alcançado por Charlotte York (Kristin Davis); o rumo definitivo da relação entre Miranda Hobes (Cynthia Nixon) e o seu inconstante marido Steve Brady (David Eigenberg); conseguiria Samantha Jones (Kim Cattrall) abdicar definitivamente da sua querida Big Apple, pelo sol da Califórnia, no El Dorado de Hollywood?


Todas estas questões irão ter resposta no filme realizado por Michael Patrick King, realizador de muitos dos episódios da famosa série. Assim, a película surge como um complemento perfeito da série, fechando todas as portas deixadas ainda abertas no pequeno écran. Mais uma vez o sistema adoptado é idêntico: Carrie Bradshaw, a famosa colunista, autora de sucesso e ícone da moda, surge como narradora, iniciando-se o filme precisamente com esse famoso pedido de casamento de Mr. Big, tão desejado por ela. Mas nem sempre os caminhos que vão dar ao altar são perfeitos e, quando menos se espera, as dúvidas e o medo assaltam o noivo que acaba por faltar à cerimónia, ficando assim os dados lançados para o desenrolar do filme, que surge não como uma obra pensada para o grande écran, mas sim como a antítese do chamado episódio piloto das séries.


Iremos navegar com estas quatro mulheres no grande écran, ao longo de duas horas e meia, para descobrirmos finalmente como irão culminar as suas vidas e, como não podia deixar de ser, elas irão encontrar inúmeros obstáculos pelo caminho na conquista da felicidade tão desejada, terminando a película com o regresso de Samantha Jones à grande cidade, para comemorar os seus cinquenta anos e decidir que New York é a única cidade que a pode possuir, já que na matéria do desejo o sol californiano não a fez mudar de intenções. Enquanto Charlotte, que já tinha encontrado o seu Mr. Right, engravida com sucesso, dando à luz a criança que sempre desejou ter. Já Miranda percebe como é difícil a vida com Steve, principalmente depois de este lhe ter confessado o adultério, mas uma relação a dois, como sabemos, por vezes possui os seus buracos negros e não há nada como descobrir a melhor forma da memória lidar com eles. Por fim, a famosa Carrie Bradshaw chega ao registo de uma Conservatória e casa-se com Mr.Big, longe dos holofotes dos média, porque o amor deve ser sempre um dos segredos mais bem guardados de um casal.


 “Sex and the City” surge assim não como um filme feito propositadamente para o grande écran, mas a conclusão de uma série famosa em termos de audiência, que surgiu no grande écran aplicando a linguagem televisiva, sem qualquer rasgo de génio, mas apenas pretendendo terminar uma história que cativou milhões de espectadoras em todo o mundo e os resultados das receitas falam por si.
O “O Sexo e a Cidade” pretendeu ser, ao longo do tempo, o retrato de um conjunto de mulheres na grande metrópole, mas quando falamos de retrato de mulheres é inevitável surgir no horizonte essa obra-prima intitulada “The Women” realizado por George Cukor, o famoso cineasta das mulheres, que melhor do que ninguém nos ofereceu o mais belo retrato do universo feminino no Cinema e não há nada como rever o dvd do filme de Cukor e perceber as diferenças que separam a genialidade da mediania.

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