quarta-feira, 19 de julho de 2017

Luis Mandoki – “As Palavras Que Nunca Te Direi” / “Message in a Bottle”


Luis Mandoki – “As Palavras Que Nunca Te Direi” / “Message in a Bottle”
(EUA – 1999) – (132 min. / Cor)
Kevin Costner, Robin Wright Penn, Paul Newman, John Savage.

“Message in a Bottle” antes de ser um filme foi o maior “best-seller” de Nicholas Sparks, autor norte-americano, senhor de uma escrita cativante, que soma sucesso atrás de sucesso com os seus livros, possuindo no seu continente e em todo o mundo uma imensa legião de leitoras. Falamos no feminino porque as suas obras profundamente românticas destinam-se primordialmente ao público feminino e não nos esqueçamos que cerca de 70% dos leitores são do sexo feminino. E começamos por falar em Nicholas Sparks, ao abordarmos este filme de Luís Mandoki, porque o argumentista introduziu na história uma figura preponderante em todo o desenrolar da acção do filme chamado Dodge Black ou seja Paul Newman, o verdadeiro “fiel da balança” da película, assim como introduziu alterações no final, transformando um simples naufrágio num acto de heroísmo.


Estarei a contar a história? Enfim, já todos a sabemos e eu até li o livro depois de ter visto o filme e confesso que gostei da escrita de Nicholas Sparks. Mas falemos de Luís Mandoki e de “Message in a Bottle”. O cineasta nasceu no México em 1954 e tem trabalhado tanto no seu país como nos Estados Unidos, começou a dar nas vistas na área do melodrama quando assinou “White Palace” / “Loucos de Paixão” com Susan Sarandon e James Spader nos protagonistas, estávamos aqui perante uma história de amor entre um yuppie e uma empregada de um “Diner”, onde o cheiro dos hambúrgueres se fazia sentir na rua. Perante o sucesso do filme onde Susan Saradon está fabulosa, um novo melodrama é-lhe oferecido pelos Estúdios, trata-se de “Quando Um Homem Ama Uma Mulher” / “When a Man Loves a Woman” com Andy Garcia e Meg Ryan num papel dramático pela primeira vez e aqui entramos num dos mundos mais complexos do amor, no interior do alcoolismo no feminino, perante o olhar perturbado das crianças e o amor de um marido que a deseja a todo o custo, revelando-se um filme brilhante, mas com um sucesso relativo a nível de bilheteiras.


Desta forma, com provas dadas na arte do romantismo no cinema, foi com naturalidade que vimos “Message in a Bottle” ser entregue a Luís Mandoki, no entanto surgiu um problema já que o actor principal era Kevin Costner, que tentava relançar a sua carreira, estava então na sua fase mais baixa e foi muito difícil encontrar a sua “partenaire”, todos os nomes badalados na época, pertencentes ao “top ten” feminino recusaram contracenar com Kevin Costner, achando-o um verdadeiro veneno de bilheteira, Robin Wright Penn foi então a opção e poderemos dizer que após tantas dificuldades, o papel ficou muito bem entregue.
Chegamos assim a Cape Code lugar onde se encontra de férias Theresa Osborne (Robin Wright Penn) uma jornalista do “Chicago Tribune”. Ao passear na praia irá encontrar uma garrafa na areia, mas esta garrafa é diferente tem uma carta lá dentro, uma maravilhosa carta de amor assinada por G. Quem seria o enigmático G? Disposta a encontrá-lo Theresa, que até é divorciada, conta o sucedido nas férias a um dos jornalistas, mostrando a carta e ele decide publicá-la na sua coluna. Enquanto Theresa trabalha na pesquisa do “Chicago Tribune” uma multidão de leitores decide colaborar com ela, sendo a redacção do jornal invadida por centenas de cartas.


Os dados da história estão lançados e Theresa irá fazer-se encontrada com Garrett (Kevin Costner) mas nunca lhe falará da carta, segredo bem guardado e de imediato os sentimentos de ambos começam a movimentar-se, embora os dele estejam em luta permanente com o passado e com a família da esposa morta. Repare-se em toda a sequência em que o cunhado e os sogros tentam recuperar os quadros da filha, a forma violenta como Garrett se opõe a eles, ou a luta no bar aquando do primeiro encontro entre Theresa e Garrett.
Durante essa semana Theresa conhece o mundo de Garrett e mais tarde será Garrett a conhecer o universo de Theresa em Chicago. Entretanto surge essa figura inesquecível da história, Dodge Black (Paul Newman) a quem o filho conta as cervejas existentes no frigorífico, estamos perante um daqueles velhos teimosos, mas donos da sabedoria de um mundo, será através dele que Theresa irá conhecer a verdade dos factos e será através dele que iremos encontrar os melhores momentos da película, a sua presença é uma mais valia de “As Palavras Que Nunca Te Direi”.
Como todos sabemos Garrett é um homem em luta com as memórias de um passado perdido para sempre e ao descobrir como Theresa o conheceu fica perfeitamente louco pela forma como foi construída a mentira. Aqui temos nos momentos de maior tensão um Kevin Costner no seu melhor, com uma Robin Wright a oferecer-lhe uma boa réplica e nesta altura do filme já nem pensamos nos nomes que recusaram ser Theresa Osborne.


Todas as histórias de amor nem sempre tem um “happy-end”, como sucedia na época do cinema clássico, mas sempre imaginámos que um dia Rick e Ilsa, o par romântico de “Casablanca”, depois da guerra se voltariam a encontrar, porque viveram a mais perfeita história de amor, Em “Message in a Bottle” não há lugar para um final feliz, mas o argumentista Gerald Di Pego decidiu escrever um final digno de Garrett Black.
“As Palavras Que Nunca Te Direi” relançaram a carreira de Kevin Costner e contribuíram imenso no aumento das vendas do livro de Nicholas Sparks, para além de ser um dos filmes mais vezes exibido nas televisões, portanto conseguiu atingir os seus objectivos. Quanto à matéria que nos interessa, a qualidade da película, somos obrigados a reconhecer o bom trabalho desenvolvido por Luís Mandoki na direcção de actores, mantendo o controlo da embarcação nas restantes áreas. Talvez por isso mesmo, “Message in a Bottle” continua a ser uma película que se vê com agrado, mesmo quando já sabemos a história, gostamos de olhar, mais uma vez todas aquelas personagens e seguir a sua história. Esse é o grande segredo do filme, cativar uma audiência e neste caso sabemos que Garrett e Theresa “regressaram a casa”, chegando a um “porto seguro”, no território do melodrama. Mas nunca é demais referir que a personagem interpretada por Paul Newman, sempre que surge no écran, respira cinema por todos os fotogramas e sentimos o pulsar da Sétima Arte!

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Concordo em absoluto, Paul Newman revela-se uma mais valia para o filme.
      Boa noite!

      Eliminar