quinta-feira, 27 de julho de 2017

Jon Amiel – “A Paixão de Julia” / “Tune in Tomorrow”


Jon Amiel – “A Paixão de Julia” / “Tune in Tomorrow”
(EUA – 1990) – (107 min. / Cor)
Barbara Hershey, Keanu Reeves, Peter Falk, Patricia Clarkson.

Quando Mário Vargas Llosa, já galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, escreveu o romance autobiográfico “A Tia Júlia e o Escrevedor”, editado em Portugal, pela D. Quixote, nunca pensou, que muitos anos mais tarde, ele fosse levado ao cinema por um grande Estúdio de Hollywood, cujo argumento foi elaborado pelo escritor William Boyd. Mas assim aconteceu, sendo a película baptizada como “Tune in Tomorrow” / “A Paixão de Julia” sendo a célebre Tia Júlia a maravilhosa Barbara Hershey, enquanto o papel do futuro escritor seria entregue a Keanu Reeves, assumindo aqui a identidade de Martin Loader, já essa figura incontornável do romance, o “amigo radiofónico dos Argentinos”, Pedro Carmichael, iria ter Peter Falk como protagonista.


No entanto o argumento foi alterado de uma forma inconcebível, já que a Argentina foi substituída pela Albânia e os Albaneses. Quem leu o livro e viu o filme percebe que os Estúdios Americanos tiveram receio de um protesto diplomático por parte do país sul-americano e com um país como a Albânia de 1990, sentiram-se perfeitamente à vontade, para levarem avante a produção, sem terem receios de problemas jurídicos.

Mario Vargas Llosa e Julia Urquidi

O jovem Martin Loader (Keanu Reeves) vai trabalhar como jornalista para a rádio local e aí vai conhecer o famoso Pedro Carmichael (Peter Falk, numa notável interpretação), autor famoso da rádio novela, que demonstra nas suas emissões um desdém profundo pela Argentina e o seu povo, - isto no livro, enquanto no filme são os albaneses o alvo - tudo servindo para a sua sátira mordaz e corrosiva.
De imediato o jovem sente um profundo fascínio por Pedro Carmichael. Mas quando o autor do romance radiofónico descobre que Martin Loader e a sua Tia Julia se encontram envolvidos numa relação amorosa, de imediato começa a introduzir no folhetim radiofónico, o romance proibido entre a tia e o sobrinho, usando como sempre o humor como meio de atingir as audiências, criando em simultâneo um enorme problema ao par amoroso, que pensava ter a sua relação proibida, bem escondida de todos.


Jon Amiel que deu nas vistas ao realizar para a televisão a excelente série “O Detective Cantor” / “The Singing Detective”, em 1986, com Michael Gambon no protagonista, oferece-nos em “A Paixão de Julia” uma excelente direcção de actores, que caracterizam de forma perfeita as personagens criadas por Mário Vargas Llosa, embora seja sempre de lamentar a adulteração que foi levada acabo pelos Estúdios no que diz respeito ao argumento, como atrás já referimos.

De qualquer Modo “A Paixão de Julia” / “Tune in Tomorrow, mantém a frescura do romance do escritor Peruano, embora seja sempre de recomendar a leitura do romance auto-biográfico, “A Tia Julia e o Escrevedor”, sobre o qual já escrevemos aqui, para o leitor se maravilhar, no verdadeiro sentido da palavra, com a Arte desse grande Mestre da Escrita chamado Mário Vargas Llosa.

2 comentários:

  1. O grande Peter Falk, o eterno Columbo que não perdia por nada.
    Aquele abraço, bfds

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    1. Peter Falk, esse grande actor da "trupe" de John Cassavetes, tem aqui uma das suas maiores interpretações da sua carreira.
      Bom fim-de-semana.
      Um abraço!

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