domingo, 30 de julho de 2017

Jean-Luc Godard – “Eu Te Saúdo Maria” / “Je Vous Salue Marie”


Jean-Luc Godard – “Eu Te Saúdo Maria” / “Je Vous Salue Marie”
(França/Suíça - 1985) – (105 min. / Cor)
Myriem Roussel, Thierry Rode, Juliette Binoche, Philippe Lacoste.

“Há um cinema, antes e depois de Godard.”
George Sadoul


Myriem Roussel e Jean-Luc Godard

O cinema de Jean-Luc Godard é uma paisagem de imagens, sons, palavras, luz habitada na sua transparência por fotogramas nascidos na memória.
Olhar “Eu Te Saúdo, Maria” / “je Vous Salue Marie” é a (im)possibilidade de observar a doutrina cristã, à luz de Jean-Luc Godard. O filme de Maria é um novo andamento da Sinfonia Godardiana, invadida pelas partituras de “Número Dois”/”Numero Deux” e “Paixão”/”Passion”.


Contrariamente ao que faria supor, esta película de Jean-Luc Godard, tal como já sucedia com “A Última Tentação de Cristo” / “The Last Temptation of Christ” de Martin Scorsese” é um filme profundamente religioso. Não há heresias, mas sim, uma contemporânea História de Maria. No filme de Jean-Luc Godard, Maria é uma mulher igual a todas as outras, com as suas angústias, desejos e incertezas, amando José.
“Je Vous Salue, Marie”, embora nada ofereça de novo ao Universo Godardiano, (excepto o angélico rosto de Myriem Roussel!), é a tradução de uma Doutrina, segundo a visão de Jean-Luc Godard.


"O Livro de Maria" / "Le Livre de Marie"

O filme de Godard é acompanhado pela película de Anne-Marie Miéville, “O Livro de Maria” / ”Le Livre de Marie”, onde o território da separação é olhado pela criança, mais uma vez, segundo o percurso delineado na mesma época por Wim Wenders no seu “Paris/Texas”, não sendo por acaso que Aurore Clement, mãe adoptiva de Hunter no filme de Wim Wenders, é a mãe de Maria, na obra de Anne-Marie Miéville, “O Livro de Maria” é uma verdadeira surpresa, pela sensibilidade que respira cada fotograma.

4 comentários:

  1. Eis um realizador, Godard, de que só gosto da primeira fase da obra. Mas que, na minha opinião, realizou, nesse período, um filme soberbo: "Pierrot le Fou". Se calhar foi o maoísmo que lhe estragou a inspiração..:-)
    Um bom Domingo, para os dois!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A primeira fase de Jean-Luc Godard também é a minha favorita. Gosto imenso do "Vivre Sa Vie" e recordo-me que quando vi o "Pedro, O Louco" numa sala de cinema em 1976 (cinema Universal) saí bastante pensativoo. A denominada fase maoista com o Grupo Dziga Vertov, nos dias de hoje até é doloroso de rever e mesmo quando Godard regressou ao denominado cinema "comercial" com vedetas, não conseguiu igualar os seus filmes da década de sessenta. Mas confesso que continuo a gostar de ler as suas críticas de cinema do período dos Cahiers du Cinema (capa amarela).
      Neste século XXI, Godard tem vindo a repetir-se de filme para filme e apenas fiquei fascinado por uma exposição organizada por ele no Centro Pompidou já lá vão uns anos e por onde passava a memória do cinema.
      Obrigado pelo amável comentário e retribuo os votos de um excelente domingo!

      Eliminar
  2. A celeuma que este filme gerou!!
    E porquê??
    Aquele abraço, boa semana

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ainda recentemente o vi e estive na ante-estreia conturbada da película na sala da Cinemateca, aquando do ciclo que foi dedicado ao cineasta,, tratava-se apenas de mais um filme de Jean-Luc Godard e curiosamente gostei mais de "As Horas de Maria", realizado pela Anne-Marie Miéville, que é exibido em conjunto com a película de Jean-Luc Godard.
      Boa semana.
      Um abraço!

      Eliminar