sábado, 8 de julho de 2017

Hugh Hudson – “Memórias de África” / “I Dreamed of Africa”


Hugh Hudson – “Memórias de África” / “I Dreamed of Africa”
(EUA – 2000) – (114 min. / Cor)
Kim Basinger, Vincent Perez, Leam Aiken, Eve Marie Saint, Daniel Craig.

O cineasta britânico Hugh Hudson, iniciou-se no cinema com a curta-metragem “The Tortoise and The Hare”, realizando anos mais tarde um documentário sobre Fangio intitulado “Fangio – Una Vita a 300 all’ora”, mas será em 1981, graças ao produtor David Puttnam que todos lhe iremos fixar o nome, ao surgir nos écrans de todo o mundo, o oscarizado “Chariots of Fire” / “Momentos de Glória”, para três anos mais tarde ele nos voltar a surpreender com a sua versão de Tarzan, onde iremos descobrir Christopher Lambert no seu melhor trabalho, intitulado “Greystock: The Legend of Tarzan, Lord of the Apes” / “Greystock: A Lenda de Tarzan, O Rei da Selva”, uma das mais belas películas sobre a personagem criada por Edgar Rice Burroughs, que durante largos anos foi uma presença constante nos écrans de cinema de todo o mundo.


O sucesso caminhava lado a lado com Hugh Hudson, mas quando ele em 1985 realizou “Revolution” / “Revolução”, com Al Pacino e Nastassja Kinski nos protagonistas, oferecendo-nos uma bela versão da revolução, que conduziu à independência dos Estados Unidos da América, esse mesmo sucesso fugiu-lhe entre os dedos, apesar da excelente qualidade da película, devido aos fracos resultados de bilheteira, regressando o cineasta à actividade só em 1989, com “Lost Angels”, numa história passada na célebre cidade de LA com os seus dramas quotidianos. Uma década irá passar até revermos o nome de Hugh Hudson, nos cartazes das salas de cinema, com “My Life So Far”, tendo Colin Firth no protagonista, numa obra com a habitual produção de qualidade, que o cinema britânico nos habituou. Com o surgir do novo milénio Hugh Hudson vira-se para África para nos contar a história da italiana Kiki Gallmann.


“Memórias de África” narra-nos a aventura africana de uma italiana divorciada, que vive em Veneza com o filho, possuidora de uma enorme fortuna e que após um acidente de automóvel, se irá apaixonar por Paolo “Vincent Perez”, partindo com ele para o Quénia em 1972.
Baseado em factos verídicos e rodado na própria fazenda de Kiki Gallmann (cuja figura é interpretada por Kim Basinger, que no ano anterior tinha conquistado o Oscar em “LA Confidential”), situada perto de Great Rift Valley, o filme vai-nos oferecer a descoberta do Continente Africano por uma europeia, ao mesmo tempo que iremos perceber que ali “as coisas tem um ritmo diferente”, como lhe refere Paolo por diversas vezes, usando isso mesmo como uma desculpa, das suas ausências na fazenda para ir à caça com os amigos. De imediato Kiki (Kim Basinger) irá perceber, que a vida com que sonhou será bem diferente na realidade: veja-se o caso da tempestade que quase lhes destrói a fazenda. Mas no entanto não desiste de ali permanecer, na companhia do pequeno filho que adora cobras, nem de amar o marido.


Mas um dos problemas com que se irão deparar, ao longo dos anos, serão os caçadores furtivos que abatem os elefantes na zona da sua propriedade, para obterem o tão desejado marfim, tornando-se de imediato a luta pela conservação da fauna selvagem uma das prioridades do casal. Luta essa que levará o marido a ser espancado à beira da estrada.
“Memórias de África” possui uma excelente interpretação de Kim Basinger, veja-se aliás a forma como ela reage à morte do marido, devido a um acidente e depois à morte do filho, mordido por uma das suas amadas cobras venenosas, acabando por morrer, apesar dos esforços do capataz da fazenda (Daniel Craig).

Kim Basinger e Kiki Gallmann

Hugh Hudson consegue dar uma imagem das paisagens de África, que nos faz entender de imediato as razões do fascínio de Kiki Gallmann, por este imenso território, apesar de todos os perigos e milhares de mortes violentas, que ocorrem em África todos os anos. A italiana Kiki Gallmann criou uma Fundação para a preservação da vida selvagem, continuando a viver no Quénia.

Numa época em que os efeitos especiais invadem o cinema como nunca, sentimos uma sensação de profunda liberdade ao vermos este filme.

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