terça-feira, 18 de julho de 2017

Clint Eastwood – “Destinos nas Trevas” / “Play Misty For Me”


Clint Eastwood – “Destinos nas Trevas” / “Play Misty For Me”
(EUA – 1971) – (102 min. / Cor)
Clint Eastwood, Jessica Walter, Donna Mills, John Larch.


Nos dias de hoje muitos são aqueles que referem Clint Eastwood como o último cineasta clássico do cinema norte-americano e ao olhar a sua já extensa obra como cineasta, somos obrigados a concordar com o título, mais que merecido. Três obras da sua filmografia, por vezes esquecidas, são disso exemplo, falamos de “Bird”, “Caçador Branco, Coração Negro” e “As Pontes de Madison County”. Mas se partirmos para inícios dos anos setenta ao encontro do intérprete Clint Eastwood, ninguém poderia prever que um grande cineasta iria nascer, apadrinhado pelo bom amigo Don Siegel.


Estávamos no ano de 1971 e Clint Eastwood decidiu passar para detrás das câmaras e realizar a sua primeira película “Play Misty For Me” / “Destino nas Trevas”, cuja acção se desenrola na sua cidade, Carmel onde seria Governador durante uns anos, oferecendo-nos uma história de amor, que se irá revelar uma verdadeira atracção fatal.
Aliás o argumentista do filme de Andrian Lyne, “Fatal Attraction”, viu de certeza a película de Clint Eastwood, tendo em conta tantos traços idênticos ao longo das duas obras.
Mas regressando ao filme há célebre frase/pedido telefónico de Evelyn (Jessica Walter) a Dave (Clint Eastwood) no seu programa de rádio, em Carmel, "Play Misty For Me" e assim o locutor responde positivamente ao pedido da ouvinte. Depois lentamente Evelyn irá cultivar o seu amor com Dave, através de uma fragilidade aparente, que a pouco e pouco se transforma em violência.


De um pequeno “flirt” transformado em simples “affair” nasce a destruição e a vingança. Evelyn após o fim do amor passageiro instala-se na casa da namorada de sempre de Dave Garland, usando outra identidade, dando assim início à sua chantagem e manipulação do locutor de rádio, perante a inocente Tobie (Donna Mils), imagem perfeita de uma geração. Por falarmos em geração será sempre de salientar a longa sequência do Festival de Jazz de Monterey introduzida por Clint Eastwood na película, já fruto do seu amor por este género musical, servindo ao mesmo tempo como a bonança que antecede a tempestade, como veremos no final do filme.


“Play Misty For Me” não é um filme datado, embora todos os tiques dos anos setenta, do século xx, estejam lá. E dizemos isto porque o cineasta Clint Eastwood nasceu com este filme. Ele oferece-nos o primeiro capítulo da obra de um grande autor de cinema e não podemos nunca olhar “Destinos nas Trevas” como uma obra-menor, porque se ele é o primeiro filme de um cineasta, que iria evoluir ao longo do tempo surpreendendo tudo e todos, nele encontramos todos os elementos característicos do cinema de Clint Eastwood. Descobrir “Play Misty For Me” é uma agradável surpresa, ao mesmo tempo que encontramos a ponte que ligou o intérprete dos filmes de Don Siegel ao cineasta Clint Eastwood.

2 comentários:

  1. Muito bom, surpreendente e o começo de um excelente realizador!

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    1. Um filme que também nos revela essa outra paixão de Clint Eastwood: o jazz!
      Boa Tarde!

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