segunda-feira, 26 de junho de 2017

Terrence Malick – “A Barreira Invisível” / “The Thin Red Line”


Terrence Malick – “A Barreira Invisível” / “The Thin Red Line”
(EUA – 1998) – (170 min. / Cor)
Sean Penn, James Caviezel, Nick Nolte, Elias Kotea, George Clooney, John Travolta, John C. Reiley, John Cusack, Woody Harrelson, Ben Chaplin, Adrien Brody.

Terrence Malick ao realizar em 1973 “Noivos Sangrentos” / “Badlands”, em que nos revelou esse par memorável constituído por Martin Sheen e Sissy Spacek, de imediato chamou a atenção de todos sobre si. E cinco anos depois com “Dias do Paraíso” / “Days of Heaven”, com Richard Gere e Sam Shepard nos protagonistas, confirmou tudo o que se escrevera acerca dele: estamos perante um dos maiores cineastas norte-americanos! Para depois desaparecer do firmamento cinematográfico, sem deixar rasto, falando-se durante anos num possível projecto que iria ter como pano de fundo a terrível guerra do Pacífico, ocorrida durante a Segunda Grande Guerra.


Quando os rumores, muitos anos depois se tornaram realidade e se teve conhecimento que Terrence Malick preparava, para passar ao cinema, o célebre romance de James Jones “The Thin Red Line”, de imediato foram inúmeras as estrelas de Hollywood que desejaram participar no projecto, mesmo que surgissem num número reduzido de sequências, como sucedeu com George Clooney, todos estavam dispostos a figurar na película que marcava o regresso do cineasta à actividade. E como não podia deixar de ser, o resultado foi surpreendente.


Muitos tentaram comparar o filme de Terrence Malick, “A Barreira Invisível”, com a película “O Resgate do Soldado Ryan” de Steven Spielberg, o que se revelou redutor, já que a distância que as separa é enorme. Se o filme de Steven Spielberg tem essa entrada de leão, com o genial desembarque na Normandia das forças aliadas, acaba depois por perder o ritmo necessário, algo que seria corrigido no fabuloso “Cavalo de Guerra” / “War Horse” . Já “A Barreira Invisível” / “The Thin Red Line” oferece-nos um olhar contemplativo, sobre o cenário de guerra, mergulhando no espaço de forma perfeita, demonstrando como o Paraíso se pode transformar numa fracção de segundo num verdadeiro inferno, em que a vida humana não conta, revelando-se verdadeira carne para canhão, para cumprir os objectivos traçados pelas altas patentes militares.


Iremos assim ter um retrato quase filosófico do cenário de guerra, onde iremos encontrar o mais diverso tipo de homens, todos eles com visões do conflito bem patentes. Conhecemos o Tenente-Coronel Gordon Tall (Nick Nolte) disposto a sacrificar a vida dos seus homens para agradar aos superiores, conseguindo desta forma a tão ambicionada promoção, passando pelo sargento Edward Welsh (Sean Penn) com uma visão bem cínica do conflito, até chegarmos a esse capitão James Staros (Elias Kotea), um humanista no teatro de operações, que não esconde o seu ódio pelo conflito. Já o soldado desertor Witt (Jim Caviezel), que encontramos no Paraíso, acabará por ter de regressar à sua companhia para enfrentar a dor e a morte numa feroz luta contra as tropas japonesas que, como todos sabemos, venderam bem cara a derrota na chamada Guerra do Pacífico. Aliás a ferocidade dos combates é bem patente no filme, demonstrando como as guerras são o momento mais baixo da humanidade.


“A Barreira Invisível” / “The Thin Red Line” marcou decididamente o regresso à actividade do cineasta Terrence Malick, que, embora injustamente esquecido pela Academia, nos ofereceu um filme memorável, transformando esta obra-prima num dos melhores filmes do género, realizados ao longo de mais de cem anos da História do Cinema.

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