segunda-feira, 5 de junho de 2017

Steven Spielberg – “Inteligência Artificial” / “A. I. : Artificial Inteligence”


Steven Spielberg – “Inteligência Artificial” / “A. I. : Artificial Inteligence”
(EUA - 2001) - (146 min. / Cor)
Haley Joel Osment, Jude Law, Frances O'Connor, William Hurt, Jake Thomas.

Quando Brian Aldiss escreveu a short-story “Supertoys Last Summer Long”, nunca imaginou que ela iria despertar o interesse do mago Stanley Kubrick e, no entanto, durante dez anos, o cineasta visionário trabalhou nela de uma forma intensa, até ao dia em que decidiu o nome do realizador: Steven Spielberg.


Stanley Kubrick, conhecido como um “maníaco” da perfeição, “construiu” o filme à maneira de Alfred Hitchcock e depois de Steven Spielberg ter concordado em realizar a película, o produtor Kubrick começou a invadir o seu fax ao longo do dia com alterações e sugestões, tendo obrigado o “wonder-boy” a desligar o fax à noite para a Kate Capshaw e as crianças poderem dormir. Mas o que nos interessa aqui é, na realidade, essa obra-prima da ficção científica chamada “A.I.: Artificial Intelligence” / ”Inteligência Artificial” possuindo em dois actores um dos trunfos do filme. Falamos de Haley Joel Osment (David) e Jude Law (Gigolo Joe). Vamos então à sinopse: o Professor Hobby (William Hurt), o mágico do Instituto Mecha, decide dar mais um passo no mundo da robótica e cria um robot-criança que exprime sentimentos como o amor, construindo essa “criança” à imagem do seu filho e assim nasce David. No entanto os passos a dar para a sua integração são profundamente complexos e será um dos empregados desse Instituto, que possui um filho a “vegetar” há largos meses devido a um acidente, o escolhido para acompanhar todo o processo de desenvolvimento e integração dessa robot-criança.



Quando Monica (Frances O’Connor) é confrontada pelo marido, para adoptarem essa criança-robot, as dúvidas instalam-se no coração desta e perante a impossibilidade do seu filho regressar ao “reino dos vivos”, decide activar David. No início a integração é por vezes difícil, devido às constantes surpresas originadas por David mas, a pouco e pouco, o seu afecto pela “mãe” terminam por eliminar as dúvidas de Monica perante a alegria de Henry (Sam Robards), mas quando o filho natural regressa à vida e consequentemente a casa, começam as dúvidas e as disputas instigadas por Martin (Jake Thomas), o ciúme e a competição é uma constante, levando Monica a abandonar David na floresta, iniciando David a sua luta pela “sobrevivência” ao lado de um outro robot, com outras características bem diferentes, o inesquecível Gigolo Joe (Jude Law a oferecer-nos a maior interpretação da sua carreira), criado para oferecer às mulheres o sonho e o prazer, mas que é perseguido devido a uma das suas clientes ter sido morta, embora ele esteja inocente.


A viagem em busca desse Graal contemporâneo encetada por esta dupla, na companhia de um robot-brinquedo, um urso, leva-os a enfrentar os humanos que, numa feira cósmica, se divertem a destruir robots porque sentem o seu espaço ameaçado. Como nunca até então se tinha encontrado uma criança-robot possuindo sentimentos, conseguem escapar da morte/desintegração que lhes estava destinada. David continua a procurar, tal como Pinóquio, a sua fada que o permita tornar-se “humano”, enquanto Gigolo Joe apenas pretende fugir das autoridades e de uma morte adiada ao correr do tempo. Nessa busca incessante acabam por chegar à Rouge-City e aí ambos encontram os seus destinos opostos: enquanto Gigolo Joe acaba por ser detido, já David e o seu amigo urso prosseguem a sua viagem em busca da fada e das suas origens, seguindo uma “estrada” idêntica ao famoso boneco de “madeira”, terminando o seu caminho precisamente na sua origem, nas instalações da Cybertronics/Mecha, conhecendo finalmente o seu “pai”, Professor Hobby (William Hurt). Depois da revolta de David e ao constatar ser uma das muitas crianças-robots, prontas a serem lançadas no mercado, este decide fugir para mais uma vez tentar encontrar a fada, até que muito tempo depois, numa época em que os humanos já não fazem parte do planeta azul, habitantes de uma outra galáxia vão permitir a David concretizar o seu sonho e oferecem-lhe um dia na companhia da sua mãe.


Nesta obra espantosa da dupla Stanley Kubrick / Steven Spielberg, é possível detectar perfeitamente o que pertence a um cineasta e a outro cineasta, basta até acompanhar o “story-board” e reparar como toda a carga erótica incluída por Kubrick na Rouge-City é praticamente eliminada por Spielberg. Por outro lado todo o ambiente mecânico e frio de Stanley Kubrick por vezes elimina o olhar humanizado, sempre em busca do núcleo familiar, característico do cinema de Steven Spielberg, no entanto foi Stanley Kubrick que escolheu Steven Spielberg para realizar a película, mas se Kubrick fosse vivo talvez o seu controlo obrigasse Steven a seguir escrupulosamente o story-board. Quanto ao filme, ele é na verdade, uma obra-prima da ficção-cientifíca e as interpretações de Haley Joel Osment e de Jude Law são espantosas no controlo das não-expressões, tal como a sua humanização introduzida ao longo do filme.
Steven Spielberg demonstrou mais uma vez ser um verdadeiro mágico e também mais uma vez a ILM dirigida na época por George Lucas foi decisiva para a concretização do projecto. Descobrir “A.I.: Inteligência Artificial” é fundamental para quem gosta de cinema!

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