domingo, 11 de junho de 2017

Robert Benton – “Billy Bathgate”



Robert Benton – “Billy Bathgate”
(EUA - 1991) – (106 min. / Cor)
Dustin Hoffman, Nicole Kidman, Loren Dean, Bruce Willis, Steve Buscemi.

O cinema clássico é a imagem perfeita da paisagem e "Billy Bathgate" de Robert Benton invade esse território de uma forma subtil.
No ano de 1991 os filmes de Gangsters foram de certa forma o centro de todas as atenções (1) e tendo em conta que a produtora de "Billy Bathgate", a Touchstone, é subsidiária da Disney, era de temer o pior. No entanto, ao abordar personagens anteriormente retratadas por Francis Ford Coppola em "Cotton Club", Robert Benton constrói em cada fotograma uma narrativa serena, sem sobressaltos, segundo as regras que fizeram do cinema americano dos anos 35/50 o melhor de sempre, transformando esta película numa impressionante pérola cinematográfica.


"Billy Bathgate" não é um filme de actores como sucedia com "Kramer contra Kramer" / “Kramer vs. Kramer”, possivelmente o filme mais célebre do cineasta, mas sim uma obra de autor, nele se encontrando devidamente integrados todos os elementos constituintes de uma película, numa simbiose perfeita, idêntica à de "Na Calada da Noite" / “Still of the Night”, já aqui abordado (2), outro filme deste realizador infelizmente pouco conhecido, ao contrário do Oscarizado "Kramer contra Kramer" demasiado valorizado na época e hoje irremediavelmente datado.


A história de "Billy Bathgate" é a realização do sonho de um jovem do Bronx, que vivia fascinado pela imagem do gangster Dutch Schultz (3) e que tudo faz para obter os seus favores, tornando-se seu "protegido", terminando por descobrir como viciadas são as regras do jogo, quando os sentimentos se cruzam no seu caminho. A lealdade a Dutch (Dustin Hoffman) e o amor a Mrs. Preston (Nicole Kidman), que o ensinou a viver num mundo de compromissos forçados e traições, onde o silêncio é a palavra-chave da sobrevivência, levam Billy (Loren Dean) a descobrir as saídas para as inevitáveis encruzilhadas da vida.


Fazendo um pequeno parêntesis, num regresso às imagens de Nestor Almendros neste filme, para vos dizer como é belo o raccord da morte de Bo Weinberg (Bruce Willis) e o mergulho nas águas da sua amante, para o não perder e o acompanhar na "última viagem", certamente o momento sublime de toda a película.
O cinema, como sabemos, muitas vezes é feito assim, de pequenas imagens "sem importância", reflexo da paisagem de que todos fazemos parte e ao (re)ver este filme, descobrimos que são obras como "Billy Bathgate" os verdadeiros alicerces da Sétima Arte, porque felizmente ainda há cinema!


(1)- "História de Gangsters" de Joel e Ethan Coen; "O Padrinho III" de Francis Ford Coppola – para referir apenas duas obras-primas.
(2) - Meryl Streep e Roy Scheider são os protagonistas, numa película habitada pela memória de Alfred Hitchcock.
(3) - Também conhecido por "cão raivoso" e "o holandês".

2 comentários:

  1. Um elenco de respeito!!
    Aquele abraço, boa semana

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    1. Um filme muito pouco conhecido, tal como sucede com a filmografia de Robert Benton, infelizmente.
      Um abraço!

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