quinta-feira, 8 de junho de 2017

Olivier Assayas – “Tempos de Verão” / “L’Heure D’Été”


Olivier Assayas – “Tempos de Verão” / “L’Heure D’Été”
(França - 2008) - (103 min. / Cor)
Juliette Binoche, Charles Berling, Edit Scob.

A película de Olivier Assayas (antigo redactor dos Cahiers du Cinema), “L’Heure D’Été”, oferece-nos uma viagem através da passagem do tempo, partindo de uma reunião familiar onde se comemoram os 75 anos de Hélene Berthier (Edith Scob), que assim vê reunidos os três filhos e respectivas famílias na sua bela casa, onde a memória do artista Paul Berthier  permanece bem viva, não só através das suas pinturas e desenhos, como das peças de mobiliário que ele foi coleccionando ao longo dos anos.


Fréderic (Charles Berling), um economista, é sem dúvida alguma o seu filho preferido, depois temos a sua filha Adrienne (Juliette Binoche, sempre excelente) que vive em S. Francisco, nos Estados Unidos e cuja actividade de design a leva várias vezes a regressar à sua terra-mãe, para promover a sua obra, já o filho mais novo Jérémie (Jérémie Rénier), a viver na China, onde é delegado comercial de uma companhia que fabrica ténis desportivos, irá informar a família que se irá mudar definitivamente para a Ásia. Desta forma Hélene vê os seus três filhos a viverem cada um no seu continente.


A festa de aniversário, como não podia deixar de ser, oferece-nos uma viagem pelas memórias dos protagonistas e de imediato percebemos que Hélene foi sempre a luz que iluminou a obra do pintor Paul Berthier. Mas aos setenta e cinco anos o sol da vida começa a sentir que a luminosidade enfraquece e pouco tempo depois da comemoração do seu aniversário, ela parte...


A família volta a reunir-se e de imediato nascem os inevitáveis problemas à volta da herança (a casa e as obras de arte); se Fréderic deseja continuar com a casa e as obras de Paul Berthier, os seus dois irmãos são donos de uma visão diferente, porque não habitam em França. Por outro lado, nas conversas que vão tendo, começam a descobrir segredos até então bem guardados, entre os quais o amor profundo que a mãe tinha pelo tio.
Decidem então vender a casa e doar parte da colecção de mobiliário de Paul Berthier ao Museu de Orsay, enquanto as suas obras pictóricas serão leiloadas. Na verdade, o desejo económico venceu a memória do tempo.

Olivier Assayas

Este filme foi uma encomenda do próprio Museu de Orsay, estando algumas das peças que vimos nesta película expostas no primeiro piso do Museu e se passar por Paris não perca a oportunidade de o visitar, porque a memória do tempo habita o seu interior, da mesma forma que este filme maravilhoso de Olivier Assayas nos oferece uma viagem pelos sentimentos que nos unem sempre a esse local que nos viu crescer: a casa materna sempre com os seus espelhos da vida a sorrirem para nós, esses mesmo espelhos (in)visíveis que guardam as nossas memórias mais secretas.

4 comentários:

  1. Um filme belo, cheio de memórias, que nos faz pensar nas nossas!

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    1. Concordo em absoluto, até parece que o Olivier Assayas se cruzou um dia connosco em Paris:)
      Beijinhos!

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  2. O cinema de francês aqui é virtualmente desconhecido.
    Aquele abraço, bfds

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    1. Obrigado pela visita.
      Bom fim-de-semana.
      Um Abraço!

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