sábado, 24 de junho de 2017

Eric Rohmer – “O Amor às Três da Tarde” / “L’amour l’aprés-midi”


Eric Rohmer – “O Amor às Três da Tarde” / “L’amour l’aprés-midi”
(França – 1972) – (98 min. / Cor)
Bernard Verley, Zouzou, Françoise Verley, Barbette Ferrier.


Com “O Amor às Três da Tarde” Eric Rohmer irá encerrar a sua série intitulada “Contos Morais” e, uma vez mais, ele irá oferecer-nos uma história em que o convite ao adultério é o tema.
Fréderic (Bernard Verley) mora nos subúrbios com a mulher e uma criança, fruto do amor que ambos nutrem um pelo outro, encontrando-se um segundo filho “a caminho”. A sua relação é tranquila e ele gosta de ocupar o tempo que tem, durante a hora de almoço, a passear e a visitar lojas, acabando sempre por comprar algo, como iremos ver naquele dia em que compra uma camisola de gola alta, devido à insistência da bela vendedora, apesar de não gostar da cor.


Estamos assim decididamente no interior do cinema de autor de Eric Rohmer, com essa bela Paris em fundo e de imediato percebemos que o nosso herói é um homem fascinado pelas mulheres, gostando de estar sentado no café a observar as mulheres que passam, acabando muitas vezes por viver sonhos na sua companhia. E será durante um desses sonhos que Eric Rohmer faz desfilar perante o olhar do protagonista e do espectador as estrelas femininas dos seus contos morais anteriores: Françoise Fabian e Marie-Christine Barrault, protagonistas de “A Minha Noite em Casa de Maud” / “Ma Nuit Chez Maud”; Haydée Politoff, a heroína de “A Coleccionadora” / La Collectionneuse”; Aurora Cornu, Laurende de Monaghan e Béatrice Romand, o trio feminino de “O Joelho de Claire” / “Le Genou de Claire”. E de imediato percebemos a atracção que exerce o sexo feminino em Fréderic, esse jovem advogado de sucesso, sendo inevitável a comparação com o protagonista de “O Homem que Gostava das Mulheres” / “L´homme qui aimait les femmes”, criado por François Truffaut.


E será precisamente durante uma dessas viagens, na hora de almoço, que Fréderic se irá cruzar com Chloé (Zouzou), a antiga namorada do seu amigo Bruno, que irradia uma frescura contagiante. No início tudo não passa de um encontro casual, mas como temos sempre 99 por cento de hipóteses de encontrar essa mesma pessoa no dia seguinte, assim sucede com eles. E Chloé gosta de furar as regras, vivendo sempre ao sabor dos homens que vai encontrando, usando-os de acordo com as suas conveniências.
Lentamente a bela aranha irá construir a sua teia em redor de Fréderic: começa a visitá-lo no emprego; faz-se encontrada com o casal para conhecer Hélene (Françoise Verley) e envia-lhe uma linda roupa para o futuro recém-nascido; pede a Fréderic para ele ir com ela visitar uma casa que pretende alugar. Até chegarem essas três horas da tarde, em que o amor tem de decidir o seu destino.


Quase no final do filme, quando vimos Chloé nua, deitada na cama, Eric Rohmer cita Ingres e constrói um dos planos mais belos de “O Amor Às Três da Tarde”, embora também se possa ver nessa imagem a “Olympia” de Manet, como referiu o próprio Eric Rohmer. Mas não há nada como lhe dar a palavra sobre esse momento sublime: «A pose recorda talvez mais a “Olympia” de Manet, do que as “Odaliscas”, mas o modelo e o desenho, parecem-me muito “ingrescos”. Isso vem não apenas da maneira como a figura é fotografada, mas igualmente das suas características intrínsecas: os traços regulares, gregos, do rosto, o tom da carne, a estrutura do corpo longilíneo e, ao mesmo tempo projectado de perfil. (…) O único truque utilizado foi-me sugerido por Bernard Verley que é pintor e conhece as astúcias do atelier: colocámos sob o colchão almofadas para quebrar a linha do corpo e valorizar as suas curvas.»


E assim Eric Rohmer oferece-nos esse plano sublime de “O Amor às Três da Tarde” / “L’amour l’aprés midi”, que irá decidir a vida amorosa do sonhador Fréderic. Irá ele resistir aos encantos da bela e sensual Chloé ou cairá na tentação do pecado?

4 comentários:

  1. Embora atrasada, gostaria de lhe deixar o meu abraço de parabéns, pelo aniversário e deixar os meus votos, de que o ano que agora começou seja o mais feliz de todos os que já viveu.
    Não conheço o filme, vejo pouco cinema.
    Um abraço

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    1. Muito obrigada Elvira pelas suas amáveis palavras.
      Desejo-lhe um excelente fim-de-semana.
      Um abraço!

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  2. Caro Rui,

    Os meus parabéns, com um dia de atraso. Espero que compreenda e não me leve a mal (isto tem andado um bocadinho complicado por aqui, como sabe).
    Espero que tenha tido um dia muito feliz!
    Forte abraço e tudo de bom! Com saúde, que é o mais importante! :-)

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    1. Obrigado Sandra pelas suas amáveis palavras, estou ao corrente e desejo-lhe como sabe o melhor dos mundos, com muita saúde!
      Um Beijinho!

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