sábado, 3 de junho de 2017

Eric Rohmer – “4 Aventuras de Reinette e Mirabelle” / “4 Aventures de Reinette et Mirabelle”


Eric Rohmer – “4 Aventuras de Reinette e Mirabelle” / “4 Aventures de Reinette et Mirabelle”
(França – 1987) – (95 min. / Cor)
Joelle Miguel, Jessica Forde, Philippe Loredenbach, Béatrice Romand, Marie Rivière, Fabrice Luchini.

Esta Película de Eric Rohmer, surgida em 1987 reflecte um pouco o amor do cineasta à vertente das pequenas histórias ou se preferirem curtas-metragens, transformando as quatro histórias que nos são narradas numa longa-metragem.
Eric Rohmer encontrava-se na época a concluir a série intitulada “Comédias e Provérbios”, realizando no ano seguinte, 1988, o derradeiro capítulo intitulado “O Amigo do Meu Amigo” e com “4 Aventuras de Reinette e Mirabelle”, uma película fora do contexto da série, iremos mergulhar no confronto entre a rapariga criada no campo, Reinette, que até fez os seus estudos por correspondência e a jovem citadina Mirabelle, que num dia de férias se irão encontrar e desenvolver uma amizade, que as irá conduzir a compartilharem uma casa em Paris. 


Se a primeira aventura trata desse mesmo encontro entre Reinette e Mirabelle, em que a primeira irá dar a conhecer à segunda esse momento mágico em que a noite chega com os seus silêncios apenas interrompidos pelo respirar da natureza, um simples minuto puro e mágico em que os seres humanos e o universo dormem tranquilamente, já na segunda história iremos descobrir as duas raparigas em Paris, para acompanharmos a aventura de Reinette num café a digladiar-se com o empregado que, ao ver uma nota de 200 francos para pagar um simples café, deduz que a jovem o pretende enganar, no intuito de beber o café e na primeira oportunidade fugir do local, mal o veja virar costas. Por um lado Reinette revela-se uma jovem séria, perplexa com a atitude de empregado (como todos sabemos, Paris é a capital dos cafés, onde podemos passar umas boas horas na companhia de um livro sem sermos incomodados). Já o empregado, com a sua desconfiança no que diz respeito aos jovens, exerce um poder desmedido que se irá voltar contra si próprio, como saberemos no final.


Na terceira aventura, Mirabelle ao ir a um supermercado para comprar umas bolachas, irá acompanhar os roubos levados a cabo por uma cleptomaníaca no interior do estabelecimento que, sem saber, se encontra a ser vigiada por dois funcionários disfarçados de simples clientes. Quando junto à caixa, por razões que a própria razão desconhece, Mirabelle decide ajudar a mulher, ao recolher o saco com o produto do roubo, saindo pela porta fora, para depois o entregar à cleptomaníaca, fora da porta do supermercado a jovem mulher é detida e solta em virtude de não ter consigo nenhum dos produtos roubados.
Por seu lado a ingénua Reinette irá ser burlada numa estação de comboios por uma mulher bem vestida que lhe conta que acabou de ser roubada, pedindo-lhe dinheiro para comprar um bilhete. Reinette não hesita em ajudá-la, mas mais tarde irá perceber que se tratava de um estratagema, ao descobri-la a contar a mesma história a outra pessoa, provocando-lhe tal uma enorme irritação que a irá conduzir a confrontar a mulher acerca do seu modo de vida.
No final do dia, quando as duas amigas se encontram na casa que compartilham, os acontecimentos do dia irão mais uma vez demonstrar os diferentes pontos de vistas de cada uma acerca do quotidiano que respiramos diariamente.


Ao chegarmos à última das aventuras de Reinette e Mirabelle, iremos descobrir que a jovem provinciana se encontra sem posses para manter a sua estadia em Paris, mas como tem uma certa apetência pela pintura, algo que sabemos desde o primeiro episódio, decide levar as suas obras até uma galeria, fingindo-se muda, conforme sugestão da amiga, para ali tentar realizar o dinheiro necessário para permanecer em Paris.
Os diálogos desta última aventura de Reinette e Mirabelle são simplesmente fascinantes, de um humor soberbo, ao mesmo tempo que a célebre paixão do cineasta pela pintura se reflecte nesses mesmos diálogos, sendo de destacar a prestação de Fabrice Luchini na figura do Marchand, numa fabulosa composição.


Eric Rohmer em “4 Aventures de Reinette et Mirabelle” demonstra com a sua conhecida subtileza a maneira simples como são construídos os seus filmes, fruto de diálogos verdadeiramente saborosos, investindo sempre todo o seu saber numa planificação e direcção de actores que se revelam como os principais alicerces do seu cinema.

Seja qual for o formato optado por Eric Rohmer para os seus filmes, o brilhantismo da planificação do seu cinema revela-nos a eterna juventude deste cineasta imortal.

2 comentários:

  1. Parece interessante. Infelizmente de há uns anos para cá vejo pouquíssimo cinema.
    Um abraço e bom fim-de-semana

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    1. Os filmes deste cineasta passam com regularidade na RTP-2 e os seus argumentos são sempre bem interessantes, pois tratam das relações humanas e das coincidências da vida.
      Desejo-lhe um bom fim-de-semana!

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