sexta-feira, 16 de junho de 2017

David Lynch – “Dune”


David Lynch – “Dune”
(EUA - 1984) – (137 min. / Cor)
Kyle MacLachlan, Francesca Annis, Brad Dourif, Virginia Madsen, Silvana Mangano, José Ferrer.

“A Guerra das Estrelas” / “Star Wars” é a Space Opera por excelência, mas com “Dune” de David Lynch um novo caminho foi aberto no interior do género. Esta obra de Frank Herbert, que vendeu cerca de 18 milhões de exemplares, fascinou o produtor Dino de Laurentis e o cineasta escolhido para transformar o sonho/pesadelo de Frank Herbert, para o grande écran foi David Lynch, numa época em que ainda estava longe o projecto que o celebrizou perante o grande público, a série “Twin Peaks”.


Oriundo da pintura, tal como Robert Bresson e Akira Kurosawa, o cineasta David Lynch realizou a sua primeira película aos 26 anos, como complemento da sua obra pictórica. Os filmes seguintes, “Alphabet”, “The Grandmother” e “The Amputee” possuíam no seu interior a germinação do saber cinematográfico, aliado ao surrealismo, cujo primeiro grande fruto seria “Eraserhead” / “No Céu Tudo é Perfeito” (1976), onde já se encontravam bem patentes as linhas orientadoras do seu Universo: a deformação dos corpos e a imperfeição da beleza.


Seria através da mão de Mel Brooks que David Lynch viu surgir a consagração com “O Homem Elefante” / "The Elephant Man". George Lucas convidou-o imediatamente para realizar “O Regresso de Jedi”, mas a recusa não se fez esperar, tendo em conta o controlo pessoal que George Lucas impõe nas suas produções. Depois de uma passagem pelos Zoetrope Studios, de Francis Ford Coppola, onde o projecto “Ronnie Rocket” não chegou a ver a luz do dia, David Lynch aceitou a realização de “Dune”, ao ver nele delineados os mecanismos do exercício do poder.


O planeta “Dune” como é conhecido, também se chama “Arrakis” e nele se encontra a “Melange”, sinónimo de poder. Quem a possui obtém o controlo do sistema. Mas a guerra produz o holocausto e só a paz possibilita a sobrevivência, sendo efectuada uma aliança pelos diversos poderes (político, económico e militar). No entanto a sua eficácia revela-se precária e os conflitos renascem, demonstrando a fragilidade das palavras do Homem.


Tendo em conta os milhões postos à disposição por Dino de Laurentis, temia-se o pior para David Lynch porém o seu universo, muito pessoal e intransmissível, bem conhecido hoje em dia dos cinéfilos, manteve-se presente, ao mesmo tempo que a sua segunda paixão – a pintura, se revela perfeita na sequência do fabuloso sonho.

“Dune” não é o filme imaginado inicialmente por David Lynch, mas tendo em conta o seu poder de síntese bem expresso no início da película, devido à célebre questão da duração (*), terminamos por encontrar o universo de David Lynch no interior da ficção científica, utilizando o romance de Frank Herbert como veículo ideal.

David Lynch durante a rodagem de "Dune".

(*) - Foi lançada no mercado americano uma nova versão alargada de "Dune" da responsabilidade de David Lynch, com uma duração de 190 minutos.

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