sexta-feira, 9 de junho de 2017

Arthur Penn – “Bonnie e Clyde” / “Bonnie and Clyde”


Arthur Penn – “Bonnie e Clyde” / “Bonnie and Clyde”
(EUA – 1967) – (111 min. / Cor)
Warren Beatty, Faye Dunaway, Gene Hackman, Michael J. Pollard.

Recentemente o FBI disponibilizou ao público o dossier do casal mais célebre da galeria dos fora-da-lei: Clyde Barrow e Bonnie Parker, que espalharam o terror durante alguns anos, nessa terra prometida chamada América.
Nesses anos trinta, em que se fazia sentir como nunca os efeitos da depressão, dois jovens irão entrar numa espiral de violência, em que o assalto seguinte será sempre mais sangrento que o anterior, em busca do simples prazer de matar. Amavam-se loucamente e gostavam de ser fotografados após a concretização dos assaltos, ostentando o espólio e o amor que sentiam um pelo outro.


A América vivia, em meados dos anos sessenta, um dos períodos mais negros da sua história, com o assassinato de John Kennedy e seria um cineasta oriundo da televisão com provas já dadas no cinema, Arthur Penn, que iria transportar para o grande écran a vida de “Bonnie and Clyde”, depois de François Truffaut e Jean-Luc Godard terem recusado o projecto.
Warren Beatty (que foi o produtor da película), na época o solteirão mais cobiçado de Hollywood, irá vestir a pele do bandido que de “rato de automóveis” se irá transformar num temível assassino, enquanto a bela Faye Dunaway irá dar vida à sanguinária jovem Bonnie Parker.


Arthur Penn oferece-nos em “Bonnie e Clyde” uma verdadeira orgia de violência ao longo da película, chegando a usar o “ralenti” de forma poderosa, nessa antológica sequência final em que o bando cai numa emboscada fatal, montada pelo FBI, fruto de uma denúncia do pai de um dos membros do bando, como geralmente sucede nestes casos, em que é sempre um parente ou amigo o delator.

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Tanto Warren Beatty como Faye Dunaway compõem duas personagens verdadeiramente sedutoras, pelas piores razões, que não olham a meios para atingir os seus fins assassinos. Ele com o célebre chapéu e ela com a famosa boina poderiam ser um simples par de namorados, se no dia em que Bonnie Parker ao presenciar o roubo de um automóvel pelo jovem Clyde Barrow o conduzisse ao bom caminho, mas ela preferiu seguir com ele pelas estradas secundárias da vida, optando por uma vida no fio sangrento da navalha, à construção de um lar.

Arthur Penn, conversando com os actores,
durante uma pausa nas filmagens.

Mais uma vez Artur Penn confirmava aqui todo o seu valor como cineasta e autor, ao oferecer o retrato de uma nação que foi erguida, através dos anos, no convívio amargo com a violência.
“Bonnie and Clyde” surge assim como o retrato perfeito do mais famoso casal que decidiu viver e amar fora-da-lei, espalhando o terror ao longo da sua curta e mortal existência.

2 comentários:

  1. Violentíssima película de Arthur Penn, na melhor tradição cinematográfica norte-americana (e Tarantino ainda vinha longe...), mas que, apesar de tudo, me deixou uma magnífica impressão de bom Cinema. E de uma segura realização, muito bem executada. Há cenas que ainda tenho na memória.
    Bom fim-de-semana!

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    1. Agradeço e subscrevo o seu comentário.
      Desejo-lhe também um bom fim-de-semana!

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