sábado, 6 de maio de 2017

Francis Ford Coppola – “Apocalipse Now” / “Apocalypse Now”


Francis Ford Coppola – “Apocalipse Now” / “Apocalypse Now”
(EUA – 1979) – (153 min. / Cor)
Marlon Brando, Martin Sheen, Robert Duvall, Frederic Forrest, Sam Bottoms, Laurence Fishburne, Albert Hall, Dennis Hooper.

Francis Ford Coppola, após o enorme sucesso público e crítico de “O Padrinho” / “The Godfather”, alcançara decididamente o seu estatuto de génio e, como tal, fugiu aos parâmetros de Hollywood ao realizar “Apocalypse Now”, o maior filme de sempre acerca da guerra e das suas consequências, baseado no famoso romance de Joseph Conrad “No Coração das Trevas”.


“Apocalypse Now” rapidamente se transformou num dos maiores marcos da História do Cinema, sendo a sua inclusão na lista dos dez melhores filmes de sempre uma realidade a que ninguém pode fugir. O Génio tinha descido do céu e mergulhado no inferno, transportando para o presente as feridas da memória.
Mas a rodagem de “Apocalypse Now” foi um verdadeiro épico, quase uma tragédia: inicialmente o protagonista era Harvey Keitel, no entanto Coppola não se entendeu com o actor e este acabou por ser substituído por Martin Sheen o qual iria ter, perto do final da rodagem, um ataque cardíaco.

Por outro lado, a personagem do Coronel Kurtz criada por Marlon Brando, foi uma espécie de defesa do actor, porque foi com enorme espanto e irritação que Coppola recebeu um Brando calvo e com demasiados quilos para o papel, mas a escola do “método”, mais uma vez, demonstrou que essa Arte de dar corpo às personagens só pertence aos grandes actores.
Já as condições climatéricas nunca foram as melhores, tendo a rodagem do filme sido interrompida por um tufão que destruiu os cenários construídos, ao mesmo tempo que os célebres helicópteros, que usavam a música de Wagner nos ataques efectuados às linhas Vietnamitas, postos à disposição pelas autoridades Filipinas, eram muitas vezes requisitados por essas mesmas autoridades para irem combater a guerrilha.


Perante um cenário destes, a esposa de Francis Ford Coppola, Eleanor Coppola, escreveu um livro/diário intitulado “Notes on the Making of Apocalypse Now”, tendo a famosa critica norte-americana Pauline Kael falado dele como o mais lúcido relato da aventura épica de um cineasta. E, como não podia deixar de ser, esta obra-prima deu origem a um “Making of” que fez história e seria exibido nas salas de cinema, “Hearts of Darkness: A Filmmaker’s Apocalypse”, realizado por Fax Bahr e George Hickenlooper.


Francis Coppola acabaria por ganhar a Palma de Ouro em Cannes, mas falharia os Oscars. Na primeira versão distribuída comercialmente, a película terminava com a destruição/bombardeamento do Templo onde se refugiara/vivia o coronel Kurtz e os seus seguidores, ao mesmo tempo que os Doors cantavam “The End”. Esta sequência iria gerar polémica nos Estados Unidos, já que muitos viram nela uma apologia da Guerra. E esta leitura errada teve tantos adeptos que obrigou o cineasta, ao fim de duas semanas de exibição do filme, a mandar retirar as cópias de circulação e substituir por outras onde essa sequência era simplesmente eliminada.


Mas o que poucas pessoas sabem é que quando “Apocalypse Now” surgiu no Festival de Cannes, quase em “montagem” permanente, possuía duas versões para o final, tendo ambas sido exibidas no Festival de Cannes. Na primeira, Willard (Martin Sheen) liquida o “rebelde” Coronel Kurtz (Marlon Brando), mas permanece no “santuário” deste, ocupando o seu lugar, sendo este o final apresentado na sessão a concurso e o favorito de Francis Ford Coppola, que como sabemos ganharia a Palma de Ouro. Aliás na conferência de imprensa no Festival de Cannes o cineasta diria que “gosto deste fim. Há pessoas que querem que se dê ao público uma conclusão agradável, antes de o mandar para casa. Mas, honestamente, o meu fim é este.”. No entanto no dia seguinte, no Olympia, passou a versão que ficou conhecida de todos, em que Willard (Martin Sheen) mata o Coronel Kurtz e regressa a Saigão. Curiosamente Francis Ford Coppola não esteve presente na segunda exibição, declarando que não iria estar presente porque não apreciava aquela versão.


“Apocalypse Now” é um filme acerca da Loucura da Guerra, que possui como referência o conflito Vietnamita, ultrapassando essa vertente particular para desaguar no célebre Horror da Guerra. Ao revermos hoje em dia “Apocalypse Now” de Francis Ford Coppola, só poderemos dizer que estamos perante uma das obras mais geniais da História do Cinema: uma Obra-Prima Imortal!

4 comentários:

  1. Um filme muito bom, mas pesado. Bom Sábado!

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    1. A forma como nos é oferecido o horror da guerra leva-nos a interrogar as razões que levam o ser humano a esse estado de loucura e Francis Ford Coppola oferece-nos um filme que nos convida a pensar sobre o mundo que nos rodeia.
      Obrigado pela visita e comentário.
      Votos de um excelente fim-de-semana.

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  2. Um dos filmes da minha vida.
    Absolutamente fenomenal!
    Aquele abraço, boa semana

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    1. Recordo-me que o vi o filme pela primeira vez no Apolo 70 e no final saímos todos em silêncio da sala completamente esmagados pelo horror da guerra.
      Um abraço e bom fim-de-semana!

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