quinta-feira, 4 de maio de 2017

Eric Rohmer – “O Bom Casamento” / “Le Beau Mariage”


Eric Rohmer – “O Bom Casamento” / “Le Beau Mariage”
(França – 1981) – (97 min. / Cor)
Béatrice Romand, André Dussollier, Arielle Dombasle, Féodor Atkine.

“O Bom Casamento” / “Le Beau Marriage“ será porventura, dos seis filmes que constituem a série “Comédia e Provérbios”, o mais fascinante, já que Eric Rohmer encontra na actriz Béatrice Romand, anteriormente dirigida por ele em “O Joelho de Claire” / “Le Jenou de Claire”, a perfeita encarnação da jovem Sabine, que um dia decide anunciar à sua amiga Clarisse (Arielle Dombasle) que se vai casar sem sequer ter um namorado, nascendo assim nesta película o delicioso jogo das boas intenções em encontrar o marido ideal, como um dia escreveu Oscar Wilde.


Esta jovem, que vive em Le Mans e estuda História de Arte em Paris, irá contar com a cumplicidade da sua amiga Clarisse para, num casamento, encontrar o futuro marido tão desejado, caindo a famosa seta de Cupido no jovem e solteiro advogado Edmond (André Dussollier), que devido à sua educação e boas maneiras entra no jogo de sedução de Sabine, desconhecendo as suas verdadeiras intenções.


A forma como Eric Rohmer nos oferece este processo de enamoramento encetado por Sabine (Béatrice Romand), encontra-se repleto de humor e saber culminando, como não podia deixar de ser, numa verdadeira tempestade amorosa, nesse momento final em que Sabine confronta o jovem advogado, invadindo o seu escritório, exigindo uma explicação deste por não responder aos seus desejos, numa sublime e comovente interpretação de Béatrice Romand, que nos deixa a todos surpreendidos, incluindo o próprio Edmond (André Dussollier), que tenta gerir a crise da forma mais educada, mas sem sucesso, nascendo assim esse pequeno escândalo, que irá levar Sabine a decidir encontrar primeiro um namorado e só depois anunciar o casamento.


A direcção de actores de Rohmer é de uma subtileza única e os diálogos são soberbos, revelando, mais uma vez, o habitual sentido naturalista do famoso cineasta da palavra, que assim usa o vocabulário cinematográfico para nos oferecer mais uma bela história do quotidiano.

2 comentários:

  1. Rohmer, o homem da palavra, num filme delicioso!

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    1. Um dos meus filmes preferidos de Rohmer e onde a Beatrice Romand está sublime!
      Boa tarde!

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