quarta-feira, 10 de maio de 2017

Emile Ardolino – “Como o Céu se Enganou” / “Chances Are”


Emile Ardolino – “Como o Céu se Enganou” / “Chances Are”
(EUA – 1989) – (108 min. / Cor)
Cybill Shepherd, Robert Downey Jr., Ryan O’Neal, Mary Stuart Masterson, Christopher McDonald.

Emile Ardolino nasceu em Maspeth, New York em 1943 e pertenceu a essa geração de profissionais da televisão que foi fazendo, ao longo dos anos embora de forma esporádica, alguns trabalhos para o grande écran, revelando nesse espaço todos os conhecimentos adquiridos nessa maravilhosa caixa que mudou o mundo.
Conhecido por muitos como o realizador de “Dirty Dancing”, que fez enorme furor junto das plateias de adolescentes, irá no entanto revelar todo o seu talento nessa comédia romântica intitulada “Chances Are”.


“Como o Céu se Enganou”, título da película em Portugal, convoca para cabeça de cartaz a actriz Cybill Shepherd, então em alta, graças à série “Modelo e Detective”, onde todos descobrimos pela primeira vez Bruce Willis, tendo a seu lado nesta película o genial Robert Downey Jr. e o bem conhecido Ryan O’Neal.
Esta comédia romântica, repleta de saber, convoca mais uma vez a questão da reencarnação, para nos oferecer situações hilariantes, mas perfeitamente enquadradas ao longo do argumento, muito bem trabalhado.


Louie Jeffries (Christopher McDonald) é um advogado que iremos encontrar a casar-se com a mulher dos seus sonhos, Corinne (Cybill Shepherd), logo no início do filme, sendo acompanhado ao altar pelo seu melhor amigo, o jornalista Philip Train (Ryan O’Neal), que nesse preciso momento lhe confessa estar apaixonado por Corinne, mas Louie não liga ao facto, porque conhece demasiado bem o amigo, como a sua futura esposa, terminando por ser protagonista de um casamento perfeito. Mas pouco tempo depois, ao atravessar uma rua em Washington, acabará por ser colhido por uma viatura, perdendo a vida.


Iremos assim voltar a encontrá-lo nesse território celeste, anteriormente retratado em “O Céu Pode Esperar” / “Heaven Can Wait”, em que ele aguarda desesperado a sua vez para reencarnar noutro corpo, não se conformando com a demora, o que irá originar que todos os procedimentos necessários não tenham sido levados a bom termo. Desta forma ele irá renascer no corpo de um rapaz chamado Alex (Robert Downey Jr.), que será um dos muitos estudantes da Universidade de Yale, onde se irá cruzar com a filha de Corinne, a bela Miranda Jeffries (Mary Stuart Masterson), filha de Louie, que quando morreu desconhecia que a sua mulher se encontrava grávida, tendo o seu amigo Philip Train (Ryan O’Neal) sido um verdadeiro pai para a jovem, embora nunca tenha avançado na tão desejada conquista da sua mãe, preferindo manter a amizade de sempre.


Quis o destino que estas personagens se cruzassem todas e quando o jovem Alex se encontra na casa de Corinne, começa a ter imagens da sua vida anterior, o que lhe vai causar um verdadeiro pavor, evitando os avanços amorosos da rapariga, ao mesmo tempo que nutre uma paixão avassaladora por Corinne terminando, depois de perceber o que se passava na sua cabeça, por lhe confessar a sua anterior identidade, que não fora totalmente apagada da sua memória. Mas como não podia deixar de ser, esse desastrado funcionário celeste irá encontrá-lo, após Alex ter tido um acidente e no hospital dar-lhe-à a tão desejada injecção que lhe irá apagar de vez as memórias da sua anterior passagem pela terra,  Iniciando Alex finalmente uma nova vida, ao mesmo tempo que aconselha o jornalista Philip Train (Ryan O’Neal) a declarar finalmente o seu amor a Corinne Jeffries.


Emile Ardolino consegue oferecer-nos neste filme momentos de comédia verdadeiramente aliciantes, tanto na forma como Alex vai percebendo as suas origens, como depois a maneira como Corinne encara o facto de aquele jovem ser o seu marido falecido no acidente de viação.
Por outro lado as interpretações encontram-se muito acima da média, neste género cinematográfico, graças a um argumento que só pretende divertir, não caindo no exagero, como muitas vezes sucede.

“Como o Céu se Enganou” / “Chances Are” acaba por ser o melhor filme assinado por Emile Ardolino, que faleceu no ano de 1993, em Bel-Air, revelando-se uma das melhores comédias oferecidas pelo cinema norte-americano na década de oitenta.

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