sábado, 29 de abril de 2017

Stanley Kubrick – “Shining”


Stanley Kubrick – “Shining”
(Inglaterra – 1980) – (119 min. / Cor)
Jack Nicholson, Shelley Duvall, Danny Loyd, Scatman Crothers.

Stanley Kubrick, ao longo da sua carreira, abordou todos os géneros cinematográficos existentes e “Shining” foi a sua abordagem ao filme de terror, esse género tantas vezes considerado menor e que ele transformou em maior. Partindo de um conto do conhecido Stephen King, um dos Mestres do Terror, ele irá criar um filme que nos irá prender desde o primeiro ao último minuto à cadeira, ao mesmo tempo que vamos sentindo esse ambiente claustrofóbico que se irá viver nessa estância maravilhosa de turismo que é o Overlook Hotel, no cimo das famosas Montanhas Rochosas.


No início de cada Outono os empregados do hotel preparam a sua partida, já que o clima naquela região é mais do que inóspito, devido ao frio e à neve que todos os anos se faz sentir e, como habitualmente, a direcção do majestoso hotel contrata alguém para lá ficar a cuidar do local, para que os prejuízos sejam reduzidos: cuidar das caldeiras que aquecem o edifício é um dos trabalhos mais importantes.


Jack Torrance (Jack Nicholson), o aprendiz de escritor, apresenta-se como candidato e a entrevista corre da melhor forma, mas o gerente do hotel, homem cauteloso e conhecedor dos perigos da solidão decide informar Jack que em tempos uma das pessoas contratadas para cuidar do hotel enlouqueceu devido ao isolamento, terminando por matar a mulher e as duas filhas gémeas que o acompanhavam, suicidando-se de seguida. Mas Jack Torrance não se sente intimidado, já que isolamento é o que ele precisa para escrever o seu livro e decide aceitar o lugar.
Iremos assim acompanhar a sua ida para o Overlook Hotel com a mulher Wendy (Shelly Duvall, uma das actrizes preferidas de Robert Altman) e o jovem Danny (Danny Loyd), que vê naquele espaço o local perfeito para fazer corridas com o seu pequeno automóvel, pedalando pelos seus longos corredores, como se estivesse numa estrada só para ele. Assim tudo se apresenta perfeito para aquela família.


Todos estão desejosos de abandonar a estância e durante a partida Dick Halloram (Scatman Crothers), o cozinheiro chefe, mostra a cozinha e a zona frigorífica a Wendy, por ali não falta comida e tudo de certeza irá ficar bem, mas ao conhecer Danny percebe que ele tem um amiguinho interior com quem a criança gosta de conversar e, a pouco e pouco, percebe que ela é detentora dessa magia da comunicação chamada shining, que também ele conhece.
Os primeiros dias são passados em enorme tranquilidade, com Jack a escrever o seu livro, Wendy a tratar da zona que lhes ficou destinada e o pequeno Danny a conduzir o seu carro como se estivesse num circuito de automobilismo porém, lentamente, Danny começa a ter visões desse Inverno conturbado no hotel, ocorrido na estância, começando a ver as gémeas, ao mesmo tempo que não resiste a entrar no quarto onde tudo começou, quando um dia encontra a porta aberta.


Fotograma a fotograma, Stanley Kubrick instala o seu sistema mais que perfeito e com uma banda sonora da autoria de Wendy Carlos e Rachel Elkind, começa a introduzir um terror arrepiante que irá contagiar o espectador à medida que a acção se desenrola.
Jack Torrance começa a ter crises de mau humor e a esposa fica em cuidado, depois é a própria criança que conta as visões que está a ter e rapidamente percebemos que Jack está a enlouquecer. Até que chega esse momento fulcral, em que Wendy descobre que o marido está a ter um bloqueio de escritor, escrevendo sempre a mesma frase nas páginas que coloca na máquina de escrever. Por ali repousam mais de uma centena de páginas com a mesma frase e quando este já não consegue dissimular o seu estado de loucura decide atacar os seus entes queridos, a fim de os liquidar com um machado.

Stanley Kubrick, ao utilizar a steadycam pela primeira vez no cinema, oferece-nos um filme profundamente deslumbrante, em que o medo quase nos consome a alma, de tal forma ele é arrepiante, sendo sempre de destacar a perseguição final no famoso labirinto.


Ao vermos hoje “Shining” continuamos a ficar fascinados pela maneira como ele nos interioriza o medo, de forma sempre crescente até chegar esse momento em que finalmente podemos respirar, com a chegada do famoso The End.
Em “Shining”, Jack Nicholson oferece-nos uma das suas maiores interpretações cinematográficas e se na época alguns ficaram admirados com o trabalho do actor, foi certamente porque desconheciam a sua participação, no início da sua carreira, nessa fábrica de cinema criada por Roger Corman.
“Shining” continua a ser, neste século XXI, um dos melhores filmes de terror até hoje realizados, um género que Stanley Kubrick um dia decidiu levar até ao Olimpo dos Deuses da Sétima Arte.

4 comentários:

  1. Eis um filme que me perturba profundamente! Vi, não tenho a certeza de querer rever! Genialmente bem feito!

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    1. Perturbante mas inesquecível a incursão de Stanley Kubrick no universo do cinema de terror!
      Bom fim-de-semana!

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  2. Uma sinopse do essencial, da sua parte, para um filme excepcional de Kubrick, quer pelo detalhe narrativo, cores perfeitas em cenários, interiores e exteriores, boas interpretações (óptima a de Nicholson...), tensão transmitida. Uma obra-prima, em suma.

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    1. Vi o filme várias vezes no cinema ao logo dos anos, mas nunca me esquecerei de uma sessão na Gulbenkian no Grande Auditório em que João Bénard da Costa ofereceu a todos os presentes uma bela aula sobre o cinema de Stanley Kubrick e este filme em particular, estávamos todos fascinados com as potencialidades da steadycam.
      Votos de um bom domingo.

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