terça-feira, 11 de abril de 2017

Sam Peckinpah – “A Quadrilha Selvagem” / “The Wild Bunch”



Sam Peckinpah – “A Quadrilha Selvagem” / “The Wild Bunch”
(EUA – 1969) – (145 min. /Cor)
William Holden, Robert Ryan, Ernest Borgnine, Edmond O’Brien, Warren Oates, Ben Johnson, Jaime Sanchez.

O Californiano Sam Peckinpah celebrizou-se pela forma como retratou a violência, nos mais diversos géneros, desde o microcosmo contemporâneo de “Cães de Palha” / “Straw Dogs”, passando pelo filme de guerra “A Grande Batalha” / “Cross of Iron”, até à revisão do “western” clássico com “A Quadrilha Selvagem” / “The Wild Bunch”, utilizando como marca de autor a câmara lenta ou “slow motion” se preferirem, nas cenas de maior violência, oferecida sempre com um rigor absoluto.
E como não podia deixar de ser, a honra dos heróis, sejam eles politicamente correctos ou não, surge como um dado adquirido, porque estamos decididamente num território masculino, onde o mais forte dita a lei.


“A Quadrilha Selvagem” / “The Wild Bunch” narra-nos a história de um perigoso bando que tenta roubar os salários dos trabalhadores dos caminhos-de-ferro, na sequência inicial, mas ao contrário do que pensava Pike Bishop (William Holden) o cérebro da quadrilha, estão prestes a cair numa armadilha, bem montada pelo homem que o conhece melhor, o seu ex-companheiro Dike Thornton (Robert Ryan), que se encontra a trabalhar, forçado, para um magnata dos caminhos-de-ferro.
O resultado do confronto é profundamente mortífero, porque os habitantes da povoação desconhecem o que se irá passar, terminando por serem vítimas do fogo cruzado entre os dois grupos. Inicia-se então a fuga do bando dizimado e a respectiva perseguição que os irá levar até território mexicano.


Mais uma vez Sam Peckinpah vai-nos demonstrar como a violência e os escrúpulos não possuem rosto, porque será sempre difícil dizer quem é mais selvagem, se os elementos do bando ou os caçadores de prémios que os perseguem.
Por outro lado, iremos perceber como são fortes os laços que unem Pike e Dike, através de diversos “flash-back”, ao mesmo tempo que conhecemos a história e as motivações do único elemento mexicano do bando de nome Angel, representando bem a inocência que transporta consigo.
Com a entrada do bando em território mexicano, o cineasta oferece-nos um retrato poderoso do México pré-revolucionário, com os homens do inenarrável general Mapache (Emílio Fernandez) e as forças do célebre Villa, apoiadas pela população martirizada na luta contra o legitimo governo corrupto, que então espalhava o terror no México.


Ao longo de “Wild Bunch” iremos descobrir interpretações fabulosas de um elenco com provas mais que dadas no cinema e quando a honra fala mais alto, após a morte do jovem Angel às mãos das forças governamentais, percebemos como o destino destes homens, eternamente perseguidos, se encontra decididamente traçado.
O duelo final, verdadeiramente sanguinário, demonstra bem o saber do cineasta, oferecendo-nos um dos momentos mais célebres do filme, muitos anos depois citado por Walter Hill em “Extreme Prejudice” / “A Fronteira do Perigo”.

Sam Peckinpah durante a rodagem do filme

“A Quadrilha Selvagem” de Sam Peckinpah, permanece na história do cinema como uma das obras fulcrais da revisão do “western” clássico, encetada nas décadas de 60/70, oferecendo-nos obras-primas que sobreviveram à passagem dos anos.

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Sam Peckinpah é um Mestre que nos deixou uma obra cinematográfica incontornável, abordando os mais variados géneros e que por razões que a própria razão desconhece, tornou-se quase invisível neste século XXI!
      Muito boa tarde!

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