terça-feira, 18 de abril de 2017

Nana Vasconcelos - "Saudades"


Nana Vasconcelos
“Saudades”
ECM Records

Após a chegada de Nana Vasconcelos à editora ECM Records, através do álbum de Egberto Gismonti, “Dança das Cabeças” do qual já aqui falámos, o produtor Manfred Eicher criou um dos trios mais inovadores do universo multi-étnico intitulado simplesmente Codona, um nome nascido das primeiras letras do nome dos seus membros: Colin Walcott, Don Cherry e Nana Vasconcelos. Depois encontrámos Nana Vasconcelos, o maior percussionista da música popular brasileira, em gravações com o Pat Metheny Group, o Jan Garbarek Group, Arild Andersen, Pierre Favre e na companhia do seu compatriota Egberto Gismonti, todos eles magníficos. Mas o que nos interessa aqui é o seu incontornável trabalho discográfico em nome próprio, intitulado “Saudades”.


O primeiro tema do álbum “Saudades”, denominado “Berimbau”, em que Nana Vasconcelos toca este famoso instrumento bem brasileiro de forma única, revela-se o tema preponderante do lado A do álbum de vinil, já que o iremos encontrar a navegar na companhia da Radio Symphony Orchestra de Stutgart, dirigida por Mladen Gutesha, sendo a respectiva orquestração assinada por Egberto Gismonti, que por outro lado iremos encontrar no conhecido tema “Cego Aderaldo” no lado B do álbum, que abre com o tema “Ondas (Na óhios de Petronila)” em que Nana Vasconcelos utiliza também a voz e o corpo como instrumento musical, de forma verdadeiramente inesquecível.

Nunca como aqui Nana Vasconcelos foi o “dono e senhor” do Estúdio de gravação, com a cumplicidade de Manfred Eicher e Egberto Gismonti, nesse mês de Março de 1979, algo de que irá dispôr novamente quando o produtor alemão os convidar para gravarem o trabalho “Duas Vozes”, seis anos depois da feitura deste genial “Saudades”, em que Nana Vasconcelos toca berimbau, percussão e gongs, usando também a voz e o corpo como instrumento. Redescobrir este álbum genial de Nana Vasconcelos, intitulado “Saudades”, é a nossa proposta de hoje.

2 comentários: