quarta-feira, 12 de abril de 2017

Mahavishnu Orchestra - "Apocalypse"


Mahavishnu Orchestra
“Apocalypse”
Columbia/Legacy

Se o ano de 1973 proporcionou a Michael Gibbs a gravação da sua música pelo quarteto de Gary Burton, já em 1974 irá ver gravado o seu magnífico trabalho de orquestração para temas do guitarrista John McLaughlin, dando assim origem ao inesquecível álbum “Apocalypse”, contando na produção com o saber do denominado quinto Beatle, o produtor George Martin.

Foi em Março de 1974 que os Air Studios de Londres viram entrar pelas suas portas a nova formação da então célebre Mahavishnu Orchestra, com Jean-Luc Ponty no violino, Gayle Moran nos teclados, Marsha Westbrook na viola, Carol Shive no violino, Philip Huschi no violoncelo, Michael Walden na bateria e percussão, Ralph Armstrong no baixo e John McLaughlin nas guitarras, acompanhados pelos membros da London Symphony Orchestra, que serão dirigidos por Michael Tilson Thomas, que se lançou nesta aventura discográfica de “alma e coração”, tocando ainda o piano no tema “Vision is a Naked Sword”, o único tema cantado (Gayle Moran) e que se encontra dividido em duas partes bem distintas.

“Apocalypse”, da Mahavishnu Orchestra, é uma peça única no panorama do encontro entre o jazz e a denominada música erudita e se alguns poderão “torcer o nariz” perante os então célebres solos em crescendo, nascidos da guitarra de dois braços de John McLaughlin, basta escutarem o tema de abertura, o belo “Power of Love”, para serem de imediato cativados pela beleza do diálogo entre a guitarra e o violino de Jean-Luc Ponty, sendo sempre de referir que o violino foi precisamente o instrumento que John McLaughlin tocou nos seus tempos de criança.

Os cinco temas que constituem “Apocalypse”, da Mahavishnu Orchestra, na época o mais célebre grupo de jazz rock a par dos “Return to Forever” de Chick Corea e dos Weather Report, é detentor de trechos de um lirismo puro, para os quais contribuiram decididamente as orquestrações de Michael Gibbs, mas também a direcção desse maestro chamado Michael Tilson Thomas, que não teve receio desta aventura, tal como irá suceder dez anos depois com Pierre Boulez quando decide decide gravar, para espanto de muitos, o célebre “The Perfect Stranger” de Frank Zappa. Decididamente o universo musical não possui fronteiras!

Sem comentários:

Enviar um comentário