domingo, 30 de abril de 2017

Francis Ford Coppola – “O Vigilante” / “The Conversation”


Francis Ford Coppola – “O Vigilante” / “The Conversation”
(EUA – 1974) – (113 min. / Cor)
Gene Hackman, John Cazale, Frederic Forrest, Cindy Williams, Teri Garr, Harrison Ford, Robert Duvall.

Realizado entre duas obras maiores, respectivamente “O Padrinho” / The Godfather” e “O Padrinho II” / The Godfather Part II”, a película “O Vigilante” / “The Conversation”, surge como uma obra intimista, que aborda as técnicas de vigilância, tendo-se estreado na América um pouco antes de surgir o famoso escândalo Watergate, que iria provocar a saída do cenário político do Presidente Richard Nixon. O filme, ao ser apresentado no Festival de Cannes, surpreendeu tudo e todos tendo ganha a Palma de Ouro e quem o vê hoje em dia reconhece a genialidade do cineasta, na forma como manipula a banda sonora, num tratamento na época verdadeiramente inovador.


Harry Caul (Gene Hackman num dos seus trabalhos mais sóbrios e contidos, no bom sentido da palavra) é um técnico de vigilância, que iremos encontrar a trabalhar numa encomenda de uma Empresa, escutando um homem e mulher que passeiam no meio de uma multidão, conversando de forma contida, ao mesmo tempo que andam em círculos, para não ser escutada a conversa que estão a ter, já que em tempos idos foram vítimas desta mesma actividade, tendo um enorme cuidado com o que dizem.


O vigilante e um dos seus colegas, Stan (John Cazale, na época marido de Meryl Streep) irão posteriormente limpar das gravações o ruído de fundo, a fim de obterem a tão desejada conversa. Lentamente iremos descobrir que Harry Caul (Gene Hackman) é um dos expoentes na matéria de vigilância, levando uma vida privada verdadeiramente espartana, já que no seu apartamento não existem elementos pessoais, ao mesmo tempo que mantém uma relação com a jovem Amy Fredericks (Teri Garr), que nada sabe da sua vida, o que se vai revelar fatal para o seu relacionamento.


Ao escutar as gravações, irá perceber que a morte ronda aquele par e quando vai entregar o produto da sua investigação ao Director da Empresa, o secretário Martin (Harrison Ford) pretende ficar com as gravações impedindo o seu contacto com o Director, acabando ele por não entregar as fotos e as fitas, mas quando espera pelo elevador vai encontrar Mark (Frederic Forrest) e Ann (Cindy Williams), o par que ele vigiou, começando a meditar num passado em que contribuiu indirectamente para a morte de uma família, marido, mulher e filho, que tinham sido alvo das suas investigações.
De imediato este tormento toma conta dos seus dias, até que a mulher com quem tem um caso numa noite de festa, lhe rouba as fitas magnéticas, fazendo-as chegar ao seu destinatário, o Director da Empresa interpretado por Robert Duvall, que não se encontra creditado na película.


No momento em que Harry Caul (Gene Hackman) recebe o pagamento do seu trabalho, 15.000 dollars e conhece o homem que encomendou o trabalho, repara numa fotografia da rapariga com o Director da Empresa, assim como um quadro em que ela se encontra retratada. Temendo que eles sejam assassinados, decide ir ao seu encontro, acção que se revelará infrutífera, para mais tarde descobrir que a verdade dos factos é bem diferente de tudo o que tinha imaginado, terminando ele próprio por se tornar vigiado e escutado, porque sabe demasiado, fazendo com que ele destrua o interior do seu apartamento em busca das famosas escutas.


Ao longo da película, Francis Ford Coppola oferece-nos uma história soberba, manipulando a imagem e o som de forma genial, ao mesmo tempo que nos mostra o mergulho do vigilante no interior da solidão, abandonado por colegas e amigos, restando-lhe apenas como companhia o seu saxofone, que ele tanto ama.
Um dado curioso de “O Vigilante” / “The Conversation” é quando este se encontra na festa com colegas de trabalho, um deles narrar o facto de, durante uma campanha eleitoral para as Presidenciais, ter escutado tudo o que dizia um dos candidatos durante dois meses, tendo este obviamente perdido as eleições. Pouco tempo depois surge o Caso Watergate, transformando “The Conversation” numa película que, sem saber, antecedeu os famosos acontecimentos que abalaram a América.

Mais uma vez Francis Ford Coppola nos revela toda a sua genialidade e saber em “O Vigilante”, uma obra hoje em dia um pouco esquecida, mas que merece ser recordada.

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