segunda-feira, 27 de março de 2017

Tony Scott – “Déjà Vu”


Tony Scott – “Déjà Vu”
(EUA - 2006) – (128 min / Cor)
Denzel Washington, Paula Patton, Val Kilmer, James Caviezel..

Tony Scott é um daqueles cineastas cujo nome guardamos na memória com saudade, após a sua partida recente. Oriundo da publicidade, tal como o seu irmão Ridley Scott, desde sempre conjugou a estrutura publicitária no interior da sua obra cinematográfica, surgindo este como uma espécie de assinatura ou elemento identificador do cineasta.


“The Hunger” / “Fome de Viver”, película que o deu a conhecer ao mundo, deixou todos perfeitamente boquiabertos perante aquela história de vampiros e lésbicas, possuidora de uma carga erótica capaz de acordar o mais escondido fantasma na alma do homem. Depois a sua carreira entrou decididamente no interior da Indústria e por lá ficou. Mas não podemos definir a Indústria Cinematográfica como sinónimo de falta de qualidade, porque basta recordar “Maré Vermelha” / “Crimson Tide” ou “Spy Games” / “Jogo de Espiões” para nos situarmos em duas obras de Tony Scott em que a qualidade é simplesmente imparável. É certo que “Top Gun” e “Caça Polícias II” também está no seu curriculum, mas será sempre de recordar o que de melhor possui um cineasta.


Em “Déjà Vu” voltamos a encontrar Denzel Washington sobre o comando de Tony Scott e mais uma vez o actor nos oferece uma imagem politicamente correcta do seu herói, longe do polícia de “Dia de Treino” / “Training Day” de Antoine Fuqua ou dos tiques desse outro fabuloso polícia interpretado em “Infiltrado” / “Inside man” de Spike Lee (onde ele até nem se esqueceu do chapéu). Mais uma vez temos aqui Denzel Washington na figura de um polícia a investigar um ataque terrorista a um “ferry-boat” carregado de pessoas, sendo uma grande parte deles marinheiros. As provas vão surgindo lentamente, criando pistas, mas desvendar as causas do ataque é bastante problemático. Começa então a desenhar-se perante o agente Doug Carlin (Denzel Washington) um caminho científico criado pelas novas tecnologias, que permite regressar atrás no tempo até um período de quatro dias, mas as imagens vistas uma vez nunca mais poderão ser reconstituídas e a decisão do caminho a tomar está nas suas mãos, a sua palavra é ordem, ao contrário do que sucedeu muitos anos antes no cinema a Mr. Tibbs (Sidney Poitier), perdido numa little town racista (*).


Todos estes meios só foram postos à disposição de Doug após o agente do FBI Andrew Pryzwarra (Val Kilmer) se ter assegurado de que ele vivia para o seu trabalho, os pais tinham morrido durante o furacão Katrina (profundamente desoladoras as imagens oferecidas pelo filme, toda a acção se desenrola em New Orleans, sendo até o filme dedicado aos seus habitantes), a namorada partira, abandonando-o, a esperança tinha desaparecido e ele era um homem só naquele deserto de destroços. Mais importante para Andrew é que Doug Carlin participou nas investigações do caso de Oklahoma, referência ao maior ataque terrorista levado a cabo por americanos.


Perante este cenário, vamos encontrar mais uma vez as teses que fazem história na extrema-direita americana através de James Caviezel, numa interpretação em que o ex-Jesus Cristo de Mel Gibson consegue personificar o mal com paixão e dever cumprido, mas a tecnologia posta ao serviço de Doug Carlin  irá proporcionar-lhe viajar no tempo, curto espaço de tempo é certo, levando-o ao encontro de Claire (Paula Patton), a primeira vítima do terrorista e elemento fulcral para o bom desenrolar das investigações.
Tony Scott consegue ao longo da película manter o suspense de toda a intriga, embora por vezes as explicações científicas sobre as capacidades da máquina sejam demasiado extensas, porque estamos num filme de acção e muitas vezes a acção é derrotada quando há demasiadas pausas para explicações. Apesar deste pequeno senão, estamos perante um bom policial, que nos conduz a um termo muito popular no século xx: Isto é Cinema!.

(*) - Referimo-nos ao filme de Norman Jewinson intitulado “No Calor da Noite” / “In the Heat of the Night”.

2 comentários:

  1. Um filme verdadeiramente surpreendente!

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    1. Concordo em absoluto. Depois tem uma premissa bem interessante.
      Boa Tarde!

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