terça-feira, 28 de março de 2017

Terje Rypdal - "Whenever I Seem To Be Far Away"


Terje Rypdal
“Whenever I Seem To Be Far Way”
ECM Records

O guitarrista norueguês Terje Rypdal sempre teve uma enorme afeição pela denominada música erudita, tendo começado a ter lições de piano aos cinco e a escolher o trompete aos oito anos de idade como o seu instrumento de eleição,  sendo assim bem natural ter confessado um dia que uma das suas maiores influências musicais tenha sido esse nome incontornável da história do jazz chamado Miles Davis e este álbum intitulado “Whenever I Seem To Be Far Way” é o espelho disso mesmo, gravado em Oslo em 1974, para a editora de Manfred Eicher, ECM Records, ele representa uma dessa moedas com cara e coroa bem diferentes, mas com o mesmo valor.

Assim, se no lado A do álbum iremos encontrar o seu habitual grupo Odyssey nos temas “Silver Bird Is Heading For The Sun”, com uma famosa entrada do melotron, na época bastante usado pelos grupos rock, e depois a surgirem as sonoridades bem conhecidas do grupo, com o inevitável destaque para a sua guitarra eléctrica, já no tema seguinte, bastante mais curto e intitulado “The Hunt”, temos logo a abrir e a marcar decididamente o tema a bateria do famoso Jon Christensen, um dos nomes mais solicitados da casa ECM Records, para depois entrarmos no som característico da década de setenta do guitarrista Terje Rypdal e do seu grupo Odyssey.


Mas, ao virarmos o disco de vinil para escutarmos o lado B com o tema “Whenever I Seem To Be Far Away” (Image for electric guitar, strings, oboe and clarinet), que dá título ao trabalho discográfico, surge-nos algo de totalmente diferente, porque aqui vamos encontrar Terje Rypdal a ser acompanhado pela Sudfunk Symphony Orchestra, dirigida por Mladen Gutesha e logo nos primeiros compassos iremos deparar com algo de profundamente meditativo e onde iremos descobrir ao longo da audição solos de Christian Hedrich na viola, Helmut Geiger no violino e Terje Rypdal em guitarra eléctrica, este último sempre em crescendo, levando-nos até esse Paraíso sempre tão fascinante e onde habitam os mestres da guitarra eléctrica, revelando-se o norueguês precisamente um dos seus grandes criadores. Aliás, quem o viu em Lisboa, entende bem o que estou a escrever.

Por outro lado convém referir que Terje Rypdal estudou composição e tem desenvolvido intensa actividade também neste campo, com inúmeras peças para música de câmara e coral, algumas delas já gravadas precisamente na ECM Records, para além das suas seis sinfonias. A nossa proposta para uma primeira abordagem da outra faceta musical de Terje Rypdal é precisamente este belo e melancólico tema intitulado “Where I Seem To Be Far Away”, uma verdadeira pérola da sua discografia, já disponível em cd e com uma capa lindíssima.

2 comentários:

  1. O Norte da Europa, ainda pouco conhecido pela música que produz, esconde pérolas preciosas.
    Aquele abraço

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    1. Concordo em absoluto. Foi através da ECM Records, que possui Estúdios de Gravação em Oslo, que levou o mundo do jazz a descobrir um universo de músicos europeus até então confinados às suas fronteiras. Terje Rypdal foi precisamente um deles.
      Um abraço!

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