quinta-feira, 23 de março de 2017

Raoul Walsh – “Objectivo Burma” / “Objective Burma”


Raoul Walsh – “Objectivo Burma” / “Objective Burma”
(EUA – 1945) - (142 min. - P/B)
Errol Flynn, William Price, James Brown, George Tobias.


“Objectivo Burma”/ “Objective Burma” é, acima de tudo, um filme de e sobre a guerra no Pacífico, onde os americanos perderam mais vidas, no confronto com as tropas japonesas que venderam cara a derrota e aqui iremos encontrar o Major Nelson (Errol Flynn) a dar conhecimento aos seus homens do objectivo da missão: destruir uma estação de radar, para assim possibilitar o avanço das tropas americanas na selva birmanesa.
De imediato percebemos que aqueles homens poderão ser para queimar, numa missão que as altas hierarquias militares desejam que seja perfeita. Mas, como todos sabemos, nem sempre os desejos se transformam em realidade e nunca há missões perfeitas no teatro de guerra.


A forma como Raoul Walsh filma a acção de sabotagem no acampamento japonês é de antologia, porque quase poderíamos estar a assistir a um documentário. Este cineasta, que iniciou a sua carreira atrás da câmara, ainda no período mudo, ao dirigir Douglas Fairbanks em “O Ladrão de Bagdad” / “The Thief of Bagdad”, fora anteriormente assistente de D.W. Griffith e Thomas H. Ince, tendo abordado ao longo da sua carreira os mais diversos géneros, utilizando sempre a matéria fílmica com uma eficácia bem demonstrativa do seu talento.


Porém se o objectivo da missão é um êxito, já a caça que lhes é dada pelas tropas japonesas será mortífera para aqueles soldados, especialmente quando, chegados ao local combinado para serem resgatados da selva inóspita, percebem que estão por sua própria conta e risco, restando-lhes apenas continuar a lutar pela sobrevivência, com esse meio que algumas vezes transforma os homens comuns em heróis.
E quando tudo parece perdido, surge o auxílio vindo do céu, quando as tropas pára-quedistas iniciam finalmente aquela que será conhecida como a grande ofensiva no Pacífico.


Ao vermos a interpretação de Errol Flynn, percebemos as razões de ele ter sido uma estrela na sua época, fosse ele o pirata, o cow-boy ou o soldado, porque ao longo da sua carreira cinematográfica sempre ofereceu às personagens que interpretou toda a sua sabedoria de actor. E o que fica na história do cinema não são as histórias da vida privada do actor, mas sim os filmes que protagonizou transmitindo ao espectador toda a sua Arte na composição das personagens que criou na tela com enorme talento.
Quanto a Raoul Walsh, este cineasta que nunca deixou os seus créditos por mãos alheias, surge aqui como o verdadeiro comandante de uma equipa que construiu um dos mais memoráveis filmes de guerra, em que a fotografia de James Wong Howe nos oferece, de forma perfeita, o sangue, suor e lágrimas de todos aqueles que combateram na mortífera e longa batalha do Pacífico.

2 comentários:

  1. Um blogue dedicado ao cinema...
    Gosto
    Kid :=}

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    Respostas
    1. Ao cinema e à sua memória, desde o período mudo (que adoro) até aos nossos dias. Falamos também de música, livros e umas visitas a quadros que preenchem a nossa galaxia.
      Obrigado pela visita e comentário.
      Muito boa tarde!

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