segunda-feira, 27 de março de 2017

Keith Jarrett - "Arbour Zena"



Keith Jarrett
“Arbour Zena”
ECM Records

Tenho que confessar que este é um dos meus álbuns favoritos de Keith Jarrett e o primeiro vinil que comprei da ECM Records. Descobri “Arbour Zena” no programa de Rádio “Forum”, da responsabilidade do saudoso Jorge Lopes(*), que para além de ser a mais famosa voz da RTP na área das transmissões de Atletismo, foi também na Rádio o maior divulgador da música da ECM Records no século passado.

Ao iniciarmos a audição deste intemporal trabalho discográfico de Keith Jarrett, datado de 1976 e que recentemente teve uma nova edição, somos invadidos pela cordas da “Radio Symphony Orchestra” de Stuttgart, dirigida por Mladen Gutesha e depois surge-nos o piano de Jarrett pontuando o movimento das cordas, até chegar o contrabaixo de Charlie Haden, que irá convidar a orquestra de cordas a navegar pelas linhas que vai elaborando, sempre acompanhado de forma envolvente e melodiosa pelo piano de Keith Jarrett, ao longo de “Runes”, passando por momentos de um solo mágico e inesquecível, até chegar o saxofone de Jan Garbarek a concluir a primeira viagem deste trabalho discográfico.

Já o segundo tema do álbum “Arbour Zena”, dedicado a Pablo Casals and The Sun e intitulado “Solara March”, surge de forma profundamente melancólica com uma abertura soberba do contrabaixo de Charlie Haden, sempre acompanhado pela orquestra de cordas e só depois nos irá surgir o piano de Jarrett a respirar melancolia por todas as teclas, entrando num soberbo diálogo com Haden, mas quando estamos a chegar a metade deste tema, o piano de Keith Jarrett surge em crescendo e entra o saxofone de Jan Garbarek, repleto de vivacidade e cor, que irá contagiar os restantes intervenientes, sempre numa perfeita harmonia.

A terceira peça deste genial “Arbour Zena” irá contar apenas com a participação de Keith Jarrett no piano e Jan Garbarek nos saxofones soprano e tenor, acompanhados pela respectiva Orquestra de Cordas, dirigida por Mladen Gutesha, que nos irá oferecer ao longo da quase meia-hora do tema “Mirrors” uma inesquecível viagem por um universo neo-romântico, convidando o ouvinte a contemplar o mundo que o rodeia, através de acordes de uma beleza transcendental.
O romantismo que respira das três faixas que compõem “Arbour Zena” levou-nos a elegê-lo como o ponto de partida da viagem musical desta semana: o encontro entre o jazz e a denominada música erudita, nessa bela encruzilhada, que muitas vezes nos conduz a maravilhosas descobertas.

(*) – De Jorge Lopes e do seu programa “Forum” iremos falar em breve nas Crónicas da Galaxia.

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