quinta-feira, 30 de março de 2017

John M. Stahl - “Sublime Expiação” / “Magnificent Obsession”


John M. Stahl  - “Sublime Expiação” / “Magnificent Obsession”
(EUA – 1935) – (98 min. - P/B)
Irene Dunne, Robert Taylor, Betty Furness, Sara Haden, Charles Butterworth.



A memória do cinema, por vezes, é bem madrasta para cineastas que ofereceram a sua vida à Sétima Arte. E não é preciso ir muito longe para falar nesse homem chamado John M. Stahl, que nos ofereceu a Arte do Melodrama nesses longínquos anos trinta, e a sua genialidade era tão grande que, vinte anos depois, os mesmos Estúdios Universal que o acolheram durante a sua carreira, fizeram os “remakes” de três das suas principais obras: “Magnificent Obsession”, Imitation of Life” e When Tomorrow Comes”, sendo essa tarefa de revisão entregue a outro Mestre do Melodrama: Douglas Sirk.


Porém, quando se fala dos geniais melodramas de Sirk, que tanto influenciaram a obra de Rainer Werner Fassbinder, o americano John M. Stahl fica quase sempre no esquecimento, surgindo apenas como autor de uma primeira versão das obras. Estamos assim perante uma das grandes injustiças da História do Cinema, sendo a outra o esquecimento de Frank Borzage, mas há muitas mais, referimos apenas estes dois nomes porque eles estão definitivamente associados a esse género chamado melodrama, que nunca foi muito amado pela crítica cinematográfica: o esquecimento a que foi votado pela Academia de Hollywood esse melodrama contemporâneo intitulado “As Pontes de Madison County” / “The Bridges of Madison County”, realizado por Clint Eastwood, fala por si.

John M. Stahl iniciou a sua actividade em 1918, ainda nessa época heróica do cinema mudo e, até à sua morte em 1950, fez quarenta filmes, bem demonstrativos do seu saber, sendo também um dos fundadores da Academia de Hollywood, mas quando morreu foram poucos os que se lembraram dele.


Rock Hudson e Jane Wyman - o remake
Robert Taylor e Irene Dunne - o original

“Sublime Expiação” / “Magnificent Obsession” é na verdade um produto da Universal, que sempre cultivou a Arte do Melodrama, esse género que levava as plateias a puxar do lenço para limparem as lágrimas, perante as tragédias que se desenrolavam no grande écran, tantas vezes o espelho perfeito de vidas anónimas, que ainda hoje se cruzam connosco.

Ao contrário de Douglas Sirk, que explorou no seu “remake” todas as potencialidades deste melodrama, pondo grande ênfase na questão da operação de Helen Hudson, John. M. Stahl tirou bom partido do facto da protagonista ser a fabulosa Irene Dunne, que mais tarde iria constituir com Cary Grant uma fabulosa dupla, e introduziu momentos de pura comédia, a um passo da tragédia, como veremos na chegada ao hospital de Helen (Irene Dunne) e Joyce Hudson (Betty Furness). Por outro lado a presença de Robert Taylor nesta película (ainda sem o famoso bigode), serviu de rampa de lançamento para o actor, que aqui começa na comédia e rapidamente vive o melodrama em todo o seu fulgor.


O Dr. Hudson é um homem que gosta de ajudar os outros e pratica uma espécie de filosofia que convida a manter secreta essa mesma ajuda, pedindo apenas que, em troca, a pessoa realize um acto idêntico perante o seu semelhante. Mas infelizmente o Dr. Hudson morreu de paragem cardíaca, devido ao facto de único aparelho que existia na clínica ter sido requisitado para socorrer o playboy e milionário Bobby Merrick (Robert Taylor), que tinha caído no lago, perdido de bêbado, após horas de farra.


John M. Stahl e o esplendor do preto e branco!
Douglas SirK e as suas famosas cores!

Merrick recupera dessa noite sem regras, na clínica do Dr. Hudson, onde a consternação é geral pela morte do médico, e o destino fará com que se cruze com Helen Hudson, a esposa do clínico falecido, e fique fascinado por ela, embora esconda a sua identidade, devido aos acontecimentos recentes, mas a tragédia espreita na estrada e ela irá ficar cega para sempre…


John M. Stahl

Estamos assim perante esse perfeito território trágico, que John M. Stahl tão bem explorou e, quando revemos este filme, descobrimos nele a verdadeira essência do melodrama, nesses dourados anos trinta, hoje em dia tão esquecidos.
(Re)vermos a obra de John M. Stahl é a melhor homenagem que poderemos prestar a este cineasta e será sempre de referir que a edição em DVD que a Costa do Castelo fez nos oferece as duas versões de “Sublime Expiação”,  a de John M. Stahl e a de Douglas Sirk! 

4 comentários:

  1. Que dificuldade a escolha entre dois filmes magnificos! Mesmo sendo a mesma história, a sua realização/diferenciação torna-os especiais!

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    1. Concordo em absoluto e depois temos dois nomes incontornáveis do melodrama no cinema, que nos oferecem duas películas inesquecíveis!
      Boa Tarde!

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  2. Vi o "remake" com Jane Wyman (anos 50?), que me deixou memorável impressão.
    Votos de um bom dia!

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    1. O filme com a Jane Wyman e o Rock Hudson é inesquecível, se tiver oportunidade aconselho também que veja o primeiro filme realizado pelo John M. Stahl. O canal de cabo AMC tem estado a programar excelente cinema clássico, respeitando o formato dos filmes.
      Muito boa tarde!

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