quinta-feira, 23 de março de 2017

Dylan Thomas - "Uma Visão do Mar" / "A Prospect of the Sea"


Dylan Thomas
“Uma Visão do Mar”
Vega, 117 Pag.

Dylan Thomas nasceu a 27 de Outubro de 1914 em Swansea, no País de Gales, filho de um professor de inglês e aos 16 anos começa a escrever como jornalista no “South Wales Evening Post”, em 1934 publica o seu primeiro livro de poemas intitulado “18 poems”. Jorge de Sena, no seu estudo “A Literatura Inglesa”, refere-se assim a este nome incontornável das letras do século xx: “Críticos houve que consideram Dylan Thomas um dos maiores poetas ingleses, outros que o acusaram de ser um playboy galês vivendo à custa da magnificência verbal e de um pretenso celtismo sibilino, e também da impressionante arte de declamar, que era a sua.” Recorde-se que a sua obra estendeu-se da poesia aos contos, passando pelo teatro, argumentos para filmes até chegar a essa obra de referência intitulada “Retrato do Artista Quando Jovem Cão” numa citação bem directa ao famoso romance autobiográfico de James Joyce, “Retrato do Artista Quando Jovem”.

Mas o célebre olhar de Dylan Thomas sobre a natureza e o mundo que o rodeava foram sempre transportados de forma cristalina para o interior da literatura, através de uma arte poética equivalente ao pintor que se encontra perante a paisagem e lentamente vai retratando a beleza que se depara perante o seu olhar maravilhado, mas por vezes também surpreendido pelas mudanças que vão surgindo na linha do horizonte, anunciando umas vezes a bonança outras vezes a tempestade que se aproxima. Aqui vos deixo um excerto deste belo livro intitulado “Uma Visão do Mar” da autoria de Dylan Thomas.



"Certa manhã muito cedo no Inverno de Gales, ao pé do mar que repousava imóvel e verde como erva depois de uma noite de reboliço e rugido de bréu, saí de casa, onde eu viera passar uma temporada despropositadamente fria, para ver se ainda chovia, se as dependências teriam sido arrastadas, batatas, tesouras, mata-ratos, camaroeiros, e latas de pregos ferrugentos levados no vento, e se ainda restavam os penhascos todos. Tinha sido uma noite tão feroz que alguém na taberna cheia de fumo e decorada com quadros de navios dissera que tinha podido sentir a sepultura tremer apesar de ainda não ter morrido, ou pelo menos de ainda mexer, porém a manhã brilhou tão radiosa e calma como sempre imaginamos que vai brilhar amanhã." 

Dylan Thomas

In “Uma Visão do Mar”

2 comentários:

  1. Registo a sugestão com agrado.
    Aquele abraço, bfds

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    1. um livro que nos oferece uma prosa repleta de poesia.
      Bom fim-de-semana
      Um abraço!

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