terça-feira, 28 de março de 2017

Delmer Daves – “O Comboio das 3 e 10” / “3:10 To Yuma”


Delmer Daves – “O Comboio das 3 e 10” / “3:10 To Yuma”
(EUA – 1957) – (92 min. – P/B)
Glenn Ford, Van Heflin, Leora Dana, Henry Jones, Robert Emhardt, Richard Jaeckel.

O cineasta Delmer Daves, apesar de se ter formado em Direito pela Stanford University, nunca irá exercer a profissão, iniciando-se no cinema num trabalho menor em “The Covered Wagon” (1927). Mais tarde passou a actor e pouco tempo depois começou a colaborar na escrita de argumentos, passando rapidamente a ser reconhecido pelo seu enorme talento. Filmes como “A Floresta Petrificada” / “The Petrified Forest” (1936) e “Ele e Ela” / “Love Affair”, devem tudo ao saber do argumentista, tendo-se Delmer Daves estreado na realização com “Rumo a Tóquio” / “Destination Tokyo” (1943), tendo Cary Grant e John Garfield nos protagonistas.


No entanto será nesses géneros, hoje um pouco esquecidos, o “Western” e o denominado “Film Noir”, que este cineasta irá dar nas vistas, continuando, muitas vezes a assinar os seus próprios argumentos, ao mesmo tempo que gostava de produzir os seus próprios filmes, para assim ter um maior controlo sobre todos os aspectos da produção das películas, impedindo desta forma as tão famosas intromissões de terceiros ou seja os patrões do Estúdio.


“O Comboio das 3 e 10” / “3:10 to Yuma” é um dos seus filmes mais famosos, um “Western” que, de certa forma, irá beber da mesma fonte que o célebre “High Noon” / “O Comboio Apitou Três Vezes” de Fred Zinnemann, oferecendo a Glenn Ford, que aqui interpreta a personagem Ben Wade, um dos seus melhores desempenhos, na figura de um famoso chefe de uma quadrilha, que não olha a meios para atingir os seus fins, embora tente evitar danos colaterais ou se preferirem vítimas inocentes, revelando sempre uma enorme eficácia nos assaltos que planeia e será isso mesmo que iremos ver logo no início do filme, com o assalto à diligência que transporta o ouro.


Mas antes deste acontecimento fulcral para o desenvolvimento da acção, iremos conhecer um homem e a sua família, Dan Evans (Van Heflin), que luta na sua parcela de terreno contra a seca que atinge a região onde vive. E será esse mesmo homem que irá presenciar o assalto na companhia dos dois filhos pequenos e que irá desempenhar um papel primordial em “3:10 to Yuma”, ao aceitar levar o perigoso bandido até ao comboio, que o irá conduzir até ao presídio, depois deste ter sido capturado, em virtude de ter decidido ficar para trás, para cortejar a jovem empregada de um saloon.


Dan Evans (Van Heflin) irá aceitar essa missão, na companhia de Alex Porte (Henry Jones), conhecido como o eterno bêbado do lugarejo, mais o dono da companhia das diligências, que lhes oferece 200 dollars em troco da difícil missão, verba que irá retirar da miséria Dan Evans e a sua família.
Ao longo do filme iremos ter o retrato psicológico dos dois homens, o temível Ben Wade e o pobre Dan Evans, num temível duelo de palavras, percebendo de imediato o fora-da-lei as razões que levam aquele homem a aceitar a mortífera missão. Estamos assim perante o célebre “Western Psicológico”, que irá fazer furor nesses anos, ao mesmo tempo, que Delmer Daves consegue envolver o espectador de forma perfeita na trama do filme.

Delmer Daves

Em 2007, o cineasta James Mangold, realizou um “remake” deste filme, com Russell Crowe e Christian Bale nos protagonistas, mas o original, no seu soberbo preto e branco, continua a suplantar o “remake”, graças ao saber desse grande cineasta chamado Delmer Daves.

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