segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Sharon Maguire – “O Diário de Bridget Jones” / “Bridget Jones ‘s Diary”


Sharon Maguire – “O Diário de Bridget Jones” / “Bridget Jones ‘s Diary” 
(ING/FRA - 2001) – (97 min. / Cor)
Renée Zellweger. Colin Firth, Hugh Grant, Jim Broadbent, Gemma Jones.

Quando Helen Fielding iniciou a publicação de “O Diário de Bridget Jones” na sua coluna num jornal londrino desconhecia que a sua prosa, ou antes o Diário de Bridget, se iria tornar num sucesso mundial, transportado primeiro para livro e depois para a inevitável adaptação cinematográfica. Bridget Jones tornou-se um produto profundamente britânico e quando os produtores escolheram uma estrela de Hollywood para interpretar essa figura tão amada dos londrinos, o "fair play" foi esquecido por muitos.


“O Diário de Bridget Jones” é obra de produtores que descobriram um verdadeiro filão para o cinema britânico, após o sucesso de “Quatro Casamentos e Um Funeral” / "Four Weddings and a Funeral". A fórmula foi delineada e consistia em juntar o "british humor" tão popular na TV, mas bastante longe da linha de “Carry On” e usando uma estrela Made in USA. Primeiro tivemos Andie McDowell em “Quatro Casamentos e Um Funeral” e depois Julia Roberts em “Notting Hill”. Desta feita a escolha recaiu e bem em Renée Zellweger, que um dia tinha surpreendido todos em “Jerry Maguire” ao lado de Tom Cruise. Curiosamente, outro elemento preponderante desta série de películas é Hugh Grant, intérprete de todas elas, incluindo outros dois filmes dos mesmos produtores “Era Uma Vez um Rapaz” / “About a Boy” e “O Amor Acontece” / “Love Actually”.



“O Diário de Bridget Jones” obrigou a Renée Zellweger a fazer uma famosa dieta de pizzas para obter as formas delineadas pela Helen Fielding, para além de se ter de despedir da sua pronúncia texana, chegando até a trabalhar “incógnita” na "Picador" como assistente editorial (será que alguém acredita no anonimato?), para melhor se introduzir na pele da personagem. Poderemos dizer que ela o conseguiu em pleno, o risco era enorme, mas a sua interpretação é simplesmente fabulosa, ao ponto de revermos a película pela décima vez e continuarmos a rir maravilhados com a personagem (recorde-se que a película data de 2001).


Depois temos o Mr. Darcy saído directamente do célebre romance de Jane Austen “Orgulho e Preconceito” / “Pride and Prejudice”. Num golpe de génio os produtores foram buscar o intérprete da famosa série da BBC para “(re) interpretar” um Mark Darcy contemporâneo, tendo o convocado sido Colin Firth que não deixou os seus pergaminhos por mãos alheias. Será até de referir que na versão para cinema levado ao grande écran recentemente, a sombra de Colin Firth paira ao longo do filme, sendo o novo intérprete incapaz de descolar do seu modelo. Mas regressemos ao Mr. Darcy contemporâneo ou melhor Colin Firth, que por acaso esteve sempre na memória de Helen Fielding enquanto o Diário de Miss Jones era escrito.
A sua interpretação é excelente para além do guarda-roupa, inesquecíveis a gravata de patinhos ou a camisola com o veado, depois temos a célebre cena de pancadaria na rua onde mora Miss Jones, para já não falar nos fabulosos diálogos entre Bridget e Mark Darcy.


Mas e Hugh Grant perguntarão alguns? Como vai ele? Excelente como devem estar recordados, fugindo um pouco à personagem do tímido para vestir a do cínico, mentiroso e oportunista, depois temos o “namoro” com Bridget, mas será no interior da editora que ele surge no seu máximo trocando mails, olhares e palavras com Miss Jones… “será que a saia meteu férias”… até que a sua personagem a pouco e pouco vai desaparecendo tragada pela de Colin Firth. Ainda há aquele trio de amigos solteiros de Miss Jones, sempre presentes nas alturas de “crise” e heróis comedores de sopa azul!!!!


“O Diário de Bridget Jones”, revisto anos depois, demonstra todas as suas potencialidades na área da comédia, numa obra de produtores com tarimba, mas que vive acima de tudo do trabalho dos actores protagonistas dos seus filmes.
Comparando a primeira película de Bridget Jones com as sequelas preferimos, sem margens para dúvidas, o original, pelo esforço de Renée Zellweger, o trabalho de Colin Firth e Hugh Grant, para além do argumento ser simplesmente fabuloso, da autoria da escritora ao contrário do que é habitual. Revejam “O Diário de Bridget Jones” e não se esqueçam de escutar a fabulosa banda sonora que o acompanha.

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