sábado, 11 de fevereiro de 2017

Robert Altman – “O Jogador” / “The Player”


Robert Altman – “O Jogador” / “The Player”
(EUA – 1992) – (124 min. / Cor)
Tim Robbins, Greta Scacchi, Fred Ward, Whoopi Goldberg, Peter Gallagher.

Ao longo da década de oitenta, do século xx, Robert Altman fez uma longa travessia do deserto, após o flop de “Popeye”, que tinha Robin Williams no protagonista, tornando-se o cineasta num dos famosos “mavericks” da história do cinema. Será com o filme “O Jogador” / “The Player”, que iremos vê-lo regressar ao berço da Indústria, não perdendo a oportunidade para a criticar com o seu famoso olhar, deixando muitos deslumbrados com a famosa lucidez do cineasta.


Griffin Mill (Tim Robbins) é um daqueles executivos dos Estúdios que tem a missão de fazer a triagem dos argumentos recebidos, aceitando ou recusando os argumentos, transformando  assim os seus autores em estrelas cinematográficas ou eternos desconhecidos. Mas um dia um desses autores anónimos decide ameaçar o executivo, depois do seu argumento ter sido atirado para o “caixote do lixo”, ao mesmo tempo que esconde a sua identidade, criando assim o veterano Robert Altman uma deliciosa película, cujo olhar sobre a Hollywood contemporânea é bastante ácido, possuindo nos dias de hoje uma enorme actualidade, devido a esse beco sem saída em que Hollywood se meteu, esquecendo-se que por ali viveu em tempos idos a Sétima Arte, com William Faulkner, Ernest Hemingway, Francis Scott Fotzgerald, Dashiell Hammett a trabalharem os argumentos, tanto da sua autoria como de terceiros, sendo hábito na época de ouro do Cinema Clássico um argumento ter uma “paternidade” composta por inúmeros autores, até que chegou o dia em que escritores como os anteriormente referidos foram colocados de lado pela poderosa máquina trituradora de talentos da célebre Hollywood Babilónia!


“O Jogador” / “The Player” de Robert Altman ficou também célebre, na época, devido ao fabuloso plano sequência com que se inicia o filme, ao mesmo tempo que vemos os protagonistas a mimarem com humor a respectiva sequência.

Esta película de Robert Altman merece bem ser descoberta, para sentirmos a diferença, aliás bem patente, existente entre um cineasta e os tarefeiros que invadem cada vez mais o cinema made in USA, recorde-se que cada vez mais a publicidade cinematográfica com que deparamos no pequeno écran ou na sala de cinema já não refere, na maior parte dos casos, o nome do realizador, afirmando o seguinte: dos produtores de... dos criadores de… do realizador de (referindo-se um filme e não o nome do cineasta).

2 comentários:

  1. Foi ver ao cinema com um grupo grande. Eu adorei, os restantes detestaram! Ser´que não perceberam nada?

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    1. Um olhar que, apesar dos anos passados, se tornou bem actual:)
      Robert Altman era um cineasta inconfundível, um dos Mavericks de Hollywood, que no final de carreira foi adorado por quem o menosprezou durante décadas.
      (Nem sempre os espectadores de um filme se encontram devidamente informados sobre o conteúdo do mesmo)
      Bom domingo!

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