quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Peter Hyams – “O Expresso dos Malditos” / “Narrow Margin”


Peter Hyams – “O Expresso dos Malditos” / “Narrow Margin”
(EUA – 1990) – (97 min. / Cor)
Gene Hackman, Anne Archer, J.T.Walsh, E. Emmet Walsh.

Peter Hyams pertence a essa geração de cineastas surgidos no início dos anos setenta, do século XX e oriundos da televisão, onde fizeram “escola”, iniciando depois uma carreira cinematográfica sem grandes sobressaltos ou seja cumprindo com os mandamentos dos Estúdios, tendo a particularidade de em muitas das películas surgir também como director de fotografia, como sucede em “O Expresso dos Malditos” / “Narrow Margin”. Mas antes de se dedicar à matéria cinematográfica, Peter Hyams teve uma estreita ligação com o jazz, como baterista, tendo até actuado no grupo do célebre pianista Bill Evans, actuando nesse templo chamado “Birdland”. Na sua longa filmografia contam-se películas como “2010 – O Ano do Contacto”, “Capricorne One” e “Outland” / “Outland-Atmosfera Zero” com Sean Connery no protagonista.


Em “O Expresso dos Malditos” vamos mergulhar no interior do policial, com inúmeras cenas de acção, mas onde existe uma falha fatal na montagem, na sequência da fuga no jeep nas Montanhas Rochosas, em que primeiro vimos o pára-brisas a ser partido pelo ramo de uma árvore, para depois o encontrarmos intacto e mais tarde novamente estilhaçado. Talvez por esta razão o espectador mais atento fica de pé atrás com a eficácia da película, mas se descontarmos este lapso da montagem, iremos descobrir uma obra que cumpre com os seus objectivos.


Anne Archer (Carol Hunnicut) tem um encontro com o advogado Michael Tarlow (J.T.Walsh, um dos grandes secundários de Hollywood, infelizmente já falecido), arranjado por uma amiga, desconhecendo que ele trabalha para a máfia e quando sobe até ao seu apartamento para este fazer uma chamada inadiável, ela vai até à casa de banho e nesse preciso momento um conhecido patrão da máfia entra no apartamento para perguntar ao advogado porque razão foi desviado dinheiro da sua conta bancária acabando, como não podia deixar de ser, por o matar a sangue-frio. Carol ao presenciar, escondida na outra sala, a morte do advogado torna-se de imediato uma testemunha bastante apetecível para a polícia, como para os criminosos, que tudo farão para a eliminar. Esta decide refugiar-se numa casa perdida em plenas Montanhas Rochosas, no Canadá, pertencente ao seu irmão. Mas tanto a polícia como os mafiosos estão já no seu encalço e se os primeiros, através do Procurador Robert Caufield (Gene Hackman), pretendem levar esta testemunha até à barra do tribunal, já os mafiosos têm como objectivo eliminá-la.


A maior parte da acção do filme irá tratar desta perseguição, situando-a no interior de um comboio expresso que se dirige para Vancouver, onde iremos conviver com a intriga e a acção, já que na polícia se encontra gente a trabalhar bem fora da lei.

“Narrow Margin” oferece-nos uma excelente direcção de actores, onde mais uma vez Gene Hackman cumpre, mas onde acima de tudo são os secundários que brilham, revelando-se este “O Expresso dos Malditos” como um bom exemplo do cinema que se produzia nos Estúdios norte-americanos em inícios de oitenta, nessa época em que o chamado cinema independente começava a renascer para espanto dos grandes Estúdios.

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