domingo, 19 de fevereiro de 2017

Peter Hyams – “2010 – O Ano do Contacto” / “2010 – The Year We Make Contact”


Peter Hyams – “2010 – O Ano do Contacto” / “2010 – The Year We Make Contact”
(EUA - 1984) – (116 min. / Cor)
Roy Scheider, John Lithgow, Helen Mirren, Bob Balabam, Keir Dullea.

Em 1902, o francês George Méliès realizava, no seu Estúdio situado em Montreuil, a primeira obra de ficção-científica intitulada "A Viagem à Lua" / " Le voyage dans la lune". A então nascente Sétima Arte criava um dos seus géneros mais fascinantes. Muitos anos depois e ainda no mudo, o génio alemão Fritz Lang realizava uma das mais belas histórias de amor no espaço "A Mulher na Lua" / "Frau im Mood", ainda e sempre esse belo território que só em 1969 veria as pegadas do ser humano na sua superfície.


A Ficção-Científica acabaria, no entanto, por encontrar no continente americano a sua pátria por excelência e a Série-B como um território infinito para explorar as ameaças vindas de outros planetas, e depois há sempre essa célebre emissão radiofónica, baseada na obra de H.G.Wells, "A Guerra dos Mundos" / "War of the Worlds", que espalhou o pânico na América e que traçou definitivamente o destino do primeiro Maverick da História do Cinema, chamado Orson Welles.
Mas, curiosamente, a mais importante obra de Ficção-Científica no interior da Sétima Arte foi realizada nos Estúdios Britânicos, mobilizando a totalidade dos técnicos ingleses de efeitos especiais, estando a sua direcção a cargo desse mago chamado  Douglas Trumbull. Estamos a falar, evidentemente, de "2001 – Odisseia no Espaço" / "2001 - A Space Odyssey", a Sinfonia Espacial de Stanley Kubrick, baseada na novela de Arthur C. Clarke "A Sentinela" / "The Sentinel" e que imortalizou a abertura do poema sinfónico de Richard Strauss "Assim Falava Zaratrusta".


A película de Stanley Kubrick, hoje um dos Grandes Clássicos do Cinema, é a obra-prima deste género cinematográfico, sendo portadora das interrogações que continuam a dominar o Homem acerca da sua existência.
Tendo em conta todas estas razões, era particularmente difícil a Peter Hyams dar continuidade a "2001", proposta de Arthur C. Clarke ao escrever "2010 – O Ano do Contacto" / "2010 The Year We Make Contact". Na obra de Peter Hyams encontra-se patente a cooperação entre soviéticos e americanos para descobrir o destino da nave espacial Discovery e tentar decifrar o significado do monólito negro. Se inicialmente o comportamento de cada um dos tripulantes está condicionado pelas directrizes dos respectivos governos e da crise existente na América Central, ele acaba por ser invadido pelos sentimentos portadores da esperança e da cooperação, símbolos indicadores do único caminho para a sobrevivência da Humanidade.


Ao revermos esta película nos dias de hoje, neste século xxi tão conturbado, terminamos por olhar para o passado e recordar como a História do século xx nos surpreendeu com a queda do muro, mas a eterna pergunta que acompanhava a nossa existência no século passado permanece bem viva, na esperança de que não estamos sós no Universo.

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