terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Peter Greenaway – “O Livro de Cabeceira” / “The Pillow Book”


Peter Greenaway – “O Livro de Cabeceira” / “The Pillow Book”
(Ing/Fra/Hol – 1995) – (126 min. / Cor)
Vivien Wu, Ewan McGregor, Ken Ogata, Hideki Yoshida, Yoshi Oida.

O cinema do cineasta britânica Peter Greenaway, desde os seus inícios, tem mantido uma relação estreita com a pintura, área da qual o cineasta é originário, ao mesmo tempo que tem trabalhado de forma intensa as novas tecnologias proporcionadas pelo digital em perfeita harmonia com o cinema. E desde logo “O Livro de Cabeceira” / “The Pillow Book” transporta-nos a esse momento mágico em que a tecnologia e o cinema se fundem para criar uma nova linguagem no écran, oferecendo ao espectador uma experiência até então nunca vista.


Desta feita Peter Greenaway decide convidar-nos a conhecer a história da jovem Nagiko (Vivien Wu), que vive obcecada em criar o seu “Pillow Book” / Diário, fruto da infância passada com o pai, um escritor que gostava de escrever no próprio corpo, usando também o rosto da pequena filha, para nele inserir os célebres caracteres da literatura japonesa, o que levará Nagiko a eleger o seu corpo como a superfície perfeita onde a arte dos caracteres se irá fundir com as histórias que a sua tia (Hideko Yoshida) lhe lia em criança, a partir de um livro escrito no século x.
E será esta paixão pelos livros que um dia a irá fazer cruzar-se com Jerome (Ewan McGregor), ao mesmo tempo que fortes suspeitas começam a surgir nela sobre o relacionamento mantido entre um editor e o seu pai.


Peter Greenaway, em “The Pillow Book” / “O Livro de Cabeceira”, consegue levar a sua arte e o seu cinema de autor, bem característico, a um nível tão elevado, que o mais comum dos mortais fica de imediato fascinado pelas complexas imagens que vão surgindo no écran, ao mesmo tempo que nos vai oferecendo a sua história de amor e vingança, transmitindo em simultâneo o enorme fascínio que lhe transmite a Arte Oriental da escrita e o livro como elemento preponderante da sua difusão, revelando em algumas sequências o seu conhecido olhar sobre o corpo, como elemento erótico e narrativo, transmitindo-nos mais uma vez a genialidade do seu cinema, em que a célebre máxima: “o cinema é a fusão de todas as artes” se aplica de forma perfeita.

Embora “O Livro de Cabeceira” / “The Pillow Book” já tenha tido edição em dvd, e sido exibido no pequeno écran, o que é sempre de saudar, a sua visão numa sala de cinema será sempre a mais indicada, pois só ali o espectador consegue usufruir em plenitude a magia e complexidade desta obra-prima da Sétima Arte.

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