sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Oliver Stone – “Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme” / “Wall Street: Money Never Sleeps”


Oliver Stone – “Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme” / “Wall Street: Money Never Sleeps”
(EUA – 2010) – (133 min. / Cor)
Michael Douglas, Shia LaBeouf, Josh Brolin, Frank Langella, Carey Mulligan, Susan Sarandon, Eli Wallach.

Em 1987, Oliver Stone realizou “Wall Street”, oferecendo-nos um belo retrato dos caminhos por onde navegava o dinheiro na década de oitenta, marcada pelo nascimento dos yuppies, ao mesmo tempo que nos dava a conhecer essa personagem sem moral chamada Gordon Gekko (interpretada por Michael Douglas).
Muitos anos depois, iremos saber em “Wall Street: O Dinheiro Não Dorme” / “Wall Street: Money Never Sleeps”, que o famoso investidor, que entretanto fora preso acusado de fraude e lavagem de dinheiro, cumpriu oito anos de prisão pelo seu crime, iniciando-se precisamente a película com a sua saída da prisão.


Enquanto aguarda pela chegada da filha que lhe prometera ir buscá-lo, irá descobrir que foi abandonado por todos, porque ninguém o irá buscar, uma sequência aliás bem retratada por Oliver Stone, que de imediato nos dá uma poderosa imagem deste século xxi em que vivemos com a chegada da limusina, que não se destina a Gordon Gekko (Michael Douglas).

Winnie Gekko (Carey Mulligan), a filha do investidor, recusa-se a vê-lo, acusando o pai de ser o responsável da morte do irmão, que vivia dependente da droga e que acabaria por morrer vítima de uma overdose. No entanto, iremos saber que ela vive com um jovem corretor de Wall Street, que trabalha para a Keller Zabel Investments, partilhando ambos uma vida de luxo.


Oliver Stone dá-nos assim, mais uma vez, de forma perfeita os bastidores de Wall Street e das famosos Bancos de Investimentos, com os seus célebres fundos, revelando a sua marca habitual, que reside na velocidade da montagem, mas se durante o filme os momentos altos se revelam nessa viagem seguindo o rasto do dinheiro no mundo contemporâneo, já a relação entre os dois jovens irá revelar-se o ponto fraco da película, porque tanto Carey Mulligan como Shia LaBeouf, o jovem corretor de sucesso que verá a Firma onde trabalha destruída por boatos, não conseguem agarrar as personagens, por muito credíveis que elas sejam. Compare-se a interpretação de Charlie Sheen no primeiro filme “Wall Street”, com a de Shia LaBeouf e fica tudo dito.


Já o trio constituído por Michael Douglas (Gordon Gekko), Frank Langella (Louis Zabel) e Josh Brolin (Bretton James), quando surgem no écran, enchem o filme de intensidade e genialidade, revelando-se com eles os momentos mais intensos de “Wall Street: Money Never Sleeps”.
Ao fazer um retrato da crise económica que abalou a América em 2008 e se tem prolongado pelo mundo fora, como todos sabemos, Oliver Stone pretende dar-nos a sua visão da nova crise do capitalismo e se não introduzisse o romance dos dois jovens na película e se centrasse apenas na questão económica, teria certamente realizado um dos seus filmes mais memoráveis, mas certamente as célebres razões de bilheteira obrigaram-no a estabelecer o segmento dos dois jovens, que na verdade não têm pernas para andar, numa obra deste calibre.


Michael Douglas, ao retornar a personagem Gordon Gekko, está como peixe na água, oferecendo-nos uma imagem credível do investidor e especulador que pretende vingar-se do que lhe sucedeu, ao mesmo tempo que faz a ponte com o anterior filme e quando Gordon Gekko diz numa conferência que “a ganância era uma coisa boa e agora é legal”, conta-nos em breves palavras e de forma bem simples os caminhos traçados pelo capitalismo hoje em dia, bem conhecido de todos aqueles que têm acompanhado a crise económica, com as diversas falências de Bancos e Fundos, ao mesmo tempo que os seus gestores se retiram da ribalta, mas continuam a receber chorudos bónus ou reformas milionárias.


“Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme” / “Wall Street: Money Never Sleeps”, apesar de ser datado de 2010, permanece uma película bem actual, fruto do estado do mundo, embora Oliver Stone, pudesse ter ido muito mais longe na sua análise da situação económica norte-americana. Ficamos assim com um bom filme, com a habitual marca do cineasta, tendo excelentes interpretações, excepto os dois jovens actores, mas que infelizmente ficou a um passo da chamada obra-prima. Recorde-se que sobre este mesmo tema o cineasta/argumentista J. C. Chandor realizou o genial “Margin Call” / “O Dia Antes do Fim”, datado de 2011 e com um elenco inesquecível: Jeremy Irons, Kevin Spacey, Simon Baker, Stanley Tucci entre outros.

2 comentários:

  1. Um bom filme de um dos meus realizadores favoritos! Com um bandido de colarinho branco cheio de charme!

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    1. A interpretação de Michael Douglas enche o filme!!!!
      Boa tarde!

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