domingo, 5 de fevereiro de 2017

Norman Jewinson – “Agnes de Deus” / “Agnes of God”


Norman Jewinson – “Agnes de Deus” / “Agnes of God”
(EUA - 1985) – (98 min. / Cor)
Jane Fonda, Anne Bancroft, Meg Tilly, Anne Pitoniak.

Quando se fala de Norman Jewinson alguns ainda se lembram dele, mas poucos sabem que a sua nacionalidade é canadiana, por outro lado muitos dos filmes que assinou, entre os quais grandes sucessos de bilheteira como “Jesus Christ Superstar” ou “Fiddler on the Roaf”/”Um Violino no Telhado”, não nos gravaram na memória o seu nome como autor/cineasta e no entanto na sua filmografia podemos encontrar filmes tão distantes ou tão próximos como “In The Heat of the Night”/”No Calor da Noite”, com Sidney Poitier a brilhar como o primeiro negro no cinema como protagonista ou Sylvester Stallone em “F.I.S.T.”, para já não falar nessa obra cheia de implicações raciais que é “A Soldier’s Story” / “A História do Soldado”, com Denzel Washington ainda em secundário, para mais tarde nos surgir como protagonista em “Hurricane”... recordam-se da canção do Bob Dylan, incluída no album “Desire”.


Mas antes de falar de “Agnes de Deus” não posso deixar de referir essa obra máxima de Norman Jewinson que é “The Thomas Crown Affair” com o Steve McQueen e a Faye Dunaway e depois comparem com o remake que o John McTiernan faz com o Pierce Brosnan e a Rene Russo ou então essa comédia de apaixonados que é “Only You” com a Marisa Tomei e o Robert Downey Jr. vamos mas é falar da Agnes antes que sejamos convidados para assistir ao “Rollerball”, na companhia do James Caan… (afinal são inúmeros os filmes deste cineasta que muitos conhecem sem lhe fixarem o nomeJ e como a publicidade cinematográfica do século XXI se inibe em nos informar o nome dos realizadores, vamos de mal a pior!).

Norman Jewinson

Norman Jewinson sempre gostou de interrogar as Instituições, em “A História do Soldado” era o exército e o racismo que estavam em jogo enquanto que em “Agnes de Deus” é a vida conventual, juntamente com a psiquiatria que servem de tema. A História do Cinema tem as suas obras-primas no “género” em “A Religiosa” de Jacques Rivette com uma Anna Karina fabulosa que nos comove até às lágrimas, mas antes já Robert Bresson e o seu “Les Anges du Péche” nos deslumbraram profundamente com a sua religiosidade em oposição à carnalidade de “Black Narcissus” de Michael Powell e Emeric Pressburger, nesse convento perdido nos Himalayas.


Mas vamos ao filme disponível em dvd. Tudo começa quando um recém-nascido é encontrado morto no quarto de uma freira (Meg Tilly). O processo tem o seu início e uma psiquiatra (Jane Fonda) é encarregada pelo tribunal a dar a sua opinião sobre o caso. No entanto, a forma como a Madre Superiora (Anne Bancroft) a recebe e os próprios antecedentes familiares da psiquiatra, transformam o filme numa intriga bastante complexa.


Filme de Mulheres, “Agnes de Deus” vive acima de tudo de interpretações fabulosas, mais que confirmadas, de Jane Fonda e Anne Bancroft, sendo no entanto Meg Tilly o grande trunfo do cineasta para esta película ou não fosse ele o responsável por “The Cincinnati Kid”. “Agnes de Deus” é uma daquelas obras para serem re(visitadas) serena e silenciosamente, demonstrando mais uma vez que um dos grandes trunfos do cinema norte-americano são os actores, sejam eles provenientes do “star-system” ou dos "indies", é perfeitamente indiferente, (re)descobrir filmes é um dos mais belos jogos da cinefilia.

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