sábado, 18 de fevereiro de 2017

Lawrence Kasdan – “Noites Escaldantes” / “Body Heat”


Lawrence Kasdan – “Noites Escaldantes” / “Body Heat”
(EUA – 1981) – (113 min. / Cor)
William Hurt, Kathleen Turner, Richard Crenna, Ted Danson, Mickey Rourke.

Steven Spielberg tem por hábito afirmar que Lawrence Kasdan foi uma descoberta sua, ao mesmo tempo que diz que o universo dos “movie-brats”, nos anos setenta do século xx, era composto pela cooperação entre os seus membros, ao contrário do que sucedera nos anos áureos do Sistema dos Estúdios (1930-1955), recorde-se que um dos grandes negócios de David O’Selznick era alugar os actores que tinha em seu poder ou se preferirem sobre contrato, aos diversos Estúdios que solicitavam os seus serviços.


Lawrence Kasdan surgiu no cinema (“família” Spielberg/Lucas) como argumentista, sendo o seu trabalho imediatamente reconhecido. Tal como foi o de dois outros argumentistas desta geração, hoje cineastas e nomes incontornáveis do cinema americano: Robert Zemeckis, argumentista de “1941” / “1941 – Ano Louco em Hollywood” e que se estreou na realização com “Travões Avariados, Carros Estampados” / “Used Cars”; Paul Schrader, argumentista de “Taxi Driver” e que se estreou atrás da câmara com “Blue Collar”.



“Body Heat” / ”Noites Escaldantes” foi o primeiro filme de Lawrence Kasdan. Nele foi possível rever de imediato o cinema clássico, mais concretamente o “film noir” e a passagem do elemento feminino pelo seu interior, conduzindo à traição e à morte, num jogo perverso, onde o olhar da sensualidade de um corpo será sempre demasiado belo para ser inocente!
Ned Racine (William Hurt) e Matty Walker (Kathleen Turner) são a dupla de um jogo, onde o amor e o crime são cúmplices de uma estratégia onde o argumento é o segredo chave da película, pontuada maravilhosamente pela música de John Barry.



Logo no início, quando o par se encontra nessa noite escaldante, percebemos de imediato que aquela mulher é uma perfeita “femme fatal”, ao mesmo tempo que o advogado Ned Racine (William Hurt) irá revelar-se como o elemento que será manipulado por ela, através dessa falsa ingenuidade, tão bem oferecida por ela, ao sedutor seduzido, já que se trata disso mesmo, porque foi ela que o escolheu e não ele que a conquistou.


“Noites Escaldantes” / “Body Heat” revela-se assim um verdadeiro compêndio do denominado “Film Noir”, sendo possível encontrar no interior da película todos os elementos que fizeram deste género um dos mais memoráveis da História do Cinema. Por outro lado a película de Lawrence Kasdan, na época, revelou-nos essa estrela única chamada Kathleen Turner, ao mesmo tempo que confirmava o talento de William Hurt.

Ao revermos hoje “Body Heat” / “Noites Escaldantes” continuamos a sentir essa profunda sensualidade, que respira ao longo dos fotogramas, fruto de um argumentista chamado Lawrence Kasdan, que aqui dava os primeiros passos como cineasta. De forma segura e genial!

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