sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Krzysztof Kieslowski – “Três Cores : Vermelho” / “Trois Couleurs : Rouge”


Krzysztof Kieslowski – “Três Cores : Vermelho” / “Trois Couleurs : Rouge”
(França/Polónia/Suiça – 1994) – (99 min. / Cor)
Irène Jacob, Jean-Louis Trintignant, Fréderique Feder, Jean-Pierre Lorit.

Ao realizar esta película, o cineasta polaco Krzysztof Kieslowski conclui de forma exemplar a sua trilogia tendo por base as cores da bandeira francesa, representando a cor vermelha a fraternidade. Mais uma vez Kieslowski, com “Três Cores: Vermelho” / “Trois Couleurs: Rouge”, nos oferece uma obra sobre a condição humana, ao contar-nos a história de Valentine (Irène Jacob), uma jovem modelo, que um dia encontra um cão ferido na rua e após ver na coleira a morada do dono, decide entregar o cão ao seu proprietário. Irá então conhecer um Juiz (Jean-Louis Trintignant) solitário e já reformado, por sinal nada simpático e bastante cínico, que possui como passatempo espiar os vizinhos, chegando a fazer telefonemas ameaçadores.


À medida que vamos acompanhando o relacionamento entre estas duas pessoas, já que a jovem Valentine desperta uma certa curiosidade no cínico juiz, iremos conhecer a história deste tenebroso ser e então perceberemos que essa mesma história terá traços comuns com um jovem estudante de direito, Karin (Fréderique Feder) que por diversas vezes ao longo da película irá percorrer os mesmos caminhos trilhados pela jovem Valentine, desconhecendo que um dia ambos se irão encontrar no ferry que irá naufragar, sendo dois dos seis sobreviventes do desastre, sendo os outros quatro, os protagonistas dos dois filmes anteriores da célebre trilogia de Kieslowski.


Ao longo de “Três Cores: Vermelho” / “Trois Couleurs: Rouge”, iremos perceber como é insustentável a leveza do ser e à medida que vamos acompanhando a história dos três protagonistas, somos obrigados a rever neles a nossa própria experiência, em que o fruto do acaso termina tantas vezes por mudar o nosso quotidiano, alterando de forma profunda a nossa visão do pequeno mundo em que nos movimentamos.
Krzysztof Kieslowski fecha assim de forma soberba, com o tema da fraternidade, a sua fabulosa trilogia sobre a condição sentimental do universo contemporâneo.

Após a conclusão da película, o realizador retirou-se da actividade cinematográfica, vindo a falecer três anos depois, no entanto a obra cinematográfica que nos deixou permanece bem viva no meio de nós.

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