quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

John Bailey – “Lua Cheia” / “China Moon”


John Bailey – “Lua Cheia” / “China Moon”
(EUA – 1994) – (99 min. / Cor)
Ed Harris, Madeleine Stowe, Charles Dance, Benicio del Toro.

John Bailey é muito mais conhecido como director de fotografia do que como cineasta, sendo “Lua Cheia” / “China Moon”  a sua segunda película. Bailey estreou-se na realização com a comédia “The Search for Signs of Inteligent Life in the Universe”, um verdadeiro festival Lily Tomlin. A sua carreira como director de fotografia é longa e vasta, sendo Lawrence Kasdan e Paul Schrader dois dos cineastas que o convidam com regularidade para trabalhar nos seus filmes. Por outro lado John Bailey tem oferecido também o seu contributo em áreas especificamente técnicas como quando, em 2006, foi criada a lente Anamorfic Wide-Angle Zoom, que ficaria conhecida na gíria como “Bailey Zoom”.


Nesta sua segunda película, John Bailey incide a sua atenção sobre a memória do “film noir”, oferecendo o papel da famosa “femme fatale” a essa actriz espantosa chamada Madeleine Stowe, que por razões que a própria razão desconhece nunca conseguiu saltar para essa primeira divisão das “moviestars”, apesar do seu enorme talento e beleza. Apostando a localização da acção na Florida, John Bailey por duas vezes nos faz recordar essa obra-prima de Lawrence Kasdan intitulada “Noites Escaldantes” / “Body Heat”, quando vemos pela primeira vez Rachel Munro (Madeleine Stowe) sentada no bar, com um vestido branco, oferecendo-nos uma figura muito próxima da primeira aparição de Kathleen Turner na película de Kasdan, para numa outra sequência em que vimos a mesma Rachel com o detective Kyle Bodine (Ed Harris), à porta da casa do banqueiro Rupert Munro (Charles Dance), também nos fazer recordar “Body Heat”, só faltam ali os célebres espanta-espíritos.


“Lua Cheia” surge assim como um mergulho no território do “film noir”, com a habitual dupla de detectives: Kyle Bodine, o veterano (Ed Harris) e Lamar Dickey, o aprendiz (Benicio del Toro). E logo nas primeiras sequências percebemos que estamos perante dois solitários de gerações diferentes, que levam com empenho o seu dever. Kyle possui aquele olhar de falcão, oferecido por muitos anos de experiência, enquanto Lamar comete diversos erros, devido ás avaliações precipitadas que faz das situações com que se deparam no dia a dia.
Na noite em que Kyle Bodine se cruza com a bela e fatal Rachel Munro, o seu universo irá desmoronar-se como um castelo de cartas e todas as suas certezas se irão transformar em dúvidas. Mas antes disso suceder a sua solidão irá ser substituída pelo amor que começa a sentir por Rachel, essa mulher casada com o banqueiro Rupert Munro (Charles Dance), que a maltrata e atraiçoa com as mulheres que encontra.
Kyle irá descobrir por sua conta e risco esse território movediço do amor e guardar para sempre na sua memória a noite de lua cheia, em que mergulha com ela no lago, numa das mais belas e ternas sequências do filme, criada com mão de mestre por John Bailey. Esse mesmo lago que irá mudar para sempre a vida de ambos, porque as regras do jogo estão profundamente viciadas, como iremos descobrir ao longo da película.


“China Moon” surge assim como um eficiente “thriller”, que se vê com agrado e que nos oferece interpretações de primeira água deste quarteto de actores, que nos tem oferecido sempre o seu melhor ao longo das suas já longas carreiras no cinema. Por sua vez, John Bailey leva a bom porto esta sua segunda viagem como realizador.

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