quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Jane Campion- “O Piano” / “The Piano”


Jane Campion- “O Piano” / “The Piano”
(Australia / Nova Zelândia / França – 1993) – (121 min. / Cor)
Holly Hunter, Harvey Keitel, Sam Neil, Anna Paquin.

Jane Campion nasceu em Wellington, Nova Zelândia e desde muito cedo se interessou pelo cinema, dando logo nas vistas em 1982 com a curta-metragem “Peel”, que fez sensação em Cannes. Quando em 1990 realizou “Sweetie”, em que nos conta o drama de uma jovem com alguns problemas mentais, começa-se a perceber o seu investimento nas personagens femininas, que irá ser uma constante na sua obra cinematográfica, já que na sua segunda longa-metragem intitulada “Um Anjo à Minha Mesa” / “Angel At My Table”, baseado na auto-biografia da escritora Janet Frame, nos oferece a vida desta escritora, vítima da incompreensão enquanto jovem e submetida aos piores tormentos pelos quais pode passar um ser humano.


“O Piano” / “The Piano”, a sua terceira longa-metragem, irá ter mais uma vez como centro da história uma mulher chamada Ada McGrath (Holly Hunter na sua melhor interpretação de sempre), que se recusa a falar desde tenra idade, desconhecendo-se as razões. Esta jovem viúva com a sua filha Flora (Anna Paquin) de nove anos apenas, parte num navio rumo à Nova Zelândia, para um casamento arranjado com um proprietário local de seu nome Alisdair Stewart (Sam Neill), transportando na bagagem um piano, onde ela exprime as suas emoções, mas ao serem desembarcadas na praia e após a chegada do marido, este recusa-se a transportar o piano, que ali irá permanecer. Ao saber disso George Baines (Harvey Keitel), um vizinho agricultor decide comprar o piano e promete a Ada oferecer-lho de volta se ela lhe der lições de piano: uma tecla por cada lição.


Ada, que não gosta dos modos de George Baines, aceita o negócio, mas quando começa a dar-lhe as célebres lições de piano percebe que ele deseja muito mais do que isso, instalando-se o desejo e o medo no seu corpo, perante os avanços apaixonados de Baines que, lentamente, a irá cativar, ao mesmo tempo que compreende como aquele instrumento musical é fundamental para Ada enfrentar o mundo que a rodeia. E será a sua filha Flora, que a acompanha nas viagens a casa de Baines, que irá denunciar a relação amorosa existente, cujo resultado será terrível para Ada.


A forma como Jane Campion nos oferece em “O Piano” / “The Piano” o retrato desta mulher sem voz, que expressa os seus sentimentos através desse piano que ela adora é simplesmente genial, por outro lado a interpretação de Holly Hunter é verdadeiramente comovente, envolvendo o espectador no drama de um ser humano perdido nos confins do mundo.


Ao longo do filme somos envolvidos pela música de Michael Nyman, que aqui assina uma das suas melhores partituras para cinema e que por razões que a própria razão desconhece nem sequer foi nomeada para os Oscars. No entanto, tanto Holly Hunter como Anna Paquin receberam as respectivas estatuetas para Melhor Actriz e Melhor Actriz Secundária e Jane Campion o Oscar para o Melhor Argumento Original, tendo a película também ganho a Palma de Ouro do Festival de Cannes.


Mais uma vez Jane Campion oferece-nos uma película repleta de sensibilidade, mas onde a violência também não está ausente, veja-se o castigo de Alisdair Stewart a Ada, quando sabe do seu relacionamento com Baines, investindo a cineasta, mais uma vez, todo o seu saber na composição desta personagem feminina, que nos fascina cada vez mais, à medida que vamos revendo esta película inesquecível.

2 comentários:

  1. A música deste filme é tão bela, seja para ouvir, seja para ver!

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    1. "O Piano" é um filme perfeito em todas as suas vertentes e o protagonista é um piano:)
      Bom dia!

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