sábado, 11 de fevereiro de 2017

Hector Babenco – “O Beijo da Mulher-Aranha” / “Kiss of the Spider Woman”


Hector Babenco – “O Beijo da Mulher-Aranha” / “Kiss of the Spider Woman”
(Brasil/EUA - 1985) – (120 min. / Cor)
William Hurt, Raul Julia, Sonia Braga, José Lewgoy.

A primeira obra que vimos de Hector Babenco foi um documentário sobre o clã Fittipaldi, na sua época de ouro na Fórmula 1, o ano já vai longínquo e na verdade nunca iríamos dizer que este argentino naturalizado brasileiro, muitos anos depois, assinaria filmes como “Ironweed” / “Estranhos na Mesma Cidade”, com Jack Nicholson e Meryl Streep (e a sua história de “casal” vagabundo sem presente nem futuro, enquanto o passado já nem era uma miragem), mais o Tom Waits a fazer um dos seus habituais “cameo” nos movies, porque para ele o que conta são as canções ou então essa obra de um realismo cruel intitulada “Pixote – A Lei do Mais Duro”, que nos ofereceu a história de Pixote com a selva de betão armado de um lado e as favelas do outro, a criança protagonista acabaria alguns anos depois a vestir a pele do anti-herói e a morrer mergulhado no sangue que corria no asfalto depois de um intenso tiroteio com a polícia. Será, no entanto, com “O Beijo da Mulher-Aranha” que a fama lhe irá sorrir.


Na época, o cinema brasileiro estava longe dos holofotes da Meca do Cinema como sucede hoje em dia e “O Beijo da Mulher Aranha”/"Kiss of the Spider Woman" acabaria por levar para os States a Sónia Braga, embora o sucesso da película de Hector Babenco, falecido no ano passado, resida nas fabulosas interpretações de William Hurt e Raul Julia. Baseado numa história de Manuel Puig, o cineasta introduz-nos no interior das prisões, focando o relacionamento existente entre dois presos: Molina (William Hurt), um homossexual e Valentim (Raul Julia), um jornalista detido devido a cooperar com os opositores do regime, recorde-se que a época é a da ditadura. Os relatos de ambos cruzam-se, chocam-se e muitas vezes ficam estilhaçados na memória e serão os desejos de Valentim por uma sociedade mais justa que irão conduzir Molina a adquirir consciência política no mundo que o rodeia e a ocupar o lugar de Valentim na luta contra a ditadura.


“A Mulher Aranha” (Sónia Braga) é um dos filmes que Molina (William Hurt) conta a Valentim (Raul Julia) na cadeia, enquanto vive intensamente o relato das suas películas preferidas. Nesta obra descobrimos inúmeros rostos conhecidos das telenovelas brasileiras exibidas no nosso país, na década de oitenta, revelando todos eles um apuro de representação, fugindo às interpretações do contexto tipificado das personagens da telenovela brasileira. William Hurt acabaria por ganhar o Oscar e Raul Julia possui aqui uma das melhores interpretações da sua carreira, só por eles este filme merece ser (re)visto nesta época em que o dvd e os inúmeros canais de televisão nos possibilitam novas avaliações na Sétima Arte.

2 comentários:

  1. Um papel inesquecível quer de William Hurt, quer de Raul Julia!

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    1. O segundo infelizmente já nos deixou, mas a sua Arte permanece bem viva quando revemos os seus filmes. Já William Hurt tem aqui uma interpretação simplesmente brilhante!
      Boa Tarde!

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